Micale critica demissão de Ceni e a postura do elenco da Raposa em 2019

O treinador campeão olímpico em 2016, e atual comandante do sub-20 celeste, falou sobre como o jogador brasileiro age de uma forma no Brasil e leva um choque quando sai do país

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Campeão olímpico pela Seleção Brasileira em 2016, Rogério Micale chegou para comandar o time sub-20 do Cruzeiro após algumas passagens por equipes profissionais, inclusive no rival Atlético-MG.

Com essa experiência no futebol, Micale opinou sobre o cenário atual da Raposa e até sobre a demissão de Rogério Ceni, no ano passado, cercada de polêmicas com o elenco. O treinador foi incisivo ao apontar a falta de postura de vários jogadores naquele momento delicado para o clube, culminando na saída de Ceni.

- Eu não gosto como aconteceu com o Cruzeiro ano passado, vou tocar numa ferida, mas é verdade. Uma mudança de metodologia, aí você pega um elenco muitas vezes que já está acostumado a determinadas situações, e ele não quer uma mudança, ele quer manter aquilo que ele sempre fez, e aí quando vem um choque de uma nova realidade, eu tô falando do Rogério Ceni, o cara não quer aquela mudança, ele quer viver aquilo que sempre viveu - disse Micale à Rádio 98FM.

Em seguida, Rogério Micale falou do choque que os atletas brasileiros têm ao sair do país, pois encontram outras culturas esportivas e de comportamento dentro de fora de campo, que normalmente não se vê no tratamento aos atletas que jogam no Brasil.

- Isso é um estereótipo daquilo que um jogador brasileiro vai para o exterior, ele tem esse choque de gestão e ele não quer essa mudança. Ele quer ser tratado como ele é tratado no próprio Brasil e aí como ele lá está sozinho, ele não tem um entorno para fortalecer as atitudes dele, ele volta, não dá certo. Aqui no Brasil não, a gente acha muito amparo em nossa volta e aí é muito mais fácil você trocar aquele que comanda e quer a mudança, que como diz o ditado toda mudança gera desconforto - disse Rogério Micale.

Opção pelo Cruzeiro

Micale contou que antes de acertar com a Raposa, teve quase fechado com o São Paulo, mas uma conversa com o diretor da base na época, Ricardo Drubscky, o fez repensar e ver o desafio que seria tocar o projeto cruzeirense.

- Inclusive eu tive no são Paulo, minha primeira opção era fechar com o São Paulo, tive lá numa quinta-feira no SP, conversei, sai praticamente acertado de lá, e na sexta-feira fui almoçar com o Ricardo (Drubscky, atual diretor de futebol) na Toca, e visualizei o desafio do Cruzeiro, eu gosto muito disso, moro a 2 km da Toca, e o Ricardo é um cara que eu gosto muito, acredito muito, e com perspectiva de futuro também, algo dentro do clube e topei, topei - disse o treinador.

Todavia, há um acordo com o Cruzeiro, caso haja uma nova proposta que atenda os anseios do treinador para uma saída.

- Nada me impede, e o Ricardo sabe disso, que se eu tiver uma proposta para o exterior que pelo currículo que eu tenho, pela medalha, de tudo que minha carreira internacional, medalha de Pan, medalha olímpica, vice campeão mundial Sub-20, chegar uma proposta de algum clube ou seleção, e a gente voltar a conversar. O que eu não quero, e que muitas vezes eu estava me sentindo mal, é ficar em casa. Eu fiquei de quarentena um ano em casa, e isso estava me fazendo mal porque independente de categoria, de valores salariais, meu maior prazer, minha paixão é trabalhar, ir a campo e fazer aquilo que mais gosto de fazer - finalizou.