Copa: ‘O que os EUA estão fazendo não tem precedentes’, diz professor sobre deportações e vistos negados
Para Ricardo Boff, silêncio da Fifa é explicado pelo poder norte-americano e o medo de represálias
Copa do Mundo|Do R7, com RECORD NEWS
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O chefe da força-tarefa da Casa Branca defendeu a não concessão de vistos para o árbitro da Somália e para parte da delegação do Irã durante a Copa do Mundo. Em um evento em Washington, Andrew Giuliani alegou que o país recebeu cerca de 35 equipes sem problemas, justificando que a entrada que foi negada a alguns se deu por “razões muito boas”.
De acordo com o diretor-executivo, a intenção da medida é impedir a entrada de “pessoas mal-intencionadas”, usando a Copa do Mundo como justificativa.
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Após ter a entrada proibida nos Estados Unidos, o árbitro Omar Artan foi recebido como herói em seu país de origem, saudado por uma multidão dentro de um estádio. E, apesar do mal-estar, o profissional afirmou não estar desanimado e que estará na próxima Copa do Mundo.
Durante o Link News, o professor de relações internacionais Ricardo Boff explicou que a Fifa consegue fazer sobressair seu regulamento em alguns pontos da soberania do país que sedia a Copa, como foi no Brasil em relação ao relaxamento da proibição de bebidas alcoólicas em 2014 por causa de um patrocinador. Mas, segundo ele, apesar do silêncio da organização de futebol, motivado pelo medo de represálias, os casos de deportação e de vistos negados a atletas convocados, árbitros e dirigentes não têm precedentes.
“Até nos tempos de Hitler, ele deixava entrar os atletas negros, que inclusive venceram jogos diante dele lá em Berlim. [...] Então, o que os Estados Unidos estão fazendo não tem precedentes, tem um grau de xenofobia e racismo, não tem como dizer que não, porque são só seleções africanas e do Oriente Médio”, enfatizou o especialista.
O professor ainda analisou a possibilidade de uma partida entre Estados Unidos e Irã. Diferente do que aconteceu na Copa da Alemanha em 2006, em que os capitães trocaram flores antes de um jogo entre as duas seleções, no momento atual Trump e o líder da Guarda Revolucionária estão em rota de colisão.
“Não conseguimos imaginar que eles vão ceder ao esporte esse papel de construtor da paz. Seria um jogo de altíssimo risco, que poderia desencadear vários tipos de sentimentos nas populações. Eu não gosto de teorias da conspiração, mas acho que a arbitragem vai tentar evitar esse jogo porque o aparato de segurança e repercussão seria tão grande que não tem como duvidar que isso seria feito”, apontou.
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