Atlético-MG aproveita saída de Ronaldinho para acabar com as concentrações
Técnico Levir Culpi disse que acordo foi selado após a despedida do craque
Futebol|Do R7

Pode não ter relação alguma e ser apenas uma coincidência. Mas a saída de Ronaldinho Gaúcho do Atlético-MG tem sido tratada pelo técnico Levir Culpi como um marco transformador para o time mineiro. Logo de cara, Levir tomou uma atitude que é bastante comum na Europa, mas pouco usual no Brasil: liberou os jogadores da concentração antes das partidas. A partir de agora, o elenco do Galo fica liberado para se apresentar apenas uma hora antes dos jogos.
— Temos uma tabela apertada, com várias viagens e com horários ruins. Por conta disto, estou tirando a concentração dos jogadores. Eles vão ficar em casa, com a família. A decisão é minha e ela é por conta do calendário ridículo do futebol brasileiro. É uma troca de profissionalismo, um teste que eu estou fazendo com eles.
Levir Culpi entende que chegou o momento de se fazer uma revolução no futebol brasileiro e começou mesmo encontrando posições contrárias na diretoria.
— Já tinha pensado nisso, mas as notícias da seleção na Copa, de que precisa renovar, fazer o que estava sendo feito na Europa... E fui conversar com os jogadores, queria que a saída do Ronaldo fosse um divisor de águas e por isso coloquei esta questão para eles nesse momento. Se eles [jogadores] não entenderem isto, aqui não é o lugar para mim. Vai ser assim, espero que eles entendam.
Diretor do New York Red Bulls descarta R10: "Não fomos atrás e nem iremos"
Em 2013, o elenco do Botafogo, que não vinha recebendo salários em dia, exigiu o fim da concentração em General Severiano e foi atendido pelo técnico Osvaldo de Oliveira. A iniciativa deu resultado. O Glorioso venceu o Carioca e terminou o Campeonato Brasileiro na quarta colocação, garantindo uma vaga na Copa Libertadores depois de 17 anos longe do torneio continental.
No entanto, nem todos os profissionais do futebol brasileiro concordam com o fim das concentrações. Douglas, lateral do São Paulo, é um deles.
— [A concentração antes dos jogos] É essencial, pois falta consciência dos atletas em prol disso. Mas não pode haver exagero também, porque a cabeça fica pesada, por ficar preso no hotel e sem atividade.
Dunga sugere ‘Neymardependência’ na seleção e compara o jogador a Pelé
Além de Levir Culpi, Abel Braga, treinador do Internacional, adotou medida semelhante com o elenco Colorado. Em Porto Alegre, o grupo costuma se apresentar somente no dia da partida, ao final da manhã, para almoçar no hotel e permanecer até a hora do jogo; exceção feita apenas quando o jogo em questão é o Grenal, como acontecerá no próximo domingo (10).
Na Europa, a concentração antes dos jogos passou a ser abolida ainda na década de 1970, a partir dos clubes ingleses. Atualmente, os grupos permanecem reunidos apenas na véspera de grandes decisões.












