Gilberto rebate fala de Jesus, pede respeito ao Flu e diz: 'Quem sair inteiro fisicamente é privilegiado'

Jogador afirma que favoritismo continua com o Flamengo, mas critica menosprezo ao Flu antes de finais da Taça Rio e do Carioca

Lance

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A final da Taça Rio vencida pelo Fluminense nos pênaltis foi marcada também por provocações entre os dois times. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira no CT Carlos Castilho, o lateral-direito Gilberto afirmou que tudo fez parte do normal do futebol, mas criticou o menosprezo de algumas pessoas de fora com a equipe de Odair Hellmann. Para ele, é preciso ter mais respeito com a história do clube das Laranjeiras.

- Provocação faz parte do futebol, é normal, os dois times querem ganhar. A essência da vida é a humildade, se não passar disso pode falar o que quiser, pois estou focado no jogo e não ligo. Mas foi tudo do futebol mesmo. O menosprezo que falo é porque recebi mensagens e vídeos de pessoas dizendo que teríamos sorte se perdêssemos de pouco. O Fluminense tem uma história linda, quem duvida que possa ganhar qualquer jogo deve ter nascido depois de 2009. Um time com 99% de chance de ser rebaixado fazer o que fez é uma bela história. Esse jogo também será lembrado pelo pouco tempo de treinos, discussões e brigas externas - comentou.

Após a partida, o técnico do Flamengo, Jorge Jesus, afirmou que o Fluminense "jogou para perder de pouco". Gilberto rebateu a declaração do português e exaltou a partida feita pelo tricolor.

- Discordo do Jorge Jesus, temos que respeitar o trabalho do Odair. Apesar de ser novo, é inteligente e dedicado. Mesmo com o pouco tempo, treinamos bastante e conversamos muito. Os jogadores de frente se dedicaram na marcação e tivemos chances na frente. Acho que entramos para vencer, como um clássico, e conseguimos o título - disse o lateral, que ainda voltou a colocar o favoritismo do lado rubro-negro.

- Eu manteria o favoritismo do lado deles, mas com mais respeito. O Flamengo ganhou a Taça Guanabara e nós a Taça Rio. Continua favorito pelo que construíram, mas com respeito. No físico, o jogador que terminar o campeonato sem lesão muscular é privilegiado. Viajamos para Saquarema, jogamos jogos difíceis contra times de menor investimento, mas que dão trabalho. São três jogos grandes que mexem também com a parte psicológica. Quem sair inteiro fisicamente é privilegiado - avaliou.

O Campeonato Carioca tem sido marcado por diversas indefinições fora de campo. As discussões começaram com a incerteza sobre o retorno dos jogos e passaram por transmissões de partidas, locais e datas. Gilberto lamentou a "falta de organização" da competição, mas garantiu o foco com as partidas.

- Sou nascido aqui no Rio de Janeiro e gosto do Campeonato Carioca. Ficamos tristes com a falta de organização, com tudo que aconteceu. Um quer uma coisa, outro quer outra e não se respeita a decisão que o clube toma. Fica desorganizado. Fico triste por isso. Temos que estar focados em campo e deixar que as pessoas tomem as decisões fora dele. O sentimento desses jogos, quando entrei em campo, era dúvida. Será que estamos fazendo o certo, que só o Rio de Janeiro está certo de voltar os jogos na pandemia - disse.

Gilberto foi uma das milhares de pessoas que perdeu um parente para o novo coronavírus. Em maio, ele fez uma postagem nas redes sociais em homenagem ao tio, que faleceu durante a pandemia. O lateral dedicou o título a ele e comemorou a marca de 100 jogos com a camisa do Fluminense.

- Perdi meu tio na pandemia. Ele era muito querido da família, dedico também a ele o título e o gol. Acredito em Deus e que agora ele vai estar em um lugar especial e está olhando para nós -lembrou.

- Foi uma marca importante na carreira, completar 100 jogos não é fácil. Ficar tanto tempo em um clube. O Fluminense se tornou minha casa. Nunca deixo de expressar a gratidão pelo Botafogo, pois fui criado ali, mas o Flu é a minha casa. Estou feliz aqui, feliz de conquistar o título e ter feito o gol. Temos que ter a cabeça no lugar - completou.