Flamengo abre temporada do 'nós contra todo mundo' no Brasileirão

Expulsões e pênalti foram corretos e erro na penalidade não marcada em Guerreiro divide opiniões. Não é o caso de convocar o fantasma do esquema

Guerrero deu chilique, levantou dedo para árbitro, foi expulso e prejudicou Inter

Guerrero deu chilique, levantou dedo para árbitro, foi expulso e prejudicou Inter

Thiago Ribeiro/Estadão Conteúdo - 25.9.2019

Flamengo 3 X 1 Internacional.

Oitava vitória seguida do rubro-negro, que, com 48 pontos, terá seis à frente do Palmeiras, segundo colocado, ao menos até o final da noite desta quinta-feira (26).

No Brasileiro dos pontos corridos, sempre que um time assume a ponta com um futebol convincente, e pinta de que poderá seguir dessa forma até o título, os que torcem contra assumem o mesmo comportamento: toda tempestade a favor do líder vira goteira e qualquer goteira contra é tomada como tempestade. Com o hoje rico e em grande parte invejado Flamengo não haveria de ser diferente.

Na análise da reportagem, Rodrigo Caio fez pênalti em Guerrero no primeiro tempo. O zagueiro rubro negro aborda o atacante colorado sem disputar a bola, o que caracteriza a infração. Houve gente de respeito que, após o jogo, disse que não daria. De qualquer forma, a interpretação do lance pelo árbitro Luiz Flávio de Oliveira, equivocada ou não, é coisa que acontece toda hora, em quase todo jogo, a favor e contra fracos e fortes, a favor e contra todo mundo.

Mas não adianta: neste exato momento, como sempre ocorre contra qualquer líder embalado, rivais tradicionais e interessados de circunstância estão a reforçar o coro estridente do jus esperneandis com berros do quilate de “o esquema para o Flamengo está forte com a arbitragem” e equivalentes.

Aos pontos polêmicos e quentes do jogo:

Lance um: no primeiro gol do Flamengo, o árbitro marcou pênalti claro do lateral direito Bruno, que, ao ver Gabigol à sua frente com a bola no pé e o gol livre, claramente agarra e puxa o atacante com os dois braços. Ao contrário do que prega a determinação atual, Oliveira deu primeiro o amarelo. Alertado pela turma do VAR, puxou o vermelho. Tudo certo no rigor da lei.

Lance dois: na jogada entre Rodrigo Caio e Guerrero, como se disse, houve pênalti na avaliação da reportagem e Oliveira errou. Para quem ama o time prejudicado, ou seca o líder à espera de um tombo que possa revitalizar o alheio, é, claro, uma decepção. Mas, como também se disse, é do jogo de todos para todos – e nada sugere que, neste caso, houve algo além do sereno da noite fria para torná-lo diferente.

Lance três: Guerrero foi expulso justiça – a mais explícita possível das justiças, por sinal. Disputou uma bola de cabeça com Rodrigo Caio, numa jogada sem qualquer irregularidade, cortou o supercílio, voltou a campo com o rosto ensopado de sangue e, em mais um de seus chiliques habituais, praguejou e, dedo médio em riste entre o anular e o indicador encolhidos, para o Maracanã lotado, o Brasil e o mundo verem, mandou Oliveira tomar naquele lugar duas vezes. Dá para não expulsar o produtor de uma cena desse quilate?

Guerrero lembra luta no nome, mas precisa parar de dar ataque de revoltado nos momentos em que as equipes que defende mais precisam dele. Custa caro e sai de combate quando quem está ao seu lado mais espera dele. É sempre assim.

E, para a parcela gigante que sempre torce ou seca quem lidera, seja qual clube for, talvez seja oportuno parar de trocar regras e compassos e tomar goteiras por tempestades e vice-versa.

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