Especialista usa caso de Tony Ferguson como exemplo e comenta sequelas causadas por traumas na cabeça

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Realizado no último sábado (9), em Jacksonville, na Flórida (EUA), o UFC 249 reacendeu um importante debate sobre as sequelas causadas em lutadores como consequência dos golpes na cabeça a longo prazo.

Responsável pela luta principal do evento, Tony Ferguson acabou nocauteado de forma brutal por Justin Gaethje no quinto round, e segundo dados coletados durante o combate, Ferguson recebeu 143 golpes significativos, sendo 100 deles na cabeça. O lutador americano, inclusive, teve uma fratura no osso orbital, que fica localizado na região da cavidade ocular.

Após receber mais de 100 golpes significativos na cabeça, Ferguson tem osso orbital fraturado; saiba

Para debater o tema, a TATAME entrou em contato com o cirurgião Bruno Chagas, especialista do Centro de Deformidades da Face (CDF) do Rio de Janeiro. Eleito também o melhor profissional na área de cirurgia buco-maxilo-facial pela Câmara Municipal de São Paulo em 2017, Bruno falou dos problemas em decorrência dos golpes na cabeça com o passar dos anos.

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Cirurgião Bruno Chagas usou caso de Ferguson como exemplo (Foto reprodução)

“A nível neurológico, é muito ruim (a consequência). A gente tem diversos casos de lutadores famosos, como o Maguila e o Muhammad Ali, que evoluíram para Mal de Parkinson ou Alzheimer, por exemplo, entre outros problemas neurológicos”, comentou o médico, ressaltando ainda que não existe nenhum tipo de treinamento para “amenizar” as pancadas na cabeça.

Sobre o caso de Ferguson especificamente, Bruno acredita que o peso-leve poderá voltar após cerca de 45 dias, levando-se em conta que sua recuperação ocorra conforme o esperado: “Cerca de 10 dias após o trauma e a cirurgia (Ferguson foi operado um dia após a fratura), ele já vai estar com o rosto desinchado. Porém, para cicatrizar, o período é em torno de quatro semanas. A sequela mais comum nesse tipo de fratura é a diplopia, que é a visão dupla. Então, se o atleta não for operado de forma rápida e correta, isso pode evoluir. Vale citar, entretanto, que nem todos os casos necessitam de cirurgia, e que alguns evoluem para hematomas atrás dos olhos que devem ser drenados até 6h após o trauma, ou a pessoa corre o risco de ficar cega”.

O debate acerca dos riscos inerentes aos atletas que praticam esportes de maior contato é abrangente, e além do MMA, inclui lutas como Kickboxing e Boxe, por exemplo, além do Futebol Americano. O esporte, um dos principais nos Estados Unidos, inclusive gerou um estudo sobre Encefalopatia Traumática Crônica (ETC) por parte do neuropatologista Bennet Omalu – que na época chegou a ser “perseguido” – no início dos anos 2000. Outro caso é a Hidrocefalia pós-traumática, que é acúmulo excessivo de líquido, aumentando a pressão no crânio.

A doença, que já foi popularmente chamada de “demência dos pugilistas”, além de demência e perda de memória, pode causar também tremores, dificuldade na fala e na locomoção, agressividade, depressão e outros descontroles emocionais. Por fim, o cirurgião comentou a respeito das melhores formas de prevenção, destacando que o ideal – apesar de impossível para certos atletas – é evitar traumas repetitivos em qualquer área da cabeça.

“Como são atletas de alto rendimento e que tem envolvimento direto com um esporte de impacto, a grande prevenção é buscar ajuda assim que sair da luta. No mais, outras formas de se prevenir esse impacto são usando capacete, luvas e protetor bucal”, encerrou.

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