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BRASILEIRO 2022

Após ser chamado de "jogador de Twitter", Bernard diz que volta à Ucrânia na segunda

Atacante brasileiro foi duramente criticado pelo técnico do Shakhtar Donetsk

Futebol|Do R7

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Bernard é o único brasileiro que ainda não retornou ao Shakhtar
Bernard é o único brasileiro que ainda não retornou ao Shakhtar

O meia-atacante Bernard se pronunciou nesta quinta-feira (14) sobre o seu sumiço do Shakhtar Donetsk, que o levou a ser duramente criticado por Mircea Lucescu, técnico do time ucraniano. O jogador reconheceu que não se reapresentou na data combinada (10 de agosto), prometeu retornar ao clube, mas se defendeu ao dizer que está com medo da situação de instabilidade política na Ucrânia, o que o levou a adiar a sua viagem de volta, agora marcada para a próxima segunda-feira.

— Confesso sim, que estou com receio de voltar à Ucrânia. Respeito os atletas que retornaram, mas é um sentimento muito particular e que envolve a minha vida e a de meus familiares. Contudo, pedi a meu agente que mantivesse contato com o clube, e definimos em conjunto, que, mesmo com todos esses problemas que o país vive e com meu receio explicado à diretoria do Shakhtar, vou voltar ao país no dia 18 de agosto.


A ausência de Bernard na data combinada irritou Lucescu. O treinador, inclusive, declarou que o jogador não deu qualquer satisfação ao Shakhtar Donetsk nos últimos três meses, numa referência ao início do período em que ele foi liberado para defender a seleção brasileira na Copa do Mundo. O meia-atacante, então, reconheceu o seu erro, mas ironizou a declaração do seu treinador, que o chamou de "jogador de Twitter".

— Acertei com o Shakhtar meu retorno à Ucrânia para 10 de agosto. Assim, teria praticamente o equivalente a um mês de férias. O clube, ciente e de acordo com a data, me enviou passagem aérea datada do dia 10 de agosto, para que eu voltasse. Reconheço, portanto, que hoje, dia 14 de agosto, completarão quatro dias que não estou presente na Ucrânia, E isso, claramente não representa que estou três meses de férias. Este adiamento de minha apresentação tem motivos que considero muito sérios e quero explicá-los.


Bernard não retorna à Ucrânia e técnico chama brasileiro de “jogador de Twitter”

Bernard, porém, tentou usar o momento de turbulência na Ucrânia para justificar o seu atraso e avaliou estar sendo "profissional" ao voltar ao time no início da próxima semana.


— Estou retornando a um país que vive um conflito que tem tirado muitas vidas e não há qualquer garantia de término. Mesmo assim, sou um profissional que irá cumprir o contrato que assinou. Apenas coloquei na balança, além do profissionalismo, o medo de envolver a mim e meus familiares em um conflito tão perigoso pelo qual passa a Ucrânia. Quem não faria isso?.

Contratado pelo Shakhtar Donetsk no meio do ano passado, Bernard se apresentou ao clube ucraniano pouco depois de conquistar o título da Copa Libertadores pelo Atlético Mineiro. E, em sua nota oficial, ele afirmou que chegou a um clube e a um país com um clima bem diferente do atual.


— É de domínio público que a Ucrânia vive um conflito perigoso e que tem colocado vidas em risco. Vivo com toda minha família por lá desde o ano passado. Quando assinei meu contrato para atuar pelo Shakhtar, o país não vivia esse momento conturbado. Assinei o compromisso também porque havia a promessa de morar em uma cidade com estrutura excelente, trabalhar em um CT e jogar em um estádio com condições de primeiro mundo.

A Ucrânia passa por um momento de forte tensão política com a Rússia. Donetsk é a cidade com maior predominância de manifestantes pró-russos, que querem a união com o país vizinho e enfrentam a resistência do governo central da Ucrânia. Até por isso, o Shakhtar não treina e nem joga na cidade, mandando as suas partidas em Lviv, o que foi lembrado por Bernard para explicar o seu medo.

— Os problemas não acabaram, tanto que o próprio clube teve de mudar de sua sede para seguir suas atividades em uma cidade a 700 km de distância. Hoje, não posso retornar para Donetsk. Em casa ficaram os meus pertences pessoais e de minha família. Todas minhas roupas, por exemplo, estão por lá. Objetos que levei da minha residência no Brasil hoje estão inacessíveis e não sei quando, e se, poderei um dia pegá-los de volta.

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