Michael Langhi comenta sobre a não realização do Brasileiro em abril e opina: ‘Difícil que o torneio aconteça em 2020’

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*A comunidade do Jiu-Jitsu estaria nesta semana, se não fosse a pandemia do novo coronavírus, com os olhos voltados para Barueri (SP). Principal torneio de arte suave do país, o Campeonato Brasileiro seria realizado do último sábado (27) até o próximo domingo (28). Pentacampeão do torneio, Michael Langhi, que encerrou suas carreira no tatame e atualmente é o CEO da Alliance SP, conversou sobre esse cancelamento do evento em 2020.

A Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu, a CBJJ, tomou a decisão no começo da pandemia no Brasil, em março. O órgão não informou uma nova data de disputa. Segundo Langhi, a não realização do torneio, no mês de abril que já é uma tradição, tem um impacto para a modalidade.

“Com certeza vai ter um impacto a não realização do Brasileiro. É um campeonato já tradicional no calendário da CBJJ, o maior torneio e de mais alto nível que nós temos no país. Muitos atletas o usam como um termômetro de preparação para o Mundial – tendo em vista que é um mês antes. Pessoas que não têm visto para os Estados Unidos, usam o Brasileiro como se fosse um Mundial. Tem um peso muito importante para esses lutadores. Por tudo isso, acho que será um impacto muito grande para a comunidade do Jiu-Jitsu. É a primeira vez que isso não acontece, então, acredito que isso ficará marcado”, opinou o faixa-preta.

Existe a expectativa de lutadores e professores que o evento possa acontecer mais para o fim de 2020. Ao ser indagado pela reportagem da TATAME sobre medidas restritivas no número de atletas ou portões fechados, Langhi acredita que, no atual cenário, é quase inviável a realização da competição neste ano.

“Eu acho muito difícil que a edição de 2020 aconteça. Se for realizado, vão ter que tomar medidas restritivas. Ninguém ainda sabe muito sobre os protocolos de segurança que estão mudando semanalmente. Estamos vivendo esse mesmo drama com as academias de Jiu-Jitsu. A cada semana, a informação é diferente e isso é muito cíclico. Não temos como prever muito o que vai acontecer”, comentou Langhi, que seguiu:

“Eu não acho que será realizado, porque mesmo que se tome a decisão de fazer com os portões fechados e restrição no número de atletas… O que vai acontecer é o seguinte: o Brasileiro tem 4 ou 5 mil competidores, então, mesmo com os portões fechados, esse número iria lotar o ginásio. Não seria aprovado pelo Ministério da Saúde. Vamos supor que cortem pela metade, para 2.500 – o que é um alto número ainda. Fica inviável a realização. Se restringir para poucos atletas, não faria sentido para a CBJJ ter o gasto que tem. As inscrições não iriam nem sanar o custo deles para alugar o espaço e tudo o que precisa fazer para que o campeonato aconteça”, disse o faixa-preta.

Movimento para reabertura das academias

Na última semana, um grupo de lutadores e professores se reuniram na porta da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para reivindicar a reabertura das academias no estado, que é o epicentro da pandemia no país. Langhi contou que a Alliance vem trabalhando para criar protocolos de segurança sanitária, mas que só vai reabrir a partir do momento que receber uma autorização das autoridades de saúde.

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“O meu posicionamento é sempre seguir as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Estamos também desenvolvendo, dentro dos parâmetros do Ministério da Saúde, um protocolo de segurança. Esperamos a liberação (para a reabertura), não tem como ir contra um órgão de saúde, mas estamos tentando nos antecipar. Pelo que eu estou sabendo, a academia do (Romero) Jacaré, em Atlanta (EUA), reabre na semana que vem. Acho que será um parâmetro legal para sabermos como vai ser o funcionamento da academia e como os alunos vão responder mediante a esse problema. Como negócios queremos que abra o mais rápido possível, porque é preciso girar um caixa. Como um amante do Jiu-Jitsu e apaixonado pela arte, está fazendo muita falta pra mim. Mas, como um ser humano racional, sabemos que medidas drásticas precisam ser tomadas e estamos cumprindo todas elas”, concluiu.

*Por Yago Rédua

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