Orgulho ‘Brasentino’: por que a população de Bangladesh ama as duas seleções rivais
Cineasta Rafael Bergamaschi fala sobre documentário que mostra paixão do povo bengalês pelo futebol sul-americano
Copa do Mundo|Do R7, com RECORD NEWS
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Por ser um evento global, a Copa do Mundo consegue unir povos de todos os continentes do mundo, até mesmo aqueles que não possuem tradição no esporte. O amor pelo futebol e pelas seleções brasileira e argentina em Bangladesh é o tema do documentário Dhaka Vibra, que mostra a história de um povo que exibe o orgulho “brasentino” no peito.

Com o filme em exibição pela RECORD NEWS, o Link News entrevistou com exclusividade o cineasta Rafael Bergamaschi, que, durante a Copa de 2022, registrou as ruas e o povo de Bangladesh assumirem as cores das seleções rivais. “Até acho que a Secretaria de Turismo de Bangladesh poderia promover o país como um destino turístico em toda a Copa do Mundo”.
O projeto já era idealizado por Bergamaschi desde que morava em Nova York. Foi por meio dos taxistas da cidade, vários dos quais eram originários do país, que o artista descobriu sobre o costume. “Eu fiquei com aquilo na cabeça: ‘Poxa, isso é um filme, eu tenho que ele!’ Até que um dia eu juntei meu equipamento, criei coragem e fui”.
Durante a experiência, o cineasta notou que, apesar da distância, não existem tantas diferenças entre o povo brasileiro e o bengalês. “Esse era o principal ponto do documentário. Conhecer Bangladesh por meio da cultura, de algo divertido, que nos aproxima. [...] Porque, quando a gente começa a olhar para um lugar só pela miséria, só por desastres, acaba criando um desequilíbrio que não é real”, afirmou Bergamaschi.
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Ainda assim, ele confessa que as diferenças se encontravam principalmente na língua. “Às vezes eu tinha que conduzir a entrevista sem ter certeza do que estava sendo dito”. Com a ajuda de um tradutor, entretanto, ele conseguiu descobrir que a paixão bengalesa pelos dois rivais se resume a dois nomes: Pelé e Maradona. “Eles são idolatrados lá. Aprendem sobre Pelé já nos livros escolares”.
O amor pelas seleções vem de Copas passadas: “É um pouco como os nossos times aqui. Eu sou palmeirense porque meu pai era palmeirense. Alguém é corintiano porque os pais talvez fossem corintianos”. O cineasta conta que a torcida argentina aumentou com os feitos de Lionel Messi e a conquista do título em 2022.
“Tive a sorte de presenciar a Argentina ganhando em Bangladesh. A explosão que isso foi. . . Só não tive mais sorte porque o Brasil e a Argentina eram para se encontrar na semifinal e isso acabou não rolando”, lembra o diretor, saudoso dos momentos que passou enquanto registrava as imagens no país.
Bergamaschi não descarta fazer uma sequência ao documentário, mas no momento só tem uma certeza. Ao ser questionado se espera que a Argentina ganhe a Copa de 2026, ele afirma com bom humor: “Apesar de estar usando a camisa da Brasentina, eu espero que não”.
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