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'O PALMEIRAS ERA CONTRA O PRÓPRIO PALMEIRAS. POR ISSO FICOU 16 ANOS SEM TÍTULO. ERA MUITA VAIDADE.'

Tudo de Esportes|Do R7

Seu nome é inesquecível para a torcida do Palmeiras.

Rosemiro.

Um dos melhores da história do Parque Antártica.

Taticamente pelo menos 30 anos à frente do seu tempo. Atuou entre 1975 e 1980 com a camisa verde. Foram cerca de 300 partidas.


"Eu não era um lateral comum, de só marcar, nem passar do meio-campo. Durante o jogo, exercia, duas, três funções táticas. Era lateral, volante, ponta. As pessoas se espantavam na época. Muitos jornalistas nem entendiam o que eu fazia.

"Mas há explicação. Quem me formou taticamente, na Seleção Olímpica, foi Cláudio Coutinho, um gênio. Depois peguei pela frente o Oswaldo Brandão, sensacional no comando de um grupo. E, finalmente, o Telê Santana, que antevia os jogos, a movimentação do adversário e adorava montar times ofensivos, poderosos."


Aos 71 anos, Rosemiro segue com a memória viva e um corpo atlético. Dono de preparo físico incrível, quando jogava, viveu muitas histórias importantes.

E generoso, repare algumas.


"O Jorge Mendonça era meu grande amigo no Palmeiras. Veio de Pernambuco e acabou se perdendo na noite de São Paulo. Virou alcoólatra. Várias vezes chegava no treino virado, das noitadas.

"O Telê Santana era muito rígido. E eu me coloquei várias vezes contra o Telê, que queria punir o Jorge. Ele precisava de ajuda, não de punições. Irritei tanto o Telê que, quando ele assumiu a Seleção Brasileira, foi muito homem.

"Me chamou para conversar e disse que não me levaria para a Copa do Mundo de 1982, apesar de eu merecer pelo que fazia em campo. Mas não poderia ter no grupo um jogador que o desrespeitava. Entendi e não me arrependo. Defenderia de novo, meu amigo Jorge Mendonça."

Rosemiro lembra também a espetacular semifinal do Brasileiro entre Palmeiras e Internacional. 'Tínhamos empatado em Porto Alegre, em 1 a 1. No Morumbi lotado de palmeirenses, tínhamos a chance de jogar com inteligência. Mas o Telê Santana só pensou no ataque. Nós jogamos abertos. Havia uma polêmica criada pela imprensa paulista, antes do jogo: quem era melhor? Mococa, nosso volante. Ou Falcão?

"O resultado de Telê ter colocado o Palmeiras aberto. 3 a 2 Internacional. Com dois gols do Falcão, que teve uma atuação sensacional.

"O Telê sempre desprezou a chance de empatar jogos, mesmo sendo melhor para o time, para a Seleção. Por isso não estranhei a derrota contra a Itália na Copa de 1982. O Brasil atacando quando o empate bastava."

Rosemiro, paraense, sentiu o choque da cidade grande, de São Paulo. O pior foi o apelido irônico que o grande narrador Osmar Santos decidiu colocar no lateral. 'Namoradinho de Raquel Welch', por seu rosto não ser bonito.

"Foi ruim. Gosto muito do Osmar, sei que ele não fez por mal. Mas ela doloroso. Principalmente para a minha família. Mas já passou."

Rosemiro também não esquece a Olimpíada de 1984. "Ficamos seis meses no preparando. Ganhamos o Panamericano. Tínhamos um timaço. Com Carlos, da Ponte, Júnior, do Flamengo, Batista, do Inter, Edinho, do Fluminense, Marinho, Botafogo.

"Ganhamos dos times da nossa idade, até 21 anos, éramos 'amadores'. Todos com 'contrato de gaveta'. Eu já era do Palmeiras, comprado do Remo. Só que enfrentamos os 'amadores' da Cortina de Ferro. Lá diziam que não existia o 'futebol profissional'. Enfrentamos jogadores de 28, 30, 31 anos. Aí, não deu. Perdemos para a Polônia e para a União Soviética. Fomos quartos colocados.

"O Coutinho foi nosso técnico. O governo (ditadura) nos apoiou. Queria a medalha de ouro. Treinamos por seis meses, mas não conseguimos."

Rosemiro lembra que chegou ao Palmeiras no fim da segunda Academia. Foi uma pena. Venderam o Luís Pereira e o Leivinha para o Atlético de Madrid. O time sensacional estava sendo desfeito. Jogadores envelheceram. Ganhamos só o Paulista de 1976.

"E a direção errou muito. Daí o jejum de 16 anos sem títulos. Hoje, o Palmeiras está espetacular. Mas na minha época, os dirigentes se sabotavam. A oposição sabotava a situação. O reflexo caía no time. Foi um desperdício."

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Instagram: @cosmerimoli

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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