Felipão, de 'Senhor Mata-Mata' a rei dos esquemas mesquinhos
Com um futebol feio e sem alternativas, Palmeiras é eliminado pela quinta vez desde a volta do técnico. Uma mudança de ares faria bem às duas partes
Futebol|Eduardo Marini, do R7

Vitória do Grêmio por 2 a 1 sobre o Palmeiras no Pacaembu. Classificação do time gaúcho para as semifinais da Copa Libertadores da América.
Quinta eliminação do técnico Felipão em sua quinta disputa de torneio mata-mata desde a volta ao comando do Palmeiras. Terceira eliminação consecutiva em casa na Libertadores. Todas as saídas em 2019 foram em fases anteriores às de 2018.
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Em meio à inexplicável apatia que toma conta da equipe palmeirense em todos os momentos decisivos de torneiros eliminatórios, soa cada vez mais estranho qualificar esse grupo de superelenco, apesar do custo e da badalação. Apesar da boa colocação no Brasileiro, em linhas gerais o proveito é muito distante e incompatível com a fama.
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O português Jorge Jesus, do Flamengo, tem mostrado capacidade de fazer o que é bom ficar ainda melhor. Felipão é o contrário, o extremo oposto. Previsível, ‘encaixotado’, submete uma coleção de jogadores valorizados a esquemas ultrapassados, que geram atuações burocráticas, quase sempre neutralizadas por técnicos e adversários com posturas e propostas um pouco mais refinadas em jogos horrorosos de assistir. Como se todo o exposto não bastasse, ainda destrói o espetáculo e mata de tédio quem gosta de futebol de verdade.
No caso do jogo desta terça-feira (27), se considerarmos o fato de o Palmeiras atuar diante de seus seguidores, a rudeza habitual da equipe somou-se a um comportamento que muitos qualificariam até mesmo de covarde.
O time paulista, ao contrário do que sua torcida pedia e todos esperavam, não espremeu o Grêmio desde o início. Ao contrário, manteve-se recuado e tomou pressão nos primeiros minutos. Apesar disso, abriu o placar, mas, apático e amarrado por um Grêmio infinitamente mais compromissado com a partida, tomou a virada em escassos quatro minutos.
Felipão não ajudou taticamente e atrapalhou tecnicamente. No intervalo, tirou Willian, um dos melhores do time até então, e colocou o confuso, destemperado e irregular Deyverson, que se mostrou uma nulidade completa, rigorosa e absoluta em campo.
Completamente mapeado e neutralizado pelo esquema gremista, com destaque para as ótimas atuações da dupla de defesa Kannemann e Geromel, restou ao Palmeiras insistir, de modo primitivo e sempre previsível, nas bolas aéreas.
Felipão faz parte da história do Palmeiras, é inegável. Mas atualmente parece estar novamente envolto nas nuvens negras dos 7 a 1 e dos 3 a 0. Passa nitidamente a sensação de que enfrenta dificuldades para fazer o elenco, outrora produtivo em suas mãos, entregar o mínimo que se deve esperar dele pelo que tem de custo e badalo.
Ao final, a falta de personalidade em campo foi reproduzida na fuga de todos os jogadores do Palmeiras das entrevistas. Atitude lamentável que, espera-se, seja reprimida pela diretoria – ou ao menos por quem, dentro do clube, vai contra a maré dos que acham correto passar a mão na cabeça de jogador.
O Palmeiras, nos períodos de escassez de dinheiro no futebol, ganhou merecidamente o apelido de Academia de Futebol por sempre buscar o jogo bonito. Por ironia suprema, Felipão consegue instaurar a monotonia, a apatia e a falta de beleza do futebol gerado por esquemas mesquinhos justamente no momento em que o clube tem as maiores condições históricas de reunir, como reuniu, um grupo de atletas capazes de jogar bonito e dar espetáculo. Triste.
Uma mudança de ares de Felipão talvez fosse a melhor saída. Para as duas partes.
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