Supercampeão de 2002: há 18 anos, São Paulo levantava taça com Oswaldo de Oliveira

Em entrevista ao L!, treinador contou clima antes da conquista e também depois, com uma sequência vitoriosa no Campeonato Brasileiro daquele ano, com dez triunfos seguidos

Lance

Lance

Lance

Há exatos 18 anos, o São Paulo comemorava a conquista do Supercampeonato Paulista de 2002, em cima do Ituano, campeão paulista. Para alguns, um título sem importância, já que foi disputado apenas naquele ano, mas para outros, o triunfo veio na hora certa, acabando com uma sequência negativa e dando mais ânimo aos jogadores.

Pouco tempo antes daquele 30 de maio, a equipe havia caído na semifinal da Copa do Brasil e viu o título do Torneio Rio-São Paulo escapar pelas mãos, ambos para o Corinthians. Com isso, o técnico Nelsinho Baptista acabou demitido e a diretoria, então, contratou Oswaldo de Oliveira. Com menos de um mês no trabalho, ele levantou a taça.

- O time estava realmente abalado com a sequência de derrotas, um acúmulo muito grande de críticas e nós tínhamos pouco tempo para jogar aquela Supercopa. Nós não tínhamos o Rogério Ceni, o Kaká e o Belletti, que haviam ido com a Seleção para a Copa do Mundo, eles só voltaram depois, quando a competição já tinha acabado – iniciou ao LANCE!.

Supercampeonato Paulista

Supercampeonato Paulista

Lance

Título foi conquistado em 2002 (Rubens Chiri/São Paulo)

- Todo mundo estava muito abatido, a torcida estava muito nervosa, mas eu percebi que, no fundo, eles tinham uma vontade muito grande de reabilitação. Alguns jogadores que não estavam tendo muitas oportunidades, eu procurei reforçar e acabou dando no que deu. Os jogadores jogaram muito bem, ganhamos do Palmeiras e depois jogamos bem as duas partidas finais contra o Ituano. Foram bons jogos e o time se reequilibrou muito bem.

No primeiro jogo da final, que aconteceu em Itu, os times empataram por 2 a 2, com gols feitos por Reinaldo e Júlio Baptista pelo lado tricolor. No jogo da volta, no estádio do Morumbi e sem a presença de uma série de jogadores importantes, seja por contusão, suspensão ou convocação para a Copa, a equipe entrou em campo e fez a lição de casa, aplicando uma goleada por 4 a 1, com gols de Adriano (dois), Reinaldo e Sandro Hiroshi. Oliveira relembrou um fato de bastante importância para aquela conquista: o ‘fechamento’ do grupo.

- Eu me lembro que Adriano, Lúcio Flávio, Júlio Baptista, Gustavo Nery, Maldonado, Simplício... Esses caras estavam com muita vontade de dar a volta por cima e procuraram rapidamente aceitar aquilo que eu estava colocando e, o mais importante, contagiavam o grupo. Todos os dias fazíamos reuniões no treinamento sempre buscando encontrar uma maneira de fazer o time mais forte. Ainda não tínhamos o Luís Fabiano, que estava voltando, mas que naquela competição não estava reintegrado ainda.

jornal

jornal

Lance

Capa do LANCE! de 30 de maio de 2002 (Reprodução)

Depois daquela conquista, o técnico ainda alcançou outro feito, que ainda não foi quebrado por outro clube desde então: foram dez vitórias consecutivas no Campeonato Brasileiro, um recorde que só não é maior que o do Guarani, de 1978, com 11 triunfos.

- Apesar de muitos jogos, era uma tarefa difícil, porque os jogos se acumularam, ficou tudo muito comprimido (por causa da Copa). Foi difícil, eram muitas viagens, não só para o São Paulo, mas as outras equipes tiveram uma trajetória dificultada por conta disso, a inserção da Copa no calendário. Tanto que essas dez vitórias foram exatamente os últimos dez jogos da fase eliminatória, vamos dizer assim. Começou no Maracanã contra o Flamengo, em uma vitória por 3 a 2, e terminou no Caio Martins contra o Botafogo, na última rodada. Já naquele final, nós conseguimos um equilíbrio e fazer essa sequência muito boa – finalizou.

Antes de ir para o Tricolor, o técnico havia iniciado sua carreira no rival Corinthians, em 1999, depois passou por Vasco e Fluminense. Posteriormente, dirigiu inúmeros clubes, dentro e fora do Brasil, com diversos títulos conquistados.

*Sob supervisão de Vinicius Perazzini.