Futebol Brasileiros na Europa relembram bons tempos na volta a um estádio

Brasileiros na Europa relembram bons tempos na volta a um estádio

Matheus e Renan acompanharam partidas da primeira fase da Euro realizadas na Puskás Arena, em Budapeste, na Hungria

  • Futebol | João Melo, Do R7*

Os dois torcedores acompanharam partidas da Euro na Puskás Arena

Os dois torcedores acompanharam partidas da Euro na Puskás Arena

Arquivo pessoal

As partidas de futebol que acontecem no Brasil ainda não podem contar com a presença de público nos estádio devido a restrições adotadas para conter a disseminação da covid-19 no país. Contudo, brasileiros que vivem em outros países já estão podendo voltar a ter experiências futebolísticas com a torcida nas arenas.

Matheus e Renan, ambos naturais da Paraíba e torcedores do Botafogo-PB e do Treze-PB, respectivamente, foram dois desses apaixonados por futebol que tiveram a oportunidade de voltar a acompanhar jogos nas arquibancadas. 

Leia mais: Japão anuncia que Olimpíada não terá presença de público

Eles assitiram a partidas da Eurocopa 2020. Esse foi o primeiro dos grandes torneios internacionais de futebol a permitir a volta da torcida aos estádios em 100% dos jogos, mesmo com cada uma das 11 sedes tendo de operar com diferentes capacidades de público.

A Hungria, por exemplo, foi o único país que liberou a capacidade total para as partidas que aconteceram no país, todas elas realizadas na Puskás Arena, localizada em Budapeste. Por coincidência, os dois brasileiros residem no país e conseguiram comparecer em jogos com o estádio lotado.

Protocolos para entrar no estádio

Mesmo com 100% do público liberado para acompanhar as partidas na arena local, a Hungria também seguiu os protocolos da UEFA para que os torcedores pudessem entrar no estádio. Todos eles precisaram apresentar um teste PCR negativo, um comprovante de que a pessoa já tinha sido infectada pela covid, ou uma carteira com certificado de vacinação em uma das fan zones espalhadas por Budapeste.

“Depois disso, eles dão às pessoas uma pulseira que deve ser mostrada no momento que você estiver entrando no estádio. Nesse período de pandemia, ela serviu praticamente como um ingresso para os torcedores”, diz Matheus. Como já tinha tomado as duas doses da vacina, ele não teve problemas.

Já Renan teve de passar por uma situação complicada. Ele havia passado alguns meses no Brasil e voltado para a Hungria cerca de 11 dias antes da primeira partida que tinha comprado ingresso. Por conta disso, o paraibano precisou ficar 10 dias de quarentena, sendo liberado apenas no dia anterior do jogo.

Como não tinha conseguido tomar a vacina e o teste de PCR não ficaria pronto a tempo, ele revela que precisou passar por uma saga até receber o imunizante. “Eu corri atrás de um hospital para tomar a vacina e, por muita sorte, consegui encontrar um local que estava aplicando doses da Pfizer e recebi a carteira de vacinação.”

O ambiente dentro e fora da arena

“Quando eu cheguei aos arredores do estádio, com mais de 60 mil torcedores, eu fiquei com aquela sensação do passado, quando você ia para o estádio lotado e sentia o calor da torcida”, destaca Renan, que mora na Hungria há cerca de 7 anos e acompanhou os jogos entre a seleção da casa e Portugal, e também entre os portugueses e a França na primeira fase da Eurocopa.

De acordo com o profissional de Tecnologia da Informação (TI), os torcedores húngaros estavam muito confiantes e empolgados com a seleção local, tanto dentro como fora dos estádios.

É o que também destaca Matheus, contando que se impressionou com as características marchas da torcida húngara até o estádio antes das partidas. Além disso, o estudante que está fazendo mestrado no país europeu revela que aproveitou ao máximo os pré-jogos da Euro.

Matheus aproveitou ao máximo o ambiente nos arredores do estádio

Matheus aproveitou ao máximo o ambiente nos arredores do estádio

Arquivo pessoal/Matheus

“Eu falo que o jogo de futebol vai além dos 90 minutos. Então, se tratando de uma Eurocopa, eu estava tentando interagir ao máximo com os torcedores nos arredores do estádio porque você tem ali duas culturas futebolísticas muito diferentes e eu queria aproveitar isso ao máximo”, ressalta o brasileiro que, além dos dois jogos que Renan compareceu, esteve presente na partida entre Hungria e França, também na primeira fase do campeonato.

Matheus, ao contrário de Renan, já tinha acompanhado no estádio algumas partidas do campeonato nacional húngaro e até mesmo jogos do Ferencváros, time local, na Champions League durante a pandemia, mas destaca que nada se comparou à emoção de estar em arquibancadas lotadas na Eurocopa.

Ele, inclusive, possui uma página no instagram chamada @umtorcedornaeuropa, onde registra os estádios por onde já passou.

Portugal x França

Os dois brasileiros estiveram na Puskás Arena em um dos jogos mais esperados da primeira fase da competição, entre a atual campeã do mundo, França, e Portugal, a seleção que defendia o título da Eurocopa. A expectativa era de uma partida tecnicamente muito boa, e o placar de 2 a 2 satisfez os torcedores.

“Eu diria que foi um dos melhores jogos do campeonato. Não só pela partida em si, mas pela conjuntura, porque Portugal estava lutando para se classificar para as oitavas de final e dependia também dos resultados do jogo entre Alemanha e Hungria. Então, a cada momento tinham trocas de posições na tabela do grupo”, afirma Renan.

Renan destaca a ótima partida disputada entre Portugal e França

Renan destaca a ótima partida disputada entre Portugal e França

Arquivo pessoal/Renan

"Sempre que saía um gol da Hungria o estádio todo comemorava bastante, porque os húngaros estavam torcendo para o seu país se classificar, e franceses e portugueses torcendo para a Alemanha ser eliminada logo na fase de grupos”, destaca Matheus.

O mestrando, que está morando na Hungria desde agosto de 2020, revela ainda que um fato curioso foi que muitos húngaros deram um jeito de acompanhar as duas partidas de maneira simultânea dentro da Puskás Arena.

“Muitos torcedores estavam com celulares e acompanhando as duas partidas simultaneamente: uma nas arquibancadas e outra, a distância, mas através das telas.”

Renan destaca a presença e grande atuação de Cristiano Ronaldo na partida. O portguês marcou os dois gols da sua seleção, mas ele afirma que acompanhou o craque também por outra perspectiva.

“Tive a oportunidade de assistir o jogo por trás das câmeras, porque eu queria ver ele se movimentar quando a bola não estava nos seus pés. E realmente ele é diferenciado, se posiciona muito bem e parece sempre antecipar as jogadas em relação aos adversários”, ressalta.

Próximas experiências

Dado o sucesso nas experiências que tiveram nos jogos da Eurocopa, os torcedores do Botafogo-PB e do Treze-PB já se planejam para acompanhar partidas de outros campeonatos que vão começar em breve.

“Vão começar as eliminatórias europeias para a Copa do Mundo do Catar, e a Hungria caiu no grupo de Inglaterra e Polônia. O jogo contra os ingleses vai acontecer em Budapeste, então já estão me planejando para conseguir ir a essa partida”, afirma Matheus.

Renan conta que tem alguns amigos que são jogadores e atuam em times húngaros, e que pretende prestigiá-los em alguns jogos. “Apesar do nível do campeonato nacional não ser o mesmo de outros países europeus, é sempre interessante ir com os colegas e acompanhar os amigos que estão em campo atuando.”

*Estagiário do R7 sob supervisão de Andre Avelar

De Berlim a Tóquio: Veja a evolução das tochas olímpicas

Últimas