Bullying, exagero, cópia, tóxico: ‘Estilo viking’ da Noruega começa a incomodar torcida e rivais
‘Remada’ dos torcedores e jogadores, além da estética da seleção norueguesa, recebem críticas nos países nórdicos
Copa do Mundo|Do R7
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A chamada “remada viking”, comemoração adotada pela torcida e pelos jogadores da seleção da Noruega durante a Copa do Mundo, começou a gerar polêmica após ganhar enorme repercussão dentro e fora dos estádios.
A popularidade do gesto cresceu após a vitória da Noruega por 3 a 2 sobre o Senegal, na última segunda-feira (22), quando o capitão Martin Ødegaard liderou jogadores, comissão técnica e torcedores em uma grande encenação simulando remadores em um barco viking.
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Apesar do sucesso, o gesto não tem agradado a todos os vizinhos escandinavos da Noruega. Na Suécia, alguns jogadores consideraram a comemoração repetitiva e apontaram semelhanças com o “thunderclap”, aplauso sincronizado popularizado pela seleção da Islândia em torneios de futebol, principalmente a partir da Eurocopa de 2016.
O zagueiro Gustaf Lagerbielke foi um dos que demonstraram irritação com a transmissão do gesto na televisão. Ele afirmou que não participaria e ironizou comparando com a comemoração islandesa. “Cada um com o seu barco”, disse.
Na Dinamarca, que ficou fora da Copa após ser eliminada na repescagem europeia pela República Tcheca, o fenômeno é visto com uma mistura de humor e ironia. Em artigo publicado no tabloide BT, o jornalista Johnny Wojciech Kokborg afirmou que os noruegueses vivem “a festa de suas vidas” e admitiu que o sucesso da seleção provoca incômodo nos dinamarqueses. A comemoração é quase um “bullying nórdico entre adultos”, brincou o jornalista, segundo a agência Reuters.
Mas as críticas não se limitam aos países vizinhos. Na própria Noruega, a estética “viking” associada à seleção também tem gerado debate. No jogo contra o Senegal, a equipe entrou em campo com uniforme totalmente preto, acompanhado de letras e números inspirados na estética dos vikings. Segundo Jan Ove Nystuen, da Federação Norueguesa de Futebol (NFF), o conceito busca representar uma “mentalidade viking” de ataque constante e intensidade, descrita como “bruta, intransigente e inconfundivelmente norueguesa”.
Ainda assim, a abordagem não é unanimidade. Em participação em um podcast que discute o tema, a jornalista Janne Stigen Drangshold, colunista da revista Morgenbladet, afirmou que a seleção “foi longe demais” na construção dessa identidade.
Ela acredita que, quando a seleção norueguesa de futebol também é retratada com navios vikings, posando para um novo ataque após remar pelo mar, “eles se tornam bem menos inclusivos. O resultado é uma estética masculina e uma atitude tóxica de ‘bons amigos’. Acho que eles (a NFF) poderiam ter encontrado algo melhor”, afirmou.
Classificada para a próxima fase, a Noruega volta a campo pela última rodada do Grupo I na próxima sexta-feira (26), contra a seleção francesa, a partir das 16h. Já a Suécia decide a vida na Copa do Mundo contra o Japão, nesta quinta-feira, às 20h.
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