Lance Brasileiro artilheiro na Ásia fala da evolução da Coreia do Sul e faz alerta para a Seleção de Tite

Brasileiro artilheiro na Ásia fala da evolução da Coreia do Sul e faz alerta para a Seleção de Tite

Júnior Negão jogou no futebol coreano por quatro temporadas

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O Brasil enfrenta, nesta segunda-feira, a Coreia do Sul pela primeira vez na história das Copas, em duelo das oitavas de final. O adversário é inédito no caminho da Seleção, mas para um brasileiro, a Coreia é a "segunda casa", e a boa fase da equipe no Qatar não é surpresa. Ao LANCE!, o atacante Júnior Negão, que jogou no país asiático por quatro anos, fala sobre a chegada dos coreanos nesta fase do Mundial.

- Não me surpreende essa campanha. É absurda a evolução do futebol sul-coreano. Prova disso é o histórico nas últimas Copas, como ela tem sido competitiva com seleções campeãs. Acho que a Coreia do Sul tem potencial de ir mais longe, mas é Brasil, né? Infelizmente a Coreia está pegando uma pedreira e acho que vai ficar pelo caminho - disse o baiano, de 35 anos.

Atualmente na China, o jogador tem passagens por Corinthians, Atlético MG, Figueirense, futebol português, suíço, belga, entre outros clubes, até chegar na Coreia do Sul, em 2017. Conhecedor do futebol local, Júnior Negão dá o alerta para a Seleção de Tite e aponta três jogadores que podem dar trabalho para o Brasil na partida.

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- Além do Son, que não precisa falar nada, tem dois caras que gosto muito e acho que eles têm qualidade acima da média. O número 10, Jae-sung, que joga na Bundesliga, e o Ju-ho, que joga na China. São dois caras com qualidade muito boa e experiência fora da Coreia. Isso geralmente ajuda. Esses dois, além do Son, óbvio, podem trazer perigo para o Brasil.

Coreia do Sul - Son

Coreia do Sul - Son

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Son, do Tottenham, é o destaque da Coreia nesta Copa (Foto: Jung Yeon-je / AFP)

O atacante, que na última temporada foi artilheiro da Superliga Chinesa pelo Changchun Yatai, conta que os sul-coreanos têm muita determinação e confiança, mas que veem os jogadores da Seleção Brasileira como ídolos e que isso pode atrapalhar no jogo deles.

- Converso com alguns deles durante a Copa, mas o que eu sinto deles em relação ao Brasil é que eles ainda olham os nossos jogadores como ídolos e talvez isso possa atrapalhar um pouco. Essa admiração que eles têm pelos jogadores brasileiros, de ficar olhando, admirando, isso pode ser um pouco prejudicial para a Coreia do Sul. Mas em termos de determinação, de confiança que eles estão, acho que possuem realmente chances de ir adiante, mas o Brasil tem total favoritismo para passar para a próxima fase.

Brasil x Coreia do Sul - Heung-min Son e Richarlison

Brasil x Coreia do Sul - Heung-min Son e Richarlison

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Coreia e Brasil se enfrentam pelas oitavas (Foto: GIUSEPPE CACACE / AFP)

O histórico no país asiático dá a Júnior Negão a propriedade em falar sobre a evolução do esporte no país. Para o atacante brasileiro, os coreanos estão no caminho certo para crescer ainda mais no cenário mundial.

- Depois de 2002 (quando os coreanos terminaram a Copa, em casa, em quarto lugar), a Coreia do Sul passou por uma reestruturação muito considerável, e o futebol leva tempo. Hoje, a base do futebol coreano está muito mais estruturada. A prova disso é a quantidade de jogadores que a Coreia exporta para Europa, para outros países da Ásia. Os frutos estão começando a aparecer. A Coreia do Sul tem condições de ir ganhando seu espaço em nível mundial, ir passando para próximas fases, cada vez indo mais longe em Copas do Mundo. Em nível de Ásia, está entre o top 3 com certeza. Eles são merecedores demais e com uma equipe ainda muito jovem. Eu vejo um horizonte muito bom para o futebol sul-coreano - projeta o jogador.

Coréia do Sul x Portugal

Coréia do Sul x Portugal

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Coréia do Sul se classificou para as oitavas depois de 12 anos (Foto: JUNG Yeon-je / AFP)

Em 2020, Júnior Negão travou com Lewandowski uma disputa pelo posto de maior artilheiro do futebol mundial. Mesmo com os gols e as marcas conquistadas no exterior, Negão tem consciência da dificuldade em conseguir uma baga na Seleção Brasileira e citou nomes importantes que poderiam estar no Mundial, mas acabaram preteridos por Tite.

- Eu parto do princípio que todo jogador deve almejar a Seleção Brasileira, comigo não é diferente. Óbvio que eu sempre vou almejar defender o Brasil. Apesar de 2020 ter sido pra mim um ano maravilhoso, eu não pensei em Seleção, pois sei como é a competitividade e o nível de estar lá. Não é simplesmente um ano, seis meses bons, maravilhosos para te levar à Seleção. Entendo a competição que é pra estar lá. A prova disso foi agora, na lista para a Copa do Mundo, nomes como Gabigol e Firmino ficarem de fora. Eu poderia citar vários outros jogadores com qualidades extraordinárias que poderiam ser convocados. Almejar eu sempre vou, mas precisa de uma sequência de anos em alto nível pra chegar na Seleção brasileira.

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Por fim, o jogador, que foi artilheiro da K League em três anos consecutivos e campeão asiático pelo Ulsan Hyundai em 2020, projeta a partida da Coreia com o Brasil.

- Eu acho que não vai mudar muito o estilo de jogo da Coreia. É o estilo que fez com que ela chegasse até as oitavas. Acho que ela vai continuar sendo muito forte defensivamente como tem sido e explorando ali a qualidade do Son, do Jae-Sung. Acho que a Coreia vai continuar mantendo essa postura, que já é a característica. Ser aguerrida, lutar até o fim, de explorar mesmo a parte física, para tentar fazer o gol. Acho que com o Brasil não vai ser diferente, apesar de eu estar torcendo para que eles não tenham sucesso nesse esquema. Acho que o Brasil vai ter um pouco de dificuldade, mas vai conseguir passar - concluiu Negão.

Coreia x Gana

Coreia x Gana

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Coreanos se classificaram em segundo no Grupo H (Foto:JUNG Yeon-je / AFP)

O Brasil avançou em primeiro no Grupo G, com seis pontos, sendo duas vitórias contra Suíça e Sérvia. Já os coreanos passaram em segundo no Grupo H, com quatro pontos: um empate contra o Uruguai e uma vitória de virada contra Portugal. As seleções se enfrentam nesta segunda-feira, às 16h (de Brasília), na luta por uma vaga nas quartas.

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