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Em carta, Infantino rebate críticas à Fifa: ‘Ódio e boatos falsos’

Dirigente exalta competição e critica quem fica “atrás das telas”

Lance|Do R7

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Gianni Infantino e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparecem ao lado da taça da Copa do Mundo Mark J Rebilas/Reuters - 19.07.2026

O presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado), Gianni Infantino, publicou uma carta aberta defendendo a Copa do Mundo e algumas das decisões controversas que envolveram a competição que encerrou na semana passada. No texto, o dirigente critica “aqueles que estão atrás de suas canetas e papéis, atrás de suas telas, espalhando ódio e boatos falsos” e afirma que “cartões vermelhos ou amarelos potencialmente equivocados ou decisões subsequentes de não suspender jogadores em certas situações são rotineiros e amplamente aceitos”, numa clara alusão à decisão da Fifa de anular a suspensão de Folarin Balogun durante o torneio, medida muito criticada mundo afora.

“A todos que sentiram falta do nosso lindo esporte, das emoções, das comemorações, das risadas, das lágrimas, das decepções e da alegria. A todos vocês que perderam a oportunidade de ver crianças, bebês, avós e pais se unindo pelo futebol, peço desculpas pelo fim das partidas e por terem perdido toda essa alegria e união. Peço desculpas por terem sido consumidos pelo ódio e pelas críticas a ponto de perderem tudo isso”, iniciou Infantino.


Na sequência, o presidente da Fifa reitera as críticas a quem estaria “espalhando ódio e boatos falsos”. Em nenhum momento do texto de mais de 20 parágrafos, porém, ele faz alguma referência direta sobre quem seriam essas pessoas ou entidades.

“Para aqueles que estão atrás de suas canetas e papéis, atrás de suas telas, espalhando ódio e boatos falsos, quero dizer que, enquanto vocês estão aí sentados, nós da FIFA estamos na linha de frente organizando, trabalhando duro e oferecendo o melhor espetáculo do mundo”, escreveu Infantino.


A publicação da carta de Infantino acontece em meio a uma onda de críticas, especialmente vindas de países que integram a Uefa. O grupo se mobiliza para tentar viabilizar uma candidatura de oposição a Infantino, que comanda a Fifa há dez anos. Uma nova eleição acontecerá em março do ano que vem, e as inscrições devem ser feitas até novembro.

Confira na íntegra a carta de Gianni Infantino, presidente da Fifa

A todos que sentiram falta do nosso lindo esporte, das emoções, das comemorações, das risadas, das lágrimas, das decepções e da alegria. A todos vocês que perderam a oportunidade de ver crianças, bebês, avós e pais se unindo pelo futebol, peço desculpas pelo fim das partidas e por terem perdido toda essa alegria e união. Peço desculpas por terem sido consumidos pelo ódio e pelas críticas a ponto de perderem tudo isso.


Para aqueles que estão atrás de suas canetas e papéis, atrás de suas telas, espalhando ódio e boatos falsos, quero dizer que, enquanto vocês estão aí sentados, nós da FIFA estamos na linha de frente organizando, trabalhando duro e oferecendo o melhor espetáculo do mundo.

Enquanto vocês se escondem, nós estamos explorando as ruas do Canadá, México e Estados Unidos, conversando com fãs, interagindo com as pessoas e garantindo a segurança de todos.


Enquanto vocês dividem, nós unimos.

As pessoas se uniram como famílias, como fãs, como uma só.

Não vivenciamos violência, nenhum incidente, 100% de segurança, apenas alegria e felicidade!

Sete milhões de pessoas de mais de 200 países desfrutaram do torneio em 16 cidades e estádios fantásticos: zero incidentes, zero hostilidade, zero violência, apenas alegria, emoção, felicidade, união e espírito de equipe. Todos estavam seguros, protegidos e felizes.

Bilhões de pessoas em todo o mundo assistiram à Copa do Mundo da FIFA™ de casa, compartilhando momentos de amor pelo jogo com amigos e familiares, momentos repletos de alegria, emoções, felicidade, união e companheirismo.

Praticamente todas as celebridades globais da música, do cinema, do entretenimento e do esporte compareceram, aproveitando o evento e interagindo com os fãs e conosco. Estavam todos alegres e felizes.

Tudo isso foi possível graças aos governos dos três países anfitriões e suas enormes contribuições, graças à FIFA e sua fantástica equipe que trabalha para vocês, graças aos países anfitriões e a todos os seus cidadãos, às forças policiais e seu incrível comprometimento, e aos voluntários – ah, os voluntários, essas pessoas incríveis que vieram de todo o mundo para fazer parte do maior evento da Terra.

Todas as cidades estavam lotadas de fãs vindos de todos os cantos do mundo. Enquanto eles comemoravam, você estava ocupado semeando ódio.

Nosso mundo precisa de amor, não de ódio; de tolerância, não de divisão; de celebração, não de luto.

Enquanto vocês espalhavam ódio, nós trabalhávamos incansavelmente para unir dois países em guerra. O Irã entrou nos Estados Unidos sem incidentes ou conflitos. Quando a seleção iraniana começou a jogar, todos os cânticos contra eles se transformaram em uma única canção. Os torcedores se tornaram o país, se tornaram o time e apoiaram a Seleção Iraniana. Esse é o poder do futebol. A seleção iraniana recebeu vistos para entrar porque o futebol é sobre paz. Não é sobre política. O futebol é sobre união, não divisão. O futebol é maior que o ódio e a discriminação.

Países que enfrentam sérios problemas de saúde ou outros desafios receberam vistos. Suas equipes competindo e seus torcedores vibrando encheram milhões de pessoas em seus países de esperança e, ainda que por um instante que valeu a eternidade, de alegria e orgulho.

Você mencionou as poucas pessoas que tiveram seus vistos negados e ignorou os milhões que foram aprovados, vindos de todas as partes do mundo. Porque o futebol une o mundo, e isso ficou demonstrado de forma impressionante neste verão.

Ou quando o futebol trouxe o Haiti para o mundo, um país que muitos não podem ou optam por não visitar, talvez seja hora de deixar de lado canetas e teclados e mostrar respeito aos times que jogaram com garra, que competiram com determinação, aos países que contribuíram, aos torcedores que viajaram e às crianças de todos os lugares que sonham alto. Talvez seja hora de demonstrar um pouco de amor.

Sua insatisfação com algumas decisões tomadas pelas autoridades competentes é compreensível, mas, por favor, consulte os registros públicos: tais decisões são comuns em algumas das ligas mais importantes.

De fato, decisões “questionáveis” de árbitros ou julgamentos disciplinares “estranhos”, como por exemplo, cartões vermelhos ou amarelos potencialmente equivocados ou decisões subsequentes de não suspender jogadores em certas situações, são rotineiros e amplamente aceitos em algumas das maiores ligas do mundo.

É curioso que os mesmos países que adotam essas práticas sejam os que as criticam.

Esta Copa do Mundo da FIFA celebrou a humanidade em sua melhor forma. Vimos seleções de pequenas nações competirem com orgulho nas partidas mais prestigiosas. Elas demonstraram confiança, profissionalismo e trouxeram orgulho para seus países. Mais importante ainda, deram esperança; a esperança de que qualquer pessoa pode fazer parte do mundo, ser grande no futebol, independentemente de sua origem. Somos todos iguais: torcedores, jogadores e simplesmente seres humanos.

Na FIFA, não poderíamos estar mais orgulhosos ou emocionados ao testemunhar esses momentos de amor, alegria e união.

Para aqueles que gastam seu tempo e energia nos odiando, por favor, reservem um momento para refletir, meditar, orar ou assistir a uma partida de futebol e observar atentamente os rostos, os olhos, as emoções.

Porque só o nosso belo jogo consegue proporcionar um espetáculo tão extraordinário, um espetáculo onde todos se tornam um só e se reconectam como seres humanos.

Às canetas e aos papéis, a todas as telas, que vocês encontrem amor e paz onde as pessoas atrás de vocês não conseguiram.

Que você encontre a paz; nós da FIFA encontramos a nossa e a proporcionamos, realizando a Copa do Mundo da FIFA mais extraordinária de todas. Que o futebol se eleve acima de todo o ódio.

Finalmente, como Presidente da FIFA, estou incrivelmente orgulhoso de ter contribuído, mesmo que minimamente, para este evento. É uma sensação fantástica!

Com muito carinho para todos.

Gianni Infantino

Presidente da FIFA

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