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BRASILEIRO 2022

Globo prejudica clubes com distribuição desigual

Modelo de negociação individual é diferente do praticado pela maior parte das equipes da Europa

Futebol|Do R7

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Liverpool foi o inglês que mais recebeu da TV em 2014
Liverpool foi o inglês que mais recebeu da TV em 2014

O estilo de negociação entre a TV Globo e os clubes brasileiros vai na contramão do que é feito na maioria das ligas europeias. No Brasil, após o fim do poder do Clube dos 13, a negociação entre os clubes é individual, baseada em critérios como audiência e número de torcedores.

Na Europa há um equilíbrio muito maior na divisão de cotas, bem mais recheadas. A diferença é abismal, mesmo com o Brasil ocupando a 7ª colocação na economia mundial. Enquanto o Real Madrid, por exemplo, faturou 163 milhões de euros (R$ 495 milhões) na temporada 2012/13, o Flamengo, em 2013, recebeu R$ 111 milhões da TV.


Já o Liverpool, em 2014, foi o inglês que mais recebeu da TV, chegando a 117 milhões de euros (R$ 356 milhões). Na outra ponta da tabela está o Cardiff, que recebeu 62 milhões de libras, ou R$ 231,26 milhões, uma diferença apenas 1,5 vez maior entre o primeiro e o último colocados. No Brasil, os oito clubes com menor audiência recebem cerca de R$ 27 milhões.

Modelos de equilíbrio


Em 2012, a Premier League, que administra o orçamento das equipes participantes do campeonato nacional da Primeira Divisão, fechou um contrato com a Sky para, em três temporadas a partir de 2013/14, receber 5 bilhões de libras (R$ 16,3 bilhões) em cotas de transmissão dos jogos de todas as 20 equipes.

Há pacotes para transmissão dos jogos em vários países da Ásia. Para que as partidas sejam transmitidas na América do Sul e nos Estados Unidos, a Premier League recebe da Fox e da ESPN cerca de R$ 620 milhões, a maior parte da verba (cerca de R$ 520 milhões) vinda do país norte-americano.


Os critérios para a divisão são os seguintes - 50% das receitas são divididas em partes iguais entre os vinte clubes; 25% vêm por mérito esportivo, baseado na colocação do clube na competição do ano anterior; 25% em função do número de jogos transmitidos (vale lembrar que cada equipe tem no mínimo dez dos seus jogos transmitidos).

Em relação às verbas vindas de fora do país, essas são divididas de maneira igual entre todos os participantes da liga. Esses critérios também são utilizados em ligas com a Bundesliga, da Alemanha, e a Série A da Itália, que em 2008 implantou a Lei Melandri, que obriga a todos os clubes negociarem em bloco os direitos de TV. Isso diminuiu a diferença que clubes como a Juventus tinham em relação aos demais.


Na Alemanha, a Segunda Divisão também entra no pacote. A TV paga 1,5 bilhão de euros por temporada para a Primeira Divisão e 365 milhões de euros para a Segundona. As exceções entre as principais ligas europeias são Portugal e Espanha, cujos clubes negociam individualmente. 

Exceções europeias

Os valores em Portugal são menores: o Porto passará, somente agora, a receber 16 milhões de euros por temporada, enquanto Benfica ainda não decidiu se aceita a quantia de 22 milhões de euros. Mas as cifras no vizinho Ibérico são maiores. Apenas as cotas da Liga das Estrelas, o campeonato espanhol, até o início de 2014, eram direcionadas com maior ênfase às duas principais equipes: Real Madrid e Barcelona, que ganharam nove dos últimos dez campeonatos nacionais.

Globo terá de renegociar contratos se quiser futebol melhor 

Isso causou um desequilíbrio nas finanças do restante das equipes, a ponto de o governo e a Justiça terem interferido na questão. Em fevereiro último, em decisão do governo, após intervenção da Justiça, ficou estabelecido que as receitas vindas das cotas de TV, tanto para Real quanto para Barcelona, não poderão ser mais do que quatro vezes superiores aos que menos recebem na liga. Em 2014, a diferença era de 6,5 vezes mais.

No balanço apresentado pelos clubes, na temporada 2012/13, o faturamento do Real Madrid com direitos de transmissão foi de 163 milhões de euros. Já o Barcelona faturou 162 milhões de euros.

Caso argentino

A Argentina, no governo de Cristina Kirchner, tomou uma iniciativa inusitada. Em 2009, o governo comprou da Associação de Futebol Argentina (AFA) os direitos de transmissão dos jogos, que até então pertenciam ao grupo Clarin.

Nesse projeto polêmico, chamado Fútbol para Todos, a TV Pública transmite todos os campeonatos nacionais, da Primeira e da Segunda Divisão, além dos jogos da seleção argentina. Para os clubes, em cerca de quatro anos as verbas destinadas foram de US$ 1 bilhão, ou cerca de R$ 2,3 bilhões.

Economia forte e desigual

As verbas vindas da TV, na Europa, são muito superiores às do Brasil. No entanto, apesar do baixo crescimento e da distribuição desigual da renda, o Brasil possuiu um PIB similar ao do Reino Unido (onde se inclui a Inglaterra), que é o líder em valores de TV destinados aos clubes.

Ambos se revezam no 7º lugar na economia mundial. Em 2014, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil ocupava o lugar, com US$ 2,2 trilhões contra US$ 2,8 trilhões da Inglaterra. Em relação ao PIB da Espanha, que alcançou US$ 1,4 trilhão, o do Brasil é superior.

Mas a receita vinda das cotas é muito mais próxima da diferença entre o PIB per capita dos países, que aponta a riqueza distribuída para a população. Neste caso, o Brasil está bem atrás, ocupando a 61ª posição, contra a 23ª do Reino Unido e 27ª da Espanha em 2013. Como o futebol é um espelho da sociedade, e da economia, o esporte mais popular do Brasil também sofre com essa distribuição desigual. 

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