Portuguesa de 90 anos festeja CR7 com bacalhau e pasteis de Belém
Espanha e Portugal se enfrentaram nesta sexta-feira (15) na cidade de Sochi, na Rússia, na rodada do Grupo B da Copa do Mundo 2018
Copa 2018|Plínio Aguiar, do R7

Pastel de Belém. Vinho do Porto. Bacalhau. Tremoço. A mesa estava pronta na casa da dona Maria Isabel de Almeida Lopes, de 90 anos, no bairro da Vila Olímpia, na zona sul de São Paulo, para acompanhar o jogo de Portugal contra Espanha pela Copa do Mundo 2018.
Os olhares estavam atentos ao primeiro jogo de seu país natal nesta sexta-feira (15). No terceiro minuto do primeiro tempo, Portugal bate pênalti. “Vamos ver esse rapaz. Vamos, Cristiano Ronaldo”, exclamou a Maria Isabel. Gol. O primeiro dos portugueses. “É nosso! É nosso!”, diz o filho da portuguesa, o professor Luiz Fernando de Almeida Lopes, de 57 anos. “Eu não perco um jogo de Portugal”, conta ele.
Maria Isabel nasceu em Aveiro, cidade conhecida como a Veneza Portuguesa, em 1928. O pai, também português, morava na capital paulista por causa de seu trabalho. No entanto, voltou a Portugal para ter os filhos (quatro, ao todo). Quando pequena, Maria Isabel vem ao Brasil novamente em função do trabalho de seu pai e daqui não saiu.
“Lembro que no café da manhã eu ganhava um pedaço de broa, sardinha e uma caneca de vinho”, conta. “Me chamavam de 'Beinha', de 'Isabelita', sorri. A história é contada à reportagem do R7 gentilmente, mas os olhos, no entanto, estavam vidrados no craque Cristiano Ronaldo. “Ele é meu favorito.”
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“Não, não, não”, disse dona Isabel baixinho no momento em que a equipe espanhola cobrava escanteio aos 20 minutos do primeiro tempo. “Ufa”, suspirou. Passados quatro minutos, o camisa 19, Diego Costa, empata o jogo. “Agora está perigoso. É um ping-pong?”, questiona. O filho, professor Lopes, já está impaciente. “Foi falta. Como o juiz não viu?”, indaga.
O jogo segue. Falta. Cartão amarelo para o número 4 da Espanha, Bruno Fernandes. “Ele só deu uma roladinha na grama e está fazendo drama”, diz dona Maria Isabel, um pouco nervosa com o jogo. “É preciso respirar fundo.”
Aos 33 do primeiro tempo, dona Maria Isabel é esperançosa: “Portugal vai marcar mais um”, diz, com as mãos entrelaçadas e os olhares diretos e sem piscar ao (imagina) CR7 — eleito cinco vezes o melhor jogador de futebol do mundo. Aos 43 minutos, a bola balança na rede do time da Espanha. “É ele! Nosso Cristiano Ronaldo”, grita o filho mais velho, o aposentado Paulo Sergio de Almeida Lopes, de 59 anos.
O primeiro tempo termina. Árbitro apita e as equipes portuguesa e espanhola saem do campo, na cidade de Sochi, na Rússia. Do outro lado, no apartamento da senhora portuguesa, uma rodada de bolinho de bacalhau era servida. “Um pouco apertado. A Espanha é muito forte. Portugal precisa tomar cuidado”, diz dona Maria Isabel. “Ainda bem que não tenho problema do coração”, ri.
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Segundo tempo começa. A senhora portuguesa senta na sala, com os olhares novamente restritos ao jogo. Os filhos sentam-se ao lado da matriarca. De fato, era uma casa portuguesa com certeza, como diria a cantora Amália Rodrigues. Aos nove minutos, Diego Costa marca mais um para o time da Espanha. “De cabeça. Não é a primeira vez que marcam assim”, reclama o filho Paulo Lopes. A mãe concorda.
A matriarca levanta do sofá. Vai à mesa e pega mais um bolinho de bacalhau: “está tão gostoso”, diz, de longe olhando para a TV. “Cristiano Ronaldo está te deixando preocupada”, questiona a esposa do filho Paulo, a administradora de empresas Elsa Cristina.
“Problema grave de defesa. Está muito mal”, diz Paulo. Espanha marca o terceiro aos 12 minutos do segundo tempo. Nesse momento, dona Maria Isabel retorna ao sofá, ainda com o bolinho de bacalhau na mão, com o olhar um pouco mais triste.
É a primeira vez que Portugal está em desvantagem no placar. “Todos os meus netos são lindos. Olha só”, diz a dona Maria Isabel, ao pegar um quadro ao lado da TV, tentando não ficar tão preocupada com o resultado. Mostra para a reportagem uma fotografia das Bodas de Ouro, completadas em sete de dezembro de 2007. “Não tenho medo, mas estou preocupada”, assume, quando questionada sobre o atual placar do jogo.
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“Vamos, Portugal, vamos”, grita o filho Luiz, puxando o sotaque do país de origem de seus pais. “Ainda há tempo.”
O clima na casa da matriarca portuguesa era de tensão. A metade do segundo tempo chegou. Portugal estava perdendo de 3 a 2 para a Espanha. “Mais um, mais um”, pedia a dona Maria Isabel. Os braços cruzados da senhora aos 37 do segundo tempo denunciavam a tristeza. Portugal não avançava. Nesse momento, era possível ouvir reclamações sobre a equipe portuguesa.
Aos 41 minutos, o espanhol Piqué dá o bote errado faz falta em Cristiano Ronaldo. O craque português cobra e balança a rede espanhola. “Quando ele levanta os shorts é gol”, diz comemorando o professor Luiz. A matriarca logo abre o sorriso no rosto: “Vai, Portugal”, ri.
Quatro minutos de acréscimo. O árbitro encerra o jogo. “Estou feliz com o resultado. Meu Cristiano fez todos os gols”, conta a matriarca. Dona Maria Isabel esbraveja: “é 3 a 3”. Em meio ao barulho de aviões pousando e decolando no Aeroporto de Congonhas, a felicidade, agora, era sentida e vista novamente no apartamento de portugueses. “Viva, Portugal. Viva, Cristiano Ronaldo”, finaliza dona Maria Isabel.
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Pastel de Belém, Vinho do Porto, bacalhau e tremoço. A mesa estava pronta na casa da dona Maria Isabel de Almeida Lopes, de 90 anos, no bairro da Vila Olímpia, na zona sul de São Paulo, para acompanhar o jogo de Portugal contra Espanha pela Copa do Mundo 2018. O R7 acompanhou a família durante o jogo, que terminou em empate (3 x 3) nesta sexta-feira (15)









