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Fora da arena de mármore: sem dinheiro ou ingresso no Itaquerão

R7 reuniu torcedores que não conseguiram entrar no estádio, mas também comemoraram classificação do Corinthians para final da Copa do Brasil

Especiais|André Avelar, do R7

Itaquerão recebeu 44.406 pessoas na arquibancada e dezenas do lado de fora
Itaquerão recebeu 44.406 pessoas na arquibancada e dezenas do lado de fora Itaquerão recebeu 44.406 pessoas na arquibancada e dezenas do lado de fora

O clássico era para as duas maiores torcidas do país, mas muitos também foram aqueles que ficaram do lado de fora do Itaquerão, na última quarta-feira (26). De uma fresta que mal dava para ver o campo, torcedores sem dinheiro e sem ingresso para a arena revestida em mármore também comemoraram a classificação do Corinthians sobre o Flamengo, pela semifinal da Copa do Brasil.

Mas ver o campo propriamente não era o principal objetivo da dezena de torcedores que acompanhava o segundo jogo da semifinal, em plena calçada da avenida Miguel Ignácio Curi, na zona leste de São Paulo. Só sentir a vibração do total de 44.406 pessoas já valia a pena para a igualmente fiel torcida. Os momentos de gol, a favor e contra o time do coração, são iguais aos da verdadeira arquibancada.

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Sem dinheiro

Mineli levou o enteado Pedro Henrique para seu primeiro jogo em um estádio
Mineli levou o enteado Pedro Henrique para seu primeiro jogo em um estádio Mineli levou o enteado Pedro Henrique para seu primeiro jogo em um estádio

A ‘informal arquibancada’, recuada por um gradio extra, reservou espaço inclusive para uma primeira vez em um estádio de futebol. Rafael Mineli, de 32 anos, fez questão de afastar qualquer fama de mau própria dos padrastos e levou o enteado Pedro Henrique Oliveira, de 10 anos, para a beira do estádio. O olhar maravilhado com o que conseguia ver, o susto com o foguetório de antes do jogo, a timidez ao ser abordado por câmera fotográfica e gravador, confirmavam que se tratava da estreia naquele ambiente que já quer voltar mais vezes.

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“É muito legal estar aqui. Diferente de ver lá de casa”, disse Pedro Henrique, que só reclamou do horário do jogo. “Gosto muito do Corinthians, assisto aos jogos, mas só o primeiro tempo. Geralmente, eu não aguento e durmo no segundo porque tenho que acordar cedo para ir para a escola.”

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“É muito bom proporcionar uma coisa dessas para uma criança. Mas… Sabe como é que é? Fim do mês já. O ingresso está muito caro. Na época de Pacaembu, dava para ir, mas aqui é muito caro”, completou Mineli, que mora com a mãe de Pedro, no bairro Aricanduva, vizinho ao estádio. 

O público-geral, fora do programa de sócios do clube, teve acesso a somente dois setores da arena: arquibancada leste superior central, com valor de face de R$ 118; e arquibancada oeste inferior, a R$ 228. Ainda assim, o público total do jogo pela Copa do Brasil superou o recorde do ano de 43.535, obtido na final do Campeonato Paulista, contra o Palmeiras.

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Sem ingresso

Camargo: 'o drama do torcedor corintiano que não conseguiu ingresso'
Camargo: 'o drama do torcedor corintiano que não conseguiu ingresso' Camargo: 'o drama do torcedor corintiano que não conseguiu ingresso'

Além de conseguir juntar dinheiro para ir à partida no final do mês, o torcedor corintiano também se viu na fila online para comprar um bilhete de um jogo tão concorrido. Como não haveria no mundo estádio que suportasse toda a torcida corintiana, a velha lei da oferta e da procura se faz presente na prática. Não demora muito então e lá se vão os ingressos dos setores mais baratos.

Nesse time está Alberto Camargo, que também acompanhou a partida pelo lado de fora. Com incontáveis jogos de arquibancada mesmo no currículo, Camargo é daqueles torcedores que, claro, não gostam de conversa fiada durante o jogo - ainda mais quando o Flamengo já havia acabado de empatar a partida. A foto acima no visor da câmera fotográfica, no entanto, amolece o rapaz de 25 anos, mas só naqueles segundos antes da reposição de um tiro-de-meta.

“Já sei o que vocês vão por de legenda dessa foto: ‘o drama do torcedor corintiano que não conseguiu ingresso’. Estava com uns amigos, eles entraram e eu acabei ficando de fora. Também não dá para comprar de cambista. Tem muito ingresso falso”, disse, já de novo vidrado no telão que transmite a partida.

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Oportunidade de negócio

Guedes comemorou a classificação do Corinthians e os R$ 40 de latinha
Guedes comemorou a classificação do Corinthians e os R$ 40 de latinha Guedes comemorou a classificação do Corinthians e os R$ 40 de latinha

Ainda do lado de fora do Itaquerão, há também quem não se importe com o time dos sem dinheiro ou sem ingresso. O cenário mais lucrativo para muita gente é vitória do Corinthians para que a ‘torcida fique feliz, gaste mais em cerveja e refrigerante e sobre mais latinha para a gente’. É o que explica o senhor Carlos Guedes, de 52 anos, que só deixa as sacolas quando ganha ingresso das organizadas.

“Em dia como hoje, a gente não vence de juntar latinha. Olha só isso aqui. Aqui tem uns… R$ 40. Acho que a cerveja deles não vende lá dentro. O pessoal aqui gosta dessa”, contou Guedes, apontando para as marcas, mas esperançoso para que parem de ver cerveja engarrafada em vidro. “Isso é perigoso. Vai que estoura uma briga aí. Como fica? Sem contar que fica tudo cheio de caco de vidro no chão.”

O Corinthians avançou à final da Copa do Brasil com vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo. Também na última quarta-feira, no Mineirão, o Cruzeiro eliminou o Palmeiras com um empate por 1 a 1 e garantiu seu lugar na decisão. As partidas acontecem em 10 e 17 de outubro.

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