Vini Jr: relembre outras vezes em que o atacante do Real Madrid e seleção foi vítima de racismo
Após marcar um golaço que deu a vitória aos merengues sobre o Benfica, o jogador denunciou ter sido chamado de “macaco”
Futebol|Do R7
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O atacante Vinícius Jr. denunciou, mais uma vez, ter sido vítima de ataques racistas. O episódio aconteceu na última terça-feira (17), na vitória por 1 a 0 do Real Madrid sobre o Benfica, pelo jogo de ida dos playoffs da Champions League. Após marcar um golaço em chute colocado, dançar na comemoração e ser advertido com cartão amarelo, o brasileiro relatou ter sido chamado de “macaco” por Gianluca Prestianni, jogador argentino do time português.
O árbitro acionou o protocolo antirracismo e o jogo ficou paralisado por cerca de dez minutos. Após a paralisação, a partida foi reiniciada, mas Vini passou a ser vaiado pelos torcedores do Estádio da Luz a cada vez que tocava na bola. O episódio acontece justamente no dia em que Vini se isolou como o segundo brasileiro com mais gols na história da Champions, ao chegar a 31 bolas na rede e superar Kaká. À frente dele, apenas Neymar, com 42.
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O primeiro caso de grande repercussão aconteceu em outubro daquele ano, após clássico contra o Barcelona, no Camp Nou. Substituído, Vini ouviu insultos vindos das arquibancadas e respondeu apontando para o placar. A denúncia foi encaminhada às autoridades locais.
Baila, Vini
No entanto, foi em setembro de 2022 que as denúncias ganharam outra dimensão. Antes de um dérbi contra o Atlético de Madrid, um comentarista de TV da Espanha disse que o brasileiro deveria “parar de fazer macaquices” ao falar sobre suas danças nas comemorações. A frase gerou indignação e deu origem ao movimento “Baila, Vini”, com apoio de jogadores, artistas e clubes ao redor do mundo.
No clássico, mesmo sob clima hostil, Vinicius comemorou com passos de dança o gol de Rodrygo, transformando o gesto em símbolo de resistência. Meses depois, em janeiro de 2023, veio uma das cenas mais chocantes: torcedores do Atlético penduraram um boneco com a camisa de Vinicius em uma ponte de Madri, simulando um enforcamento, horas antes de um clássico pela Copa do Rei. 7
A imagem correu o mundo e foi amplamente condenada por clubes, federação e LaLiga, que prometeram “sanções severas”. O atacante atuou normalmente na partida, mas o episódio marcou um dos pontos mais graves da escalada de ódio.
Em diferentes estádios espanhóis, os registros se repetiram. Contra Mallorca, torcedores fizeram sons de macaco e gritaram para que o jogador “pegasse bananas”. Diante do Valladolid, presidido por Ronaldo na época, novas ofensas levaram Vini a cobrar publicamente uma postura mais firme da LaLiga. Em fevereiro de 2023, um torcedor do Mallorca foi identificado, banido por um ano dos estádios e multado, uma das raras punições efetivas.
O episódio em Valência
O caso mais emblemático ocorreu em maio de 2023, no Mestalla, contra o Valencia. Vinicius apontou torcedores que o insultavam, o jogo foi interrompido e o brasileiro acabou expulso após confusão. Indignado com o vermelho, Vini se recusou a sair de campo e, segundo ele, foi chamado de “macaco” a plenos pulmões pela grande maioria dos torcedores. O episódio provocou reações de autoridades espanholas e até do governo brasileiro.
Em março de 2024, ao retornar ao Mestalla, Vini marcou dois gols no empate por 2 a 2 e respondeu às vaias com o punho erguido e gestos em direção à torcida. No mesmo mês, antes de um jogo do Atlético pela Champions, torcedores foram filmados gritando “chimpanzé”, e o Real denunciou o caso às autoridades. Poucos dias depois, contra o Osasuna, o clube voltou a reclamar formalmente por cânticos de “morra, Vinicius” que não teriam sido registrados na súmula.
Entre denúncias, investigações e manifestações de apoio, Vinicius chegou às lágrimas em entrevista coletiva antes de um amistoso da seleção brasileira em Madri, ao admitir que tem “menos vontade de jogar” diante da repetição dos ataques racistas. Dentro de campo, segue decisivo, agora como o segundo brasileiro com mais gols na história da Champions, atrás apenas de Neymar. Fora dele, tornou-se também um dos principais rostos da luta contra o racismo no futebol europeu.














