Silvio Lancellotti No Brasileiro, sete trocas de treinador. Mas, adiantou mudar?

No Brasileiro, sete trocas de treinador. Mas, adiantou mudar?

O certame atinge a sua rodada de número dez. Dos sete clubes que mudaram os seus técnicos, porém, apenas dois melhoraram as suas posições.

Os vinte clubes do Brasileiro de 2020

Os vinte clubes do Brasileiro de 2020

Reprodução Rede Brasil

Emaranhado numa confusão tão maluca, tão desenfreada, que ninguém na Mídia pareceu capaz de cravar o número exato de personagens, o Brasileiro de 2019 superou todos os recordes no departamento de mudanças das comissões técnicas. Falou-se de 24 até 27. Mas, pelas minhas contas, inclusive os interinos e ainda aqueles que protagonizaram inusitadas viagens de ida e volta, foram 51 os indigitados que ocuparam o posto de treinador nas vinte agremiações do certame ganho pelo Flamengo do lusitano Jorge Jesus, enfim substituído por um espanhol, Doménec Torrent.
 

A taça de campeão

A taça de campeão

CBF

Jesus se despediu por conta própria, de saudade da pátria. Mas o torneio de 2020, cujo começo a Covid-19 atrasou para 8 de Agosto e cujo término talvez só ocorra em 24 de Fevereiro de 2021, ah, esse promete uma balbúrdia equivalente. Neste domingo, dia 13 de Setembro, em que desembarcou na rodada 10, e com ainda cinco jogos atrasados de jornadas anteriores, o certame já testemunhou sete quedas efetivas. Eis as trocas e a síntese das performances dos clubes respectivos. Das sete novas comissões técnicas agora em ação, meramente duas venceram, as do Goiás e do Athletico/PR.

Thiago Larghi, do Goiás

Thiago Larghi, do Goiás

Rosiron Rodrigues/GoiásFC

GOIÁS
Ironicamente, Ney Franco, o primeiro dos sete demitidos, era o mais duradouro nos clubes afetados. Ocupava o seu posto desde 7 de Agosto de 2019 e desabou pouco mais de um ano além, em 20 de Agosto de 2020, logo depois da rodada de número 4. Tinha um combate adiado, duas derrotas e um empate. Em 21 de Agosto, assumiu Thiago Larghi, ex-Atlético Mineiro. Com Larghi, o “Verdão da Serra” não melhorou praticamente nada: uma vitória, um empate e duas derrotas, até que, neste 20 de Agosto, em seu Estádio Hailé Pinheiro, recebeu o líder Internacional de Porto Alegre. Teve um jogador expulso logo aos 4’, e ainda assim realizou 1 X 0. Então, bravamente segurou o placar para a justa euforia de Larghi e dos seus pupilos.

Jorginho, do Coritiba

Jorginho, do Coritiba

coritiba.com

CORITIBA
Outro antigo no cargo, desde 20 de Dezembro, Eduardo Barroca também caiu logo ao se encerrar a rodada 4, mas no dia 21 de Agosto. Carregava quatro derrotas seguidas. Imediatamente assumiu o seu posto Jorge de Amorim Campos, o Jorginho, campeão do mundo com a seleção brasileira de 1994 nos EUA. Na verdade, reassumiu, pois já fôra o treinador do “Coxa” em 2019, na campanha de retorno à Série A. Com Jorginho, o Coritiba ameaçou se reequilibrar, duas vitórias, duas igualdades, duas derrotas, até tombar no sábado, dia 12 de Setembro, precisamente em visita ao rival Athletico, 0 X 1. Resultado: continuou na precariedade da zona de rebaixamento à Série B.

Jair Ventura, do Sport Recife

Jair Ventura, do Sport Recife

Anderson Stevens/SCRecife

SPORT RECIFE
Um antigo meio-campista, a perambular por uma dúzia de agremiações, Daniel Pollo Barión, apelidado Paulista porque nasceu em Ribeirão Preto, assumiu o “Leão” em 14 de Fevereiro depois de levar o Confiança de Sergipe à Série B. Caiu em 23 de Agosto, no currículo um triunfo, um empate e três derrotas. No dia 24, assumiu o seu lugar Jair Ventura, passagens irregulares por Botafogo, Santos e Corinthians. Obteve duas derrotas e duas vitórias, uma delas excelente, sobre o Grêmio, em Porto Alegre, em um episódio que lhe garantiu a sobrevivência até este dia 13, quando o seu elenco hospedou o invicto Palmeiras. E que continuou invicto, 2 X 2. Quanto a Jair, vida que segue.

Eduardo Maciel de Barros, do Athletico/PR

Eduardo Maciel de Barros, do Athletico/PR

@Athletico

ATHLETICO PARANAENSE
Um sólido médio-volante de destaque no Palmeiras entre 1989 e 1992, Dorival Silvestre Júnior, 18 anos de carreira como treinador, estava no “Furacão” desde o dia 27 de Dezembro de 2019. Inclusive conduziu o rubro-negro ao título estadual da temporada. E, neste Brasileiro, ganhou os seus dois primeiros cotejos. Depois, porém, sucumbiu a três derrotas consecutivas e perdeu o lugar no dia 28 de Agosto. Subiu de degrau, mais uma vez, Eduardo Maciel de Barros, paulista de Campinas, 35 de idade, sempre um interino à disposição da cúpula do “Furacão”. Na base do time desde 2014, com um intervalo no Audax de Osasco, já havia orientado o elenco principal antes de Dorival. E se aliviou ao ganhar, precisamente, do inimigo Coritiba, no sábado, dia 12 de Setembro, 1 X 0 no seu Barradão.

Maurício Barbieri, do RB Bragantino

Maurício Barbieri, do RB Bragantino

@RBBraga

RED BULL BRAGANTINO
Campeão Nacional da Série B de 2019 com duas pugnas de antecedência, um precioso primeiro semestre em que realizou a melhor performance no turno de classificação do Brasileiro, Felipe Conceição não passou da rodada 6 do Nacional de 2020. Tinha um triunfo, duas igualdades e duas derrotas quando o Fortaleza lhe pespegou 3 X 0 e o chamado clube-empresa o demitiu em 31 de Agosto. Maurício Barbieri, o treinador do CSA entre Dezembro e Fevereiro, enfim assumiu o RB no dia 2 de Setembro. A “débâcle”, todavia, prosseguiu. Neste domingo, o Braga chegou a manter o empate, 1 X 1, até que, aos 87’, numa pressão impressionante, no Mineirão, o Atlético/MG fez fez 2 X 1 e relegou Barbieri à rabeira da classificação.

Mano Menezes, do Bahia

Mano Menezes, do Bahia

Felipe Oliveira/ECBahia

BAHIA
Mesmo um dirigente de estilo moderno, inovador, como Guilherme Bellintani, o presidente do “Tricolor de Aço”, tem momentos em que depara com um limite. No caso, a compulsão de demitir Roger Machado, o treinador desde Abril de 2019. Aconteceu em 2 de Setembro, depois de o Bahia perder do Flamengo, 3 X 5, no Estádio do Pituaçu. Ironicamente, o elenco do “Tricolor” não parecia ruim no torneio: uma pugna adiada, duas vitórias, dois empates, e havia realizado uma bela porfia diante do atual campeão do País e da Libertadores. Desde 4 de Agosto, todavia, a data em que o Ceará superou o Bahia e arrebatou a Copa do Nordeste, eram brutais as pressões da torcida. Em 8 de Setembro, outro gaúcho, Mano Menezes, assumiu. Por enquanto, sem sucesso. Mesmo dentro de casa, o “Tricolor” permitiu o sucesso do Atlético Goianiense, que pôde escapulir da zona de rebaixamento.

Dyego Coelho, do Corinthians

Dyego Coelho, do Corinthians

@SCCP

CORINTHIANS
No seu segundo retorno ao “Timão”, depois de meses de crise, enfim, no 3 de Novembro de 2019, Fábio Carille se afastou do encargo. No dia 7, o clube informou que havia contratado Tiago Retzlaff Nunes, advindo de uma ótima performance no Athletico Paranaense. Estranhamente, no entanto, o novo treinador apenas assumiria em Janeiro de 2020. E, em três circunstâncias, seria abalroado pelo rival mais desprezado, o Palmeiras. Não chegou a enfrentar o “Verdão” na insólita Florida Cup mas o velho adversário levou a taça. Daí, nos penais, perdeu o título do Paulistão. Pior, no primeiro empenho como mandante na sua Arena enfim-com-nome de Itaquera, a Neo-Química, no dia 11 de Setembro, soçobrou, humilhantemente, por 0 X 2.

Tiago Nunes, ex-"Timão"

Tiago Nunes, ex-"Timão"

Adriano Vizoni/FolhaPress

E não se diga que Tiago desabou apenas por sua sucessão de fracassos diante do Palmeiras. Na verdade, em quatro confrontos diretos, ele até ostentava um triunfo e duas igualdades. Sucumbiu pelo conjunto da sua obra: num total de 27 jogos, 8 vitórias, 10 igualdades e 8 derrotas, o aproveitamento de menos de 42%. Além disso, em toda a sua gestão lhe faltou o crucial acolhimento de um elenco insatisfeito pela indefinição dos onze titulares. Assumiu a posição o interino de praxe, o mesmo Dyego Coelho que já havia substituído Carille em 2019. Herança patética da gestão de Tiago, uma ausência integral de padrão, perdeu do Fluminese por 1 X 2 e mergulhou perigosamente na obscuridade da zona de rebaixamento. Haja drama à vista em Itaquera.


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