Futebol Fla líder do Brasileirão de novo. Vai ficar mais uma vez só no cheirinho?

Fla líder do Brasileirão de novo. Vai ficar mais uma vez só no cheirinho?

Como em 2018, rubro-negro assume a ponta na 16ª rodada com um 3 a 0 no Ceará. Mas desta vez, com mais talentos, as chances de título são maiores 

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Liderança no Brasileiro foi coroada com belo gol de bicicleta de Arrascaeta

Liderança no Brasileiro foi coroada com belo gol de bicicleta de Arrascaeta

Alexandre Vidal/Divulgação Flamengo - 25.8.2019

A vitória por 3 a 0 sobre o Ceará, na Arena Castelão, em Fortaleza, no domingo (25), pela 16ª rodada do Brasileirão, coroada com o belo gol de bicicleta de Arrascaeta, rendeu ao Flamengo a liderança apertada da competição, no saldo de gols, com os mesmos 33 pontos do Santos.

Por finas ironias geradas pelas coincidências, a última vez em que o rubro-negro viu o resto da turma pelo retrovisor foi em abril de 2018, após um triunfo sobre o mesmo Ceará, na mesma Arena Castelão, na mesma 16ª rodada do campeonato e, acreditem, pelos mesmos 3 a 0.

Rivais supersticiosos dirão: “maravilha, ficarão de novo no cheirinho”. Do outro lado do campo, a maior torcida do Brasil, sem título brasileiro há uma década e Libertadores há longos 38 anos, entope estádios pelos quatro cantos do País, faz a festa habitual e aposta todas as fichas no ‘agora vai’.

Mas será que vai mesmo?

Em um campeonato como o Brasileiro, o mais disputado do mundo, com entre cinco e sete equipes em condições de levar a taça em todas as edições, seria bravata das grossas afirmar seriamente, 22 duas rodadas antes do final, quem será o campeão. E, pior, acreditar no que disse.

Sessenta e seis pontos ainda serão disputados, exatamente o dobro dos 33 conquistados até agora pelos dois primeiros. Há muita água a passar embaixo das pontes do Flamengo e dos quatro paulistas, que se apresentam hoje como os mais sérios candidatos ao título.

Mas, como as coincidências se insinuaram e o rubro-negro da Gávea sempre desperta paixões e mobiliza multidões, talvez seja oportuno fazer uma comparação entre os Flamengos de 2018 e 2019, para especular se a versão atual tem mais chance de ser campeã brasileira. Os primeiros sinais, a essa altura do campeonato, insinuam que sim.

Analisemos, primeiro, os dois times principais. Em 2018: Diego Alves, Pará, Réver, Léo Duarte e Renê; Cuellar, Lucas Paquetá e Diego; Éverton Ribeiro, Henrique Dourado e Vinícius Júnior. Em 2019: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Cuellar, Gerson e Éverton Ribeiro; Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta.

Apesar das saídas de Paquetá e Vinícius Júnior, e da contusão de Diego, o time e o elenco de 2019 é nitidamente mais talentoso e equilibrado. Os laterais são jogadores de nível internacional. Cuellar está ainda melhor e o meia Gerson, a rigor um curinga, voltou a jogar a bola que o consagrou no Fluminense antes da transferência para a Europa.

Na frente, o quadrado Bruno Henrique/Gabigol/Éverton Ribeiro/Arrascaeta está mais inspirado, entrosado e confiante do que nunca, todos fazendo gol de tudo quanto é jeito. E, para fechar o elenco, entre os reservas está boa parte do que havia de melhor para escalar em 2018.

Bruno Henrique é uma das estrelas do quadrado ofensivo do Flamengo

Bruno Henrique é uma das estrelas do quadrado ofensivo do Flamengo

FolhaPress

A defesa mostrou, é verdade, certa irregularidade nas primeiras semanas de trabalho do técnico Jorge Jesus. Foram nove gols tomados em cinco partidas, entre eles os três do ‘atropelamento’ promovido pelo Bahia no primeiro tempo do jogo na 13ª rodada.

Boa parte desses gols surgiu por erros de cobertura numa zaga que, sob Jesus, passou a jogar adiantada, empurrando o restante do time para marcar o adversário em seu campo. Mas também deixando, muitas vezes, avenidas e latifúndios para a correria dos atacantes rivais no seu próprio território em lançamentos e contra-ataques.

Mas mesmo ela, a zaga, deu, nos últimos jogos, sinais de ter encontrado o entrosamento com a volta de Rodrigo Caio e a aparente adaptação do espanhol Pablo Marí ao futebol brasileiro. Nas últimas três rodadas do Brasileirão, o Flamengo tomou apenas dois gols, média de 0,66 por partida, praticamente um terço dos 1,8 por partida dos primeiros cinco jogos sob o comando de Jesus no Brasileirão. Enquanto isso, no ataque, tudo bem, obrigado: dez gols nos mesmos três jogos.

Além disso, Jesus é um técnico exigente - e não faz a mais remota questão de esconder isso dentro do clube, fora dele, no tom sisudo das entrevistas e à beira do campo, nos jogos, com seus berros, caretas e semblantes crispados. Ao menos por enquanto, o rigor de Jesus tem feito muito bem ao Flamengo, que precisava substituir a tradicional atmosfera de festa e permissibilidade que sempre envolveu o clube por outra de respeito profissional à hierarquia e ao trabalho sério, sobretudo por parte dos boleiros.

Por fim, o Flamengo paga em dia – e muito – há um bom tempo e os jogadores parecem felizes de estarem por lá. Um clube organizado e com boas instalações, um elenco recheado de talentos estimulados e bem remunerados, bons reservas, um técnico exigente e até agora respeitado pelos comandados e o mitológico Maracanã lotado de fanáticos enlouquecidos a cada jogo em casa.

Por tudo isso, o Flamengo de hoje, com suas atuações, empolga seus seguidores. E, mais do que isso, começa a despertar, nos adversários, uma quase nunca confessada ponta de inveja aliada a preocupação, o que talvez seja a prova maior de suas chances de levar o campeonato.

Seria leviano afirmar qualquer coisa. Mas, após uma década de seca no Brasileirão, a turma rubro negra do ‘agora vai’ parece ter motivos para acreditar em algo mais forte e inebriante do que um cheirinho.

Na reta final: veja quem seu time ainda enfrenta no primeiro turno