Kaká é mais um sonho do garotinho que virou presidente do São Bento
Márcio Rogério Dias quer grande reforço para disputar Série B do Brasileirão
Futebol|Dado Abreu, do R7*

Qual seria sua primeira atitude se fosse presidente do seu clube de infância? No São Bento, o recém empossado Márcio Rogério Dias, de 39 anos, teve uma ideia tanto ambiciosa quanto improvável: contratar, mesmo sem dinheiro em caixa, o craque milionário Kaká para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro em 2018, no retorno do centenário Azulão Sorocabano à Segundona.
Porém, diferentemente de outros clubes, Márcio Rogério, ou o 'Dr. Márcio Rogério', não é nenhum tipo de mecenas que pretende investir fortunas para fazer do time campeão. Advogado, ele construiu sua carreira na região de Sorocaba, no interior paulista, onde atualmente é presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A contratação de Kaká, segundo o mesmo, viria por intermédio de patrocinadores.
“Na realidade é um case, um negócio que pode ser viabilizado. E depois é um jogador de alta qualidade e que se encaixa no perfil do São Bento. Ele está em plena atividade, não é um ex-jogador. Quem não queria ter o Kaká, não é mesmo? Eu achei isso”, explicou Márcio Rogério Dias em entrevista ao R7.
Torcedor de carteirinha do São Bento, Márcio Rogério entrou para a diretoria do clube em 2011, com a missão de analisar processos e dívidas trabalhistas da equipe. Na época o time azul e branco havia sido rebaixado para a terceira divisão do Campeonato Paulista, estava sem dinheiro, afogado em dívidas e viu parte de seu elenco entrar em greve contra salários atrasados. O momento era tão negativo que por pouco o Bentão não encerrou suas atividades.
“Quando assumimos, tínhamos somente a história e a grandeza do nome do clube, cumulado com enxurrada de ações, sem crédito, sem atletas, sem patrimônio e com muitas pessoas dizendo ‘não vai dar certo, vocês são loucos, irão quebrar’. Mas, como muito afinco, dedicação e comprometimento, fomos aos poucos resgatando a credibilidade, devolvendo a autoestima do torcedor e acima disso orgulho de ser São Bento”, escreveu em uma recente postagem nas redes sociais.
Dentro de campo, de fato, a ascensão foi rápida, que já seria um sonho realizado. Após dois acessos consecutivos o clube, que permaneceu durante 29 anos ininterruptos na primeira divisão do futebol paulista, retornou à elite. No primeiro ano na Série A-1, em 2015, terminou na 9ª colocação. No ano seguinte ficou em 5º e consequentemente garantiu uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro.
Sob o comando do técnico Paulo Roberto Santos, o São Bento entrou em campo na Série D após 24 anos sem disputar uma competição nacional e com inúmeras dúvidas — a diretoria chegou a cogitar a participação da equipe no torneio. Porém, novamente o time surpreendeu e conquistou uma vaga na Série C ficando entre os quatro melhores.
O mesmo se repetiu em 2017. Após uma campanha brilhante na primeira fase, quando garantiu o acesso e terminou na liderança do seu grupo, o Azulão garantiu um lugar nas quartas de final e jogou o seu destino na Terceirona contra o Confiança-SE. A data do confronto mata-mata culminou com a véspera da eleição de Márcio Rogério Dias. No entanto, nem por isso o então vice-presidente do clube se furtou em exercer o papel motivacional que cabe aos líderes.

“Aos jogadores, acreditem na vitória. Vão sem medo de lutar. Façam da dificuldade a motivação e nela encontrem a oportunidade, porque a volta por cima é resultado de um trabalho sério, que todo o time desenvolveu para chegar até aqui. Força e talento vocês têm”, postou Dias em uma das diversas mensagens incentivadoras que divide em suas redes sociais. “Aos nossos torcedores fiéis, carreguem na mala as esperanças. Apoiem o time até o fim. Precisamos de vocês. Sem essa energia fora de campo, muito certo que as dificuldades seriam maiores. Lutamos e acreditamos por vocês”, completou com a hashtag #AvantiSãoBento, nome da chapa pela qual Márcio Rogério Dias se elegeu presidente.
O lado motivador do dirigente é reforçado pelo lateral-esquerdo Marcelo Cordeiro, capitão e um dos mais experientes jogadores do São Bento. Aos 36 anos, o atleta que teve passagens por Internacional, Vitória, Sport e Botafogo, ressalta o bom relacionamento de Dias com o elenco.
“Nos jogos importantes, ele está sempre no vestiário dando palavras de apoio e incentivo para os jogadores. Ele é bem próximo do grupo, participa das atividades do time, está nos treinamentos. Até esta temporada ele era o vice-presidente e, ao lado do Paulo Roberto [treinador], o responsável direto pelas contratações”, explicou Cordeiro.
“O São Bento é um clube muito sério. Estou na equipe desde 2015 e nunca deixaram de cumprir nada do que foi acordado. Não é um clube para o jogador ficar rico. Mas ali o atleta vai encontrar um bom ambiente de trabalho e ter oportunidade e estrutura para demonstrar o seu trabalho e, quem sabe, no futuro ir para um clube maior”.
Um dos grandes responsáveis pelo acesso à Série C, o meia Giovanni, que foi campeão do mundo com o Corinthians em 2012, atesta a boa estrutura do clube e a forma educada do presidente no tratamento com os atletas.
"O Márcio é uma pessoa muito boa, sempre vinha conversar comigo. Um cara tranquilo e gente boa. Também é um excelente profissional. Tudo que ele falava, ele cumpria. O salário era em dia. Ele entende muito de futebol e de gestão, não é à toa que o time subiu pra Série B em dois anos, e eu não ficaria surpreso caso subissem pra Série A daqui um tempo. É um clube muito organizado com pessoas muito profissionais lá dentro", disse Giovanni.
Edno, ex-Portuguesa, Corinthians, Botafogo, também passou pela equipe. Hoje no América-MG, o artilheiro lembra com carinho do clube e dos bons momentos vividos na cidade.
“O márcio é um cara que sabe administrar o clube. Ele chega no vestiário e incentiva todo mundo, participa com o grupo. Lógico que também cobra porque faz parte. Todo dirigente tem que cobrar. Se o São Bento chegou onde chegou foi pela boa administração de pessoas que estavam envolvidas com ele. É um clube que paga em dia, certinha, numa cidade boa de se morar”, disse o atacante.
Kaká na B
Há tempos o centenário Esporte Clube São Bento não tinha tanto destaque no noticiário esportivos quanto nos últimos dias. Se entre as décadas de 1960 e 1980 o Azulão Sorocabano duelou com os grandes da capital, de lá para cá a equipe jogou para perdurar sua história.
Um suposto post do atacante Adriano em uma rede social foi o estopim para recolocar o modesto São Bento em destaque. A mensagem, publicada no início da semana, informava que o jogador estaria negociando com um time do interior paulista, recém promovido à Série B do Campeonato Brasileiro.
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O assunto viralizou na mesma velocidade com que o estafe do Imperador tratou de negar sua veracidade. Mas, para a diretoria do clube sorocabano, foi o suficiente para acender a faísca: por que não contratar um medalhão para o retorno do Bentão à Segundona? Adriano foi descartado, Kaká surgiu como desejo.
A proposta que o clube pretende apresentar ao meio-campista de 35 anos é de um salário fixo, dentro do teto do time (R$ 30 mil), mais a cessão de um espaço na camisa e no calção do uniforme para que Kaká possa negociar e aumentar sua receita.
Apesar de desejar o presente mais caro de sua vida, o presidente deve ver Kaká no São Paulo. O meia, que não renovou contrato com o Orlando City, ainda tem grande identificação com o clube do Morumbi. O jogador ainda não recebeu proposta oficial do Tricolor, mas já tem o nome ventilado por dirigentes do clube, que esperam abrir negociações o mais rápido possível para garantir o ídolo para a próxima temporada. Caso não feche com o São Paulo, Kaká deverá pendurar as chuteiras. O São Bento, ao que parece, será somente sonho de um torcedor que se tornou presidente do clube do coração.
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*colaborou André Avelar, do R7
Desde 2015, atua na Liga Americana pelo Orlando City. Neste ano jogou poucas vezes
Desde 2015, atua na Liga Americana pelo Orlando City. Neste ano jogou poucas vezes
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