Lance Especialistas defendem exame toxicológico de larga escala para detectar casos de doping

Especialistas defendem exame toxicológico de larga escala para detectar casos de doping

Método consiste em análise de fio de cabelo ou pelos e pode identificar substâncias proibidas pela Wada

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Em meio a casos de doping no esporte mundial como o da patinadora russa Kamila Valieva, de 15 anos, que testou positivo para trimetazidina antes das Olimpíadas de Inverno de Pequim, especialistas brasileiros defendem a adoção do exame toxicológico de larga escala para detectar substâncias proibidas no esporte.

- O ideal seria implementar o exame toxicológico de larga janela, feito somente com a análise de um fio de cabelo ou pelo que inclusive é usado para detectar o uso de drogas em motoristas que possuem CNH C, D e E em todo o Brasil, diminuindo o número de acidentes e comprovando que é muito mais eficaz do que os outros métodos - diz Renato Borges Dias, presidente da ABTox, Associação Brasileira de Toxicologia.

No caso de Valieva, a agência russa decidiu suspendê-la provisoriamente, mas voltou atrás depois de uma apelação da atleta, pelo fato de ela ser menor de idade. Isso permitiu a atleta competir em Pequim.

No Brasil, casos de doping são frequentes. A jogadora de vôlei Bruninha, do Fluminense, foi flagrada em fevereiro com as substâncias Oxandrola e Clebuterol, e pegou três anos de suspensão.

Em agosto do ano passado, a campeã olímpica Tandara foi suspensa preventivamente durante os Jogos de Tóquio após testar positivo para ostarina, da classe dos anabolizantes.

Outro caso recente que levou a Agência Mundial de Antidoping (Wada) a se pronunciar foi no ciclismo. A entidade afirmou em fevereiro que vai investigar os efeitos da droga Tizanidine, usada em atletas do Tour de France, em 2021. A substância não é proibida atualmente, mas despertou o alerta da entidade devido ao número de casos.

- O doping está definido pela presença de substâncias proibidas (drogas ou fármacos que incrementam o rendimento de um atleta) e de seus metabólitos ou marcadores em uma amostra, normalmente feita com sangue ou urina, de um atleta. Por isso, o exame de larga janela seria o ideal para detectar o possível uso de substâncias proibidas para melhora do desempenho esportivo - avalia José Martins, presidente dos laboratórios Labet e praticante de ciclismo.

A adoção do exame toxicológico de larga janela de detecção, que identifica a presença de substâncias psicoativas que se depositam nos fios de cabelo ou pelos por um período mínimo de 90 dias até seis meses, permitindo a avaliação de hábitos de consumo dessas substâncias pelo doador.

- A dopagem representa risco para quem a utiliza, pois, a escolha da substância é feita de acordo com o que o atleta, hipoteticamente, acredita que poderá favorecer o seu rendimento em um determinado esporte. Sem contar que se trata de algo completamente antiético - completa Martins.

O exame toxicológico de larga escala é utilizado por ligas de rúgbi na Austrália e Irlanda.

Atualmente, a agência Mundial Antidoping (WADA) organiza uma lista com as classes de substâncias e métodos que apresentam como característica, pelo menos, dois dos três seguintes critérios: possibilidade de aumento no desempenho, risco à saúde e violação do espírito esportivo.

Na lista de drogas proibidas, estão: agentes anabólicos, hormônios e outras substâncias relacionadas, agonista Beta-2 adrenérgico, agentes com atividade antiestrogênica, diuréticos e outros agentes mascarantes, estimulantes, narcóticos, canabinóides e glicocorticóides.

A Wada afirma que o controle antidoping deve ocorrer durante o período das competições e entre os eventos esportivos seja durante o treinamento, na casa do atleta ou próximo à competição. Hoje em dia, os exames são divididos em três etapas: coleta da amostra, screening e confirmação do resultado, sendo efetuados em amostra de urina, sangue ou ambos.

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