Imprensa inglesa aponta pausa para hidratação como trunfo da Inglaterra em virada na Copa
Jornais destacam que interrupções ajudaram Thomas Tuchel a reorganizar a equipe antes da reação sobre a RD Congo
Lance|Do R7
As pausas para hidratação, alvo de críticas de Thomas Tuchel desde o início da Copa do Mundo, ganharam um novo significado para a Inglaterra após a classificação às oitavas de final. Na análise da imprensa inglesa, as interrupções foram determinantes para a reação da equipe na vitória por 2 a 1 sobre a RD Congo, pela segunda fase, ao permitirem que o treinador reorganizasse o time antes da virada construída com dois gols de Harry Kane.
A BBC destacou que a Inglaterra cresceu de produção depois das duas paradas obrigatórias, enquanto o The Sun ressaltou que Tuchel aproveitou os intervalos para orientar jogadores como Jude Bellingham, Declan Rice e Anthony Gordon. Pouco depois da segunda conversa, Gordon participou dos dois gols de Harry Kane, que garantiram a classificação inglesa para enfrentar o México nas oitavas de final.
Tuchel aproveitou oportunidade
Antes da partida, Tuchel havia criticado o protocolo adotado pela Fifa e afirmado que as pausas mudavam a identidade dos jogos ao quebrar o ritmo das partidas. Após a classificação, porém, o treinador reconheceu que decidiu utilizar as interrupções como uma oportunidade para conversar com os jogadores e promover ajustes táticos em um momento decisivo do confronto.
Mesmo mantendo a opinião de que prefere partidas com fluxo contínuo, o comandante da Inglaterra afirmou que seria um erro desperdiçar uma ferramenta disponível durante o jogo. Segundo ele, os atletas estavam atentos às orientações e conseguiram colocar em prática as mudanças discutidas nos minutos de paralisação.
— Eu tiro o melhor proveito disso. Eu não gosto muito delas. Gosto mais de futebol quando o jogo flui com ritmo e os jogadores e as equipes precisam encontrar soluções durante o jogo. Mas elas existem. Então, por que eu não aproveitaria a oportunidade? Hoje senti os jogadores muito calmos e receptivos.
Tuchel também avaliou que, diferentemente de outras partidas da Copa do Mundo, as pausas transcorreram de maneira organizada e facilitaram a comunicação entre a comissão técnica e o elenco.
— Às vezes, as pausas para hidratação podem ser um pouco caóticas. Todo mundo tenta incentivar, todo mundo quer passar uma mensagem e ajudar. Hoje eu senti os jogadores bastante calmos e concentrados nos momentos decisivos.
Mudança refletida em campo
A análise da BBC também apontou que a evolução inglesa ficou evidente nos números da partida. Antes da primeira pausa para hidratação, a equipe ainda não havia finalizado ao gol nem tocado na bola dentro da área adversária. Depois da interrupção, encerrou o primeiro tempo com oito finalizações e 20 ações dentro da área da RD Congo, demonstrando uma postura mais agressiva.
O mesmo cenário se repetiu na etapa final. Antes da segunda parada, a Inglaterra havia produzido apenas duas finalizações e sete toques na área rival. Após o intervalo, aumentou a intensidade ofensiva, passou a explorar melhor os lados do campo e criou seis novas finalizações, chegando à virada com os dois gols de Harry Kane nos 15 minutos finais do confronto.
O meia Eberechi Eze também afirmou que as pausas podem alterar o rumo das partidas ao oferecerem tempo para reorganização física e tática da equipe.
— Às vezes, isso muda o ritmo do jogo e dá um pouco de tempo para respirar. Desta vez acabou funcionando para nós, mas faz parte do futebol.








