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BRASILEIRO 2022
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Muito além da grana: Futebol árabe tem fanatismo e tradição

Pela primeira vez na história, Copa do Mundo será realizado em um país árabe, região que atua em competições da Ásia e África

Futebol|Kaique Dalapola, do R7


Torcedores do Al-Sadd em partida no estádio de Doha, no Catar
Torcedores do Al-Sadd em partida no estádio de Doha, no Catar

Pela primeira vez na história, uma Copa do Mundo será realizada em um país árabe. A edição de 2022 da maior competição de futebol vai acontecer no Catar, e isso joga luz para a região que, quando falada no Brasil, por exemplo, dificilmente se pensa em outra coisa a não ser os times multimilionários e os jogadores que vão para lá atrás, exclusivamente, de grana.

Isso é um pouco verdade, porque alguns países árabes realmente investem muito dinheiro no futebol e pagam entre os melhores salários para jogadores de futebol no planeta. O exemplo mais recente disso foi a compra, anunciada no dia 7 de outubro, do time inglês Newcastle United pelo PIF, sigla em inglês para Fundo de Investimento Público, que é ligado ao governo da Arábia Saudita. Conforme a imprensa britânica, o grupo vai colocar cerca de R$ 2 bilhões no clube da Premier League — os valores não foram divulgados de forma oficial.

No entanto, essa não é a realidade de toda a região, e o mundo árabe também não se limita apenas a investimentos no esporte na Europa. Lá, o futebol também é disputado em meio a fanatismos de multidões, e existe competitividade e tradição.

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Segundo o sírio refugiado no Brasil desde 2014 Abdulbaset Jarour explica que a região também é apaixonada por futebol e torcedores de clubes locais, como o seu time Aleppo, têm torcidas enormes, que chegam a colocar quase 100 mil pessoas no estádio para acompanhar partidas decisivas. "Temos muitas rivalidades também, e todos usam as arquibancadas para se expressar, para estravassar, e inevitavelmente se posicionar politicamente", conta o sírio.

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Para entender as disputas das equipes árabes no futebol, primeiro é necessário fazer a separação por confederações que existem. Embora tenha a Associação de Futebol da União Árabe, que organiza os campeonatos internacionais da região, os países estão sob as confederações asiática e africana. Isso porque, geograficamente, as nações ficam divididas entre esses dois continentes.

Dos 22 países da Liga Árabe, 12 disputam competições organizadas pela CAF (Confederação Africana de Futebol) e 10 jogam os torneios da AFC (Confederação Asiática de Futebol). As principais competições que fazem essa divisão da região são as Eliminatórias da Copa do Mundo, para as seleções, e a Liga dos Campeões da Ásia e Liga dos Campeões da África, para os clubes.

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Juntos, as principais competições que esses países disputam são Copa das Nações Árabes (entre as seleções) e a Liga dos Campeões Árabes (entre os clubes). Esses dois são organizados pela Associação de Futebol da União Árabe.

Árabes em Copa do Mundo

Pela primeira vez na história, a Copa do Mundo vai ser realizada em um país árabe, no Catar. Automaticamente, a participação de pelo menos uma seleção da região na principal competição mundial. E essa será a primeira vez que a seleção catariana vai disputar uma Copa, o nono país a chegar na fase de grupos da competição — outros três passaram das eliminatórias da Ásia e caíram na repescagem.

Os que mais estiveram presentes em mundiais são Arábia Saudita, Tunísia e Marrocos, que jogaram cinco Copas cada. Por coincidência, os três disputaram a último mundial, na Rússia 2018. Os tunisianos e sauditas voltaram depois de terem ficado de fora de duas edições, enquanto os marroquinos haviam jogado pela última vez a Copa na França 1998.

Além das três, o Egito foi o quarto país árabe presente na Copa do Mundo em 2018. Nenhuma das quatro, no entanto, conseguiu passar da primeira fase. A seleção egípcia acabou saindo decepcionada da competição, já que os torcedores esperavam uma campanha melhor devido à estrela Mohamed Salah, mas a equipe não conseguiu marcar nenhum ponto no grupo que tinha Uruguai, Rússia e Arábia Saudita.

Apesar de ter se esperado mais do Egito em sua terceira participação em Copa do Mundo, não existia indícios que indicassem que a seleção pudesse surpreender, se analisar o histórico em Copas. O país foi o primeiro árabe a disputar o mundial, quando jogou a segunda edição do torneio, na Itália 1934, mas foi eliminado na primeira fase, ao perder para Hungria. Na época, o sistema de disputa era diferente, e não tinha a fase de grupos.

A seleção egípcia só voltou a disputar uma Copa do Mundo em 1990, novamente na Itália, e caiu na primeira fase, sendo eliminada no grupo que tinha Inglaterra, Irlanda e Holanda, e se classificavam três. O país voltou ao mundial 28 anos depois, com a geração Salah.

Mas não é novidade para o futebol árabe cair na primeira fase da Copa do Mundo. Das três seleções que mais participaram de mundiais, a Tunísia nunca avançou para as oitavas, e Arábia Saudita e Marrocos foram para fase mata-mata apenas uma vez cada. 

A primeira vez que uma seleção árabe avançou em Copa do Mundo foi a do Marrocos, na Copa do México 1986. Os marroquinos ficaram na primeira colocação do grupo que tinha Inglaterra, Polônia e Portugal. Nas oitavas de final, acabaram eliminados após perder de 1 a 0 para a vice-campeã Alemanha Ocidental.

Duas Copas depois, nos Estados Unidos 1994, a Arábia Saudita conseguiu avançar. O grupo também teve Holanda e Bélgica classificados, e o Marrocos foi quem caiu. Os sauditas passaram na segunda colocação, atrás da Holanda, e nas oitavas de final perderam de 3 a 1 para a Suécia.

Vinte anos depois, um país árabe voltou a passar de fase na Copa do Mundo. E a seleção que conseguiu esse feito foi a Argélia, que é a que disputou mais edições depois do trio — tendo quatro participações. No Brasil 2014, os argelinos tiraram Rússia e Coreia do Sul na fase de grupos, se classificando em segundo, atrás da Bélgica. Nas oitavas, a seleção deu trabalho, e levou a partida contra a Alemanha para a prorrogação, mas acabou perdendo de 2 a 1.

Os outros países que disputaram Copa do Mundo, mas não passaram da primeira fase são: Emirados Árabes Unidos (1990), Iraque (1986) e Kuwait (1982).

Além dos países que jogaram o mundial, outros três ficaram na porta. O primeiro foi o Bahrein, em 2010, que foi eliminado na repescagem para a Nova Zelândia. Quatro anos depois, quem avançou nas eliminatórias continentais, mas caiu no jogo da classificação foi a Jordânia, eliminada pelo Uruguai. Em 2018, a Síria foi caiu diante da Austrália.

Domínio de clubes na África

No continente africano, os clubes dos países árabes têm um domínio amplo. Das 57 edições realizadas da Liga dos Campeões da África, entre 1964 e 2021, 33 foram conquistas por países árabes.

Quatro países árabes tiveram clubes conquistando o principal torneio do continente africado. O Egito é quem tem os dois maiores campeões da competição: Al-Ahly, com 10 títulos, e Zamalek, hexacampeão.

A Tunísia e o Marrocos também são multicampeões continentais, tendo seis títulos cada país, ambos com três clubes diferentes. Os campeões tunisianos são Espérance (tetracampeão), Étoile du Sahel e Club Africain (uma vez cada). Já os marroquinos que levantaram o troféu de melhores do continente são Raja Casablanca (tri), Wydad Casablanca (bi) e FAR Rabat (uma vez).

Além desses, três clubes da Argélia ganharam, juntos, cinco títulos da Liga dos Campeões Africana. Os bicampeões JS Kabylie e ES Sétif são os maiores vencedores continentais no país, e o MC Alger levantou a taça uma vez.

No total, clubes de 12 países já foram campeões do principal torneio da África. Os não-árabes que têm times com títulos são: República Democrática do Congo, Camarões, Gana, Guiné, Nigéria, África do Sul, Costa do Marfim e República do Congo.

Jogadores do Al-Ahly comemorando título do Egito junto à torcida
Jogadores do Al-Ahly comemorando título do Egito junto à torcida

Equilíbrio na Ásia

Já a disputa da Liga dos Campeões Asiáticas não tem soberania de times árabes. No continente, clubes da Coreia do Sul e Japão são os maiores vencedores. No entanto, das 39 edições realizadas desde 1967, oito foram conquistadas por árabes.

Embora nenhum clube tenha grande predomínio no continente, o Al-Hilal, da Arábia Saudita, é quem mais tem títulos da Liga dos Campeões da Ásia, com três conquistas — mesmo número de troféus que o sul-coreano Pohang Steelers.

Os outros árabes campeões asiáticos são Al-Ittihad, também saudita, e Al-Sadd, do Catar, com dois títulos cada, e Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, com um caneco.

Além dos três países árabes, o continente teve clubes de outras sete nações que conquistaram a Liga dos Campeões.

Mundiais de Clubes

O atual formato do Mundial de Clubes organizado pela Fifa, que é considerada a edição de 2000, no Brasil, e a partir de 2005 ininterruptamente, dá vagas para os campeões continentais da África e da Ásia para disputar o torneio. Fora isso, oito edições foram disputados em países árabes — quatro vezes no Emirados Árabes Unidos, duas vezes no Marrocos e duas vezes no Catar —, o que deu a chance dos campeões nacionais participarem do torneio sem a necessidade de ser campeão continental.

Na edição de 2018, o representante do país-sede, o Al Ain (Emirados Árabes Unidos), chegou à final contra o Real Madri. O mesmo aconteceu em 2013, quando o Raja Casablanca, jogando em casa, no Marrocos, chegou à final, e perdeu para o Bayern de Munique.

O domínio da região no futebol africano, consequentemente, reflete na participação na principal competição do mundo. Das 18 edições que a Liga dos Campeões Africana deu vaga ao Mundial de Clubes (incluindo o de 2021 que ainda será disputado), 14 foram conquistadas por times árabes.

Sete vezes a vaga para disputar o título de melhor clube do mundo ficou com o egípcio Al-Ahly, uma com Sétifienne, da Argélia, o Marrocos foi representado duas vezes, com Wydad Casablanca e Raja Casablanca, e a Tunísia esteve presente em quatro Mundiais, três com o Espérance de Tunis e um com Étoile.

A situação é um pouco diferente nos países árabes na Ásia. Das 17 edições de Mundiais de Clube da Fifa disputadas com participação de clubes asiáticos, 10 tiveram de times da região arábica. Em três delas, por conquistas da Liga dos Campeões Asiáticas — os sauditas Al Ittihad, em 2005, e Al-Hilal, em 2019, e o Al-Sadd, do Catar, em 2011 —, uma vez, na edição de 2000, o Al-Nassr, da Arábia Saudita, conquistou a vaga por ter sido campeão da Supercopa da Ásia, e em outras seis oportunidades por ter sido país-sede.

O futebol sul-americano sentiu o gosto amargo do futebol árabe em três oportunidades. A primeira vez, no Mundial de 2013, o Atlético-MG perdeu de 3 a 1 para o Raja Casablanca, e ficou fora da final. Cinco anos depois, foi a vez a vez do River Plate cair para o Al Ain, nos pênaltis, na semifinal. E, a mais recente, foi a derrota do Palmeiras, também na decisão por pênaltis, na decisão de terceiro lugar contra o Al-Ahly.

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