Terceiro goleiro passa confiança? Marcos Felipe tem vez agora, e Berna foi a solução em 2010. Lembre!

Ao LANCE!, goleiro campeão brasileiro assumiu a titularidade na reta final da competição, sem ter entrado em campo na temporada, situação idêntica ao substituto de Muriel

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No Z4 e sem Muriel, o Fluminense enfrenta o Atlético-MG, no Maracanã, na primeira das seis "decisões" que o time tem pela frente, na luta contra o rebaixamento. O cenário de incertezas aumenta ainda mais com Marcos Felipe, que passou de terceiro goleiro, a titular do gol tricolor. A ascensão do jogador não chega a ser uma novidade na história do clube, que foi bastante feliz em uma outra ocasião.

Em 2010, o Fluminense lutava para ser campeão brasileiro. Faltando nove rodadas, o técnico Muricy Ramalho promoveu a entrada de Ricardo Berna ao time. Assim como Marcos Felipe, Berna era o terceiro goleiro e não tinha jogado na temporada, mas deu conta do recado, terminando a sua participação invicto e com o título, somando quatro empates e cinco vitórias. O ex-jogador falou com exclusividade ao LANCE!, relembrando a situação vivida por ele, em comparação ao atual momento do clube.

- O Marcão analisou quem está em bom momento. É uma decisão e uma reta final de campeonato. Eu assumi em no fim de 2010 após uma análise que o Muricy Ramalho. Ele não sentia confiança em quem estava atuando, eu vinha treinando muito bem e resolveu apostar. Eu já vi substituição de goleiro quando o time está mal. Agora brigando pelo título brasileiro, é a primeira vez que eu vi acontecer. Tem que se analisar o momento e quem está melhor merece a oportunidade.

TABELA
Confira a classificação do Campeonato Brasileiro


Marcos Felipe soma pelos profissionais do Fluminense apenas quatro jogos, entrando pela última vez em campo no dia 15 de janeiro do ano passado, na derrota por 3 a 1, para o Barcelona, do Equador, pela Flórida Cup. A inatividade causa uma certa desconfiança. Entretanto, Ricardo Berna minimizou o fato, usando como exemplo um caso que aconteceu com ele, no próprio Fluminense.

- Eu fui contratado em 2005 e meu primeiro jogo foi no final de 2006, nos últimos jogos do Brasileiro, no qual o Fluminense lutava para não cair. Ainda em 2005, surgiu a possibilidade de assumir o gol. Eu estava treinando muito bem, mas tinha 25 anos, não tinha jogado ainda e era uma situação delicada. O que aconteceu? O treinador de goleiros veio conversar comigo, falou que resolveram me preservar e que teria uma coisa boa para mim, já que começaria um revezamento no banco de reservas. Eu fiquei muito incomodado com aquilo porque eu queria jogar.

A titularidade de Marcos Felipe causou um pouco de surpresa, já que o goleiro não vinha sendo relacionado. Agenor é quem despontava como reserva imediato de Muriel, porém quando foi a campo, não conseguiu se firmar. Para Berna, o fato dos dois estarem no elenco, é porque possuem condições e opinou sobre o fator experiência.

- Só se prova um atleta, quando se coloca em campo. Se ele está no elenco, é porque fez por merecer e pagou um preço para isso.
Todo atleta que está à disposição para entrar em campo, tem que ter a consciência, não importando o nível, seja começando ou com mais bagagem, de estar pronto para ser utilizado. Seja qual for o momento. Agora, na minha opinião, sim, pesa muito o fator experiência.

BATE-BOLA COM RICARDO BERNA

O que você pode falar sobre o Marcos Felipe, dos tempos em que defendeu o Fluminense?
- Treinamos muito juntos. Ele ascendeu aos profissionais um pouco antes de eu sair do clube. Então eu conheço bem o Marquinhos (Felipe), o trabalho e a personalidade dele. Eu acho até que ele precisa comunicar melhor essa confiança que ele tem no próprio potencial, mas isso faz parte do processo de amadurecimento. Tenho certeza que isso vai acontecer naturalmente.

Qual é o tamanho da ausência de Muriel para o Tricolor?
- É uma fatalidade o que aconteceu com o Muriel, um dos grandes destaques do elenco. Pelo que eu vi, ele se lesionou no primeiro lance e isso atrapalhou o desempenho dele na partida. Talvez uma substituição poderia atrapalhar o trabalho. Nitidamente ele estava debilitado nos dois gols do Internacional. Uma fatalidade e é para se lamentar realmente.

Em 2010 você entrou em uma fogueira e deu conta do recado. Qual é o conselho dado para o substituto de Muriel?
- Era um fogo bom né (rs), que todos gostariam de entrar. O que posso dizer é fazer mais e falar menos. Acredito que no futebol tem que ser dessa maneira. Não adianta falar que é bom, ser o cara e não passar essa confiança para o treinador, para os companheiros e quando tiver a oportunidade, não corresponder. A torcida é um termômetro e quando se passa confiança, os torcedores vão juntos.

Você acredita que o Fluminense vai se livrar do rebaixamento?
- Eu confio no grupo e sei que ele vai dar conta de livrar o Fluminense dessa situação incômoda. Quem for agarrar tem que ter a confiança de todos, um tem que dar apoio ao outro e que ambos possam receber o apoio do Muriel. Esse momento é delicado para o clube e essa marca, nenhum atleta quer ter na carreira. Eu vou estar na torcida, confesso que tenho sofrido bastante com essa situação delicada.