Inglaterra teme ficar sem representantes nas quartas da Champions
Futebol|Do R7
A Inglaterra prende a respiração antes das partidas de volta das oitavas de final da Liga dos Campeões, com medo que uma eliminação prematura dos quatro representantes do país, como em 2013, comprove uma tendência assustadora.
"Acho que houve uma lavagem cerebral com a ideia de que a Premier League é o melhor campeonato do mundo. Isso é balela!", disse Roy Keane após a derrota do ex-clube, o Manchester United, para o Olympiakos (2-0).
"O que temos é apenas a melhor marca do mundo. Ficou comprovado nas últimas semanas que as equipes inglesas estão atrás das melhores na Europa", continuou o polêmico irlandês.
Em 15 dias, três das quatro equipes inglesas foram derrotadas por 2-0, sendo duas em casa, e somente o Chelsea conseguiu marcar um gol (1-1 com o Galatasaray).
Há três temporadas, são sempre as mesmas quatro equipes que representam a Inglaterra na maior competição de clube do mundo: United, City, Arsenal e Chelsea.
É verdade que os 'Citizens' e os 'Gunners' tiveram o azar de pegar logo nas oitavas dois gigantes do futebol europeu, Barcelona e Bayern de Munique, respectivamente, e ambas as equipes sofreram com expulsões no primeiro tempo que rapidamente influenciaram os resultados das partidas (2-0 Bayern em Londres, 2-0 Barça em Manchester).
Em 2014, porém, houve progresso na fase de grupos em relação ao ano anterior, já que as quatro equipes se classificaram como líderes de suas respectivas chaves, somando apenas cinco derrotas.
Na temporada passado, o City e principalmente o Chelsea, primeiro campeão eliminado tão prematuramente, não passaram da fase de grupos.
"Continuo afirmando que a Premier League é o melhor campeonato do mundo, o mais difícil. Talvez pagamos um pouco o preço por isto", analisou Arsène Wenger, técnico do Arsenal.
"Aqui, não temos a diferença de nível que podemos encontrar por exemplo na Alemanha entre o Bayern e os outros clubes. Atrás, tem o Borussia, e depois é um vazio. Na Premier League, você pode perder para o Cardiff. A Espanha também tem um bom campeonato, mas, nesta temporada, acredito que o Inglês seja o mais difícil", explicou.
Se isto não foi sempre o caso, a Premier League se mostra, de fato, muito parelha nesta temporada, com cinco ou seis equipes brigando por uma vaga no Top 4.
"Para ser sincero, tenho certeza de que um clube inglês do meio da tabela eliminará em nove de cada dez confrontos um clube espanhol ou alemão do meio da tabela porque o Campeonato Inglês, tem mais times de qualidade", concorda Jeff Stelling, comentarista da Sky.
As situações atuais dos representantes ingleses na 'Champions', com três deles tendo trocado de treinador para esta temporada, precisam ser levadas em consideração.
O Arsenal, o mais "pobre" dos quatro, não conquista um título há 9 anos e segue a política de vender os jogadores que se destacam. Com isto, não passa das oitavas de final da 'Champions' desde 2011.
Antes da volta de Mourinho, o Chelsea, que levantou a 'Taça Orelhuda' em 2012, se vê ao mesmo tempo reconstruindo o elenco e se adaptando ao fair play financeiro europeu, depois de anos gastando sem checar a conta.
A evolução da legislação transformou os clubes ingleses, outrora exclusivamente compradores, também em vendedores. Com isso, a Premier League se despediu nos últimos anos de jogadores como Fabregas, Ronaldo, Tevez e Balottelli, o que fatalmente afeta a qualidade do futebol em campo.
Sem jamais ter passado uma fase de mata-mata da Champions, o City tenta superar a falta de experiência com muita vontade, o que às vezes parece ser tarefa impossível.
Por último, a chegada do técnico David Moyes ao comando do Manchester United mostrou a importância do lendário Sir Alex Ferguson, mesmo se o aposentado treinador teve a ajuda de jogadores brilhantes durante toda a carreira que ajudaram a construir a impressionante sala de troféus do clube.
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