Brasil ainda é o país do futebol? Veja o que pensam jornalistas europeus
Seleção não consegue mais chegar entre os primeiros em Mundiais
Lance|Do R7
A seleção brasileira encerrou a participação na Copa do Mundo após perder para a Noruega por 2 a 1 pelas oitavas de final. Foi o pior desempenho do Brasil desde o Mundial de 1990, e um resultado que faz a seleção inaugurar o maior jejum da história sem título: em 2030, serão 28 anos sem conquistas. Neste período, sob diferentes treinadores, o Brasil perdeu para todas as equipes europeias que enfrentou em fases de mata-mata. E aí fica a pergunta inevitável: o Brasil ainda é o país do futebol?
A reportagem ouviu a opinião de jornalistas de três países europeus diferentes. Todos eles estão nos Estados Unidos cobrindo a Copa do Mundo, viram os jogos do Brasil e acompanham a trajetória da seleção. E, para eles, há um entendimento comum: o Brasil é o país do futebol, mas alguma coisa se perdeu.
Para John Cross, do jornal inglês Daily Mirror, a seleção está “sem identidade”. O britânico avalia que o Brasil já vinha em um patamar abaixo antes da chegada de Carlo Ancelotti, e que o técnico italiano ainda não conseguiu encontrar o melhor jeito de fazer a equipe jogar.
— Eu estava muito decepcionado com a forma como o Brasil vinha jogando, e o Ancelotti não fez com que virasse uma equipe melhor. Por isso acho que o Brasil está um pouco abaixo. Precisa encontrar uma identidade, realmente — diz Cross.
O jornalista elogiou muito o técnico italiano, a quem definiu como “um brilhante gestor de homens, que tem um sucesso fantástico e que é amado por todos” na Inglaterra. Mas deixou um questionamento.
— Ele é mais gestor de homens do que um especialista tático. Se isso tivesse dado certo, você diria que ele é brilhante porque ele tem os melhores jogadores, mas, como deu errado, você o questiona pela forma tática. E aí fica a pergunta: o Brasil precisa de alguém que seja um pouco mais enérgico? Ou alguém mais disciplinador? Ou alguém mais tático? Talento tem muito lá, com os melhores atacantes e um dos melhores goleiros do mundo. Por isso o Brasil não deveria ter que lutar do jeito que está lutando.
Para Paulus Geerars, da revista holandesa De Voetbal Trainer, um periódico voltado a treinadores e profissionais da bola, não há dúvida de que o Brasil é o país do futebol.
— É uma seleção que tem muito talento. Se você olhar os jogadores individualmente, todos são capazes de jogar um jogo técnico, porque todos têm habilidades. E é por isso que todos devem ter pensado: com o treinador que tem, com o que ele é capaz de fazer com uma equipe, com as habilidades técnicas e tudo isso trabalhando junto, se esperava que o Brasil fosse mais longe — pondera Geerars.
O jornalista holandês, no entanto, considera que talvez seja justamente o excesso de jogadores talentosos que tem feito com que o Brasil tropece em Copas do Mundo.
— O Brasil tem jogadores que são estrelas mundiais, como o Vinícius Jr. Mas o Paris Saint-Germain chegou a ter três jogadores assim, Messi, Neymar e Mbappé, e eles não ganharam. Depois que saíram, o PSG ganhou a Liga dos Campeões duas vezes. Talvez nós tenhamos alguns jogadores que não funcionam bem na equipe; se você tem jogadores estrelas, você precisa ver se eles estão dispostos a trabalhar com a equipe. Não sei se isso foi o caso do Brasil.
Frida Fagerlund, do jornal sueco Aftonbladet, é quem demonstra mais certeza de que o Brasil segue sendo o país do futebol.
— Sim, definitivamente. Eu absolutamente adoro o Brasil. Acho incrível o quanto os brasileiros se importam com o futebol, e também há uma sensação de família no Brasil que eu acho que não existe em muitos outros países. Vocês (brasileiros) sempre parecem se unir de uma forma que muitos países europeus não fazem — afirma a jornalista sueca.
Para ela, o fato de a seleção ter sido eliminada nas últimas Copas do Mundo por seleções europeias é uma “coincidência”, mas que precisa ser bem pensada.
Sobre a eliminação para a Noruega, ela aponta que a escolha por Neymar foi preponderante, mesmo que reconheça a importância do jogador.
— Creio que o fato de o Neymar entrar nesse jogo provavelmente foi muito útil para a Noruega. E isso é uma coisa muito triste, porque eu sei o quão grande ele é no Brasil. Acho que é absolutamente louco tê-lo em uma equipe quando ele não está realmente em forma, sabendo que tantos outros jogadores poderiam ter feito um trabalho melhor do que ele fez. E isso é uma verdade triste.













