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BRASILEIRO 2022

Web reage a boicote da Uefa às competições da Fifa: ‘Agora o hexa vem’

Seleção brasileira foi eliminada por equipes do continente em todas as Copas desde 2006

Futebol|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Uefa decidiu boicotar competições da Fifa se a entidade vender participações a investidores externos.
  • Torcedores brasileiros reagiram com humor, imaginando um caminho mais fácil para o Brasil conquistar o hexacampeonato sem seleções europeias na Copa.
  • Nas últimas edições, o Brasil foi eliminado por seleções europeias, aumentando a confiança dos torcedores na ausência dessas equipes.
  • A Uefa e suas federações rejeitam a proposta da Fifa, afirmando que a Copa do Mundo não deve ser tratada como um produto de investimento.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Seleção da Espanha conquistou bicampeonato na Copa de 2026 Reprodução/Fifa

A decisão da Uefa de boicotar competições da Fifa caso a entidade avance com um plano de vender participações a investidores externos em uma subsidiária que administrará os torneios repercutiu entre torcedores brasileiros. Nas redes sociais, a possibilidade de as seleções europeias ficarem fora da Copa do Mundo virou motivo para memes e, principalmente, para brincadeiras sobre um possível caminho mais fácil para o Brasil conquistar o seu sexto título.

“Copa do mundo sem seleção europeia, o hexa vem”, publicou um internauta. Em outra postagem, um torcedor demonstrou que a confiança poderia aumentar ainda mais caso outras regiões também aderissem ao movimento: “Se o continente africano aderir o boicote, já começo a ficar mais esperançoso”.


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O otimismo dos memes tem uma explicação. Nas últimas quatro edições do Mundial, a seleção brasileira foi eliminada por adversários europeus. Em 2006, o Brasil chegou à Copa da Alemanha como um dos grandes favoritos, com o chamado “quadrado mágico” formado por Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano. Apesar do elenco estrelado, a equipe teve atuações abaixo das expectativas e foi eliminada nas quartas de final pela França, por 1 a 0, em uma partida dominada pelos franceses.

Quatro anos depois, na África do Sul, a seleção comandada por Dunga avançou em primeiro lugar no grupo. Nas quartas de final, no entanto, foi eliminada por 2 a 1 contra a Holanda.


Em 2014, a Alemanha aplicou a histórica goleada por 7 a 1 na semifinal, no Mineirão. Em 2018, a Bélgica venceu o Brasil por 2 a 1 nas quartas de final. Já em 2022, foi a vez da Croácia eliminar a equipe brasileira, nos pênaltis, depois de um empate por 1 a 1 na prorrogação.

No Mundial deste ano, o Brasil voltou a ser eliminado após perder nas oitavas de final para a Noruega, pelo placar de 2 a 1.


Confira os memes nas redes sociais:


Entenda o boicote

As 55 federações nacionais filiadas à Uefa votaram contra o projeto da Fifa por considerarem que a Copa do Mundo não pode ser transformada em um ativo de investimento.


A entidade teme que a entrada de capital privado faça com que decisões sobre calendário, formatos e competições passem a atender aos interesses financeiros dos investidores.

A entidade destaca ainda que suas seleções não disputarão competições da Fifa enquanto o projeto estiver mantido e exigiu que a proposta seja abandonada.

Veja a carta da Uefa sobre a decisão:

A UEFA e as suas 55 federações-membro mantêm-se unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na Copa do Mundo e noutras competições da FIFA para investidores privados.

A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos maiores legados desportivos do futebol. Foi construída ao longo de várias gerações por jogadores, seleções nacionais e adeptos de todos os continentes. Nenhuma parte dele deve, jamais, ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.

É simultaneamente irresponsável e indefensável que uma proposta de tal importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com aqueles a quem foi confiada a gestão do desporto. Isto não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma renúncia ao dever da FIFA enquanto guardiã do futebol mundial.

As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições de futebol ou arcar com as consequências. Não se trata de uma “decisão democrática”, mas sim de uma governação baseada na intimidação — um ato de coação indigno de uma instituição a quem foi confiada a gestão do futebol mundial.

Mas a nossa oposição vai muito além do processo.

No momento em que os investidores externos adquirem participações nas competições da FIFA, o futebol muda para sempre. O retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores transformam-se numa pressão diária. A partir desse momento, todas as decisões relativas ao calendário internacional, aos formatos das competições e ao futuro do futebol deixam de ser orientadas pelo que melhor serve o desporto, passando a ser orientadas pelo que melhor serve aos acionistas.

Este modelo não tem lugar no futebol mundial. O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cujo principal dever é maximizar o retorno financeiro. Nem os interesses das federações nacionais, das ligas, dos clubes, dos jogadores e dos adeptos podem ficar subordinados aos retornos dos investidores. O futebol não pode hipotecar o seu futuro em troca de ganhos financeiros.

A posição da Europa é clara. Nunca conferiremos legitimidade a este modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que apenas detém como herança para a próxima geração.

Na sequência do debate de hoje, nenhuma seleção nacional da UEFA participará em qualquer competição da FIFA enquanto estas propostas se mantiverem em vigor, a menos que esta proposta tenha sido totalmente abandonada e tenham sido dadas garantias vinculativas de que a FIFA nunca mais abrirá a sua governação ou as suas competições à propriedade privada.

Que fique bem claro para todos: a UEFA e as suas federações nacionais irão opor-se a estes planos com determinação absoluta.

Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a comprometer-se. Este é um desses momentos.

Há coisas que são simplesmente demasiado importantes para serem vendidas. A Copa do Mundo pertence ao futebol. E assim será sempre. E enquanto a Europa tiver uma palavra a dizer, nunca estará à venda.

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