'Ficamos sem a companhia de Dener e fazia muita falta', revela Campello, presidente do Vasco

Atual mandatário do clube era médico do Cruz-Maltino em 1994, ano em que o ídolo da Portuguesa faleceu. Ele revelou o clima nos bastidores e explicou a asfixia da promessa

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Atualmente na presidência do Vasco, Alexandre Campello era membro da comissão médica do clube em 1994 e viveu intensamente a madrugada do dia 19 de abril daquele ano. A morte do atacante Dener em um acidente de carro no Rio de Janeiro abalou o Cruz-Maltino e o futebol brasileiro. O presidente relembrou os bastidores daquela semana e dimensionou a chegada de Dener ao Vasco com a de outro camisa 10.

Formado em medicina, Campello tem a sua história na profissão ligada ao Vasco. Desde de cedo dentro do clube, em 1994, ano da morte do atacante da Portuguesa emprestado ao Cruz-Maltino, o atual mandatário do clube contou ao LANCE! como foi a manhã em que foi descoberto o acidente automobilístico que vitimou a promessa.

- Lembro que estava em casa, ainda dormindo, quando recebi um telefonema falando sobre o acidente. Corri para a Lagoa e, entre o pessoal do Vasco, fui um dos primeiros a chegar ao local. Aí foi aquele baque ver que o Dener tinha falecido daquela maneira tão trágica. Era um menino bom, muito novo (23 anos), cheio de sonhos - afirmou Alexandre Campello, que desabafou:

- Foi um dia difícil, bem difícil. Aliás, não só esse dia, mas os outros que vieram a seguir. De uma hora para outra, ficamos sem a companhia do Dener no dia a dia, fazia muita falta.

Dener - Vasco x Fluminense

Dener - Vasco x Fluminense

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Dener com a camisa do Vasco, em 1994 (Reprodução)

Para muitos torcedores, mesmo precoce, Dener era um craque. A melhor comparação para explicar o tamanho do eterno camisa 10 da Portuguesa, segundo Campello, é recorrer para outro astro do futebol. Ele se mostrou orgulhoso ao lembrar da promessa brilhando em São Januário.

- Seria, por exemplo, se o Neymar, lá em 2009, 2010, fosse emprestado pelo Santos para o Vasco. Ou o Robinho, também no início de carreira. Me recordo desses dois por causa do estilo de jogo. Dener foi um jogador extremamente irreverente, driblador, como quase não existe mais hoje em dia. É o tipo de contratação que enche o torcedor de orgulho, de autoestima.

Alexandre Campello

Alexandre Campello

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Campello foi médico do Vasco e agora é presidente do clube (Foto: Luiza Sá)

Embora a tragédia esteja completando 26 anos, muitos torcedores ainda não entendem como foi a morte do jogador. Ao retornar de São Paulo na madrugada, o carro onde Dener bateu em uma árvore na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Deitado no banco do carona, ele estava com o cinto de segurança na altura do pescoço no momento da colisão.

- Esse trauma no pescoço fraturou um ossinho no gogó, o osso hioide, e esse sangramento abundante acabou provocando uma espécie de asfixia, tamponando o pulmão do Dener - explicou ele.

Alexandre Campello ainda relembrou os momentos do jovem atacante com a camisa alvinegra. Para o presidente do clube, um amistoso entre Vasco e o Newell’s Old Boys, em 1994, dá a dimensão do que foi Dener.

- Ele pegou a bola pela direita e entortou um monte de jogador adversário, só parando no goleiro. O Maradona, que na época jogava pelo Newell’s, foi lá no vestiário depois do jogo para cumprimentá-lo, só para você ter uma ideia. Acho até que o Dener não teria vida tão longa assim no Vasco, porque na época ele estava emprestado e dizia-se que ele tinha uma venda encaminhada para o Stuttgart, da Alemanha.

Vale recordar que, naquele ano, o time da Colina foi campeão do Campeonato Carioca. No entanto, Campello pondera que o time seria vitorioso de maneira invicta se não fosse o acidente automobilístico. A única partida onde o Vasco foi derrotado foi no clássico contra o Flamengo, que terminou em 2 a 1, jogo seguinte à morte de Dener.

*sob supervisão de Tadeu Rocha