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Nada contra a Liga de Clubes. Mas, por favor, com um alfaiate melhor

Já com um racha entre os egoístas e os times que pedem uma distribuição mais equilibrada das rendas, a costura financeira da operação está entregue ao polêmico advogado Flávio Sveiter

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

A bola oficial do futebol brasileiro
A bola oficial do futebol brasileiro A bola oficial do futebol brasileiro

Colegas vários, e mais competentes, e até muito mais enfronhados nos bastidores do futebol do país, já escreveram críticas contundentes às tramitações sem transparência a respeito da criação da nova Liga Brasileira, a denominada Libra, que deveria englobar os 20 clubes da Série A e também aqueles 20 da Série B. Trataram, por exemplo, do impiedoso egoísmo de alguns dos clubes (Bragantino, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Ponte Preta, Santos, São Paulo), que se consideram privilegiados e pretendem um bocadão maior do butim de arrecadação. Ainda trataram da correta posição de outros (AthleticoPR, AtléticoGO, Brusque, Ceará, Cuiabá, Fortaleza, Fluminense, Náutico, Operário de Ponta Grossa, Sampaio Corrêa, Vila Nova), rebeldes ao predomínio dos soberbos, tanto que se autobatizaram de “Forte Futebol”. E também trataram de quem propôs apadrinhar a Libra, a Codajás Sports Kapital, do supergrupo BTG Pactual – ou o bilionário André Esteves.

Flávio Sveiter, no estapafúrdio julgamento da Lusa
Flávio Sveiter, no estapafúrdio julgamento da Lusa Flávio Sveiter, no estapafúrdio julgamento da Lusa

Nada contra uma liga no Brasil. Os principais certames da Europa, todos bem-sucedidos, economicamente, são organizados e administrados por entidades comandadas por seus times: a Bundesliga, na Alemanha; a La Liga; na Espanha; a Ligue 1, na França; a Premier, na Inglaterra; a Lega, na Itália. Maravilha. Quase nada se falou, todavia, da origem do projeto e, principalmente, do personagem incumbido da costura das negociações. O projeto nasceu de um troca-troca. Quando o presidente Rogério Caboclo foi banido da CBF por assédio moral e sexual, os clubes toparam apoiar a eleição de Ednaldo Rodrigues, obscuro cartola da Bahia, e ganharam o direito de montar a Libra. O alfaiate de plantão se chama Flávio Sveiter, advogado de 40 anos, de Niterói/RJ, neto do magistrado Waldemar Sveiter e filho do magistrado Luís Sveiter. Também nada contra a um causídico supervisionar tal espécie de operação. De todo modo, são fartas as polêmicas que se espalham por seu currículo.

José Maria Marin e Marco Polo Del Nero
José Maria Marin e Marco Polo Del Nero José Maria Marin e Marco Polo Del Nero

Em 2013, era exatamente Flávio Sveiter o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva que, numa das suas decisões mais controvertidas e estapafúrdias, capou quatro pontos da garbosa Portuguesa de Desportos no Brasileiro de então. A acusação: escalar irregularmente um jogador. Consequência: a Lusa derrubada à Série B, o Fluminense livre da queda à segunda divisão. Depois, entre 2017 e 2021, indicado pela Conmebol para membro do Comitê de Ética da Fifa, o primeiro brasileiro a receber tal honraria, se absteve de julgar Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF. Uma inutilidade porque o Comitê eliminou Del Nero por suborno e corrupção. O mesmo Del Nero que, formalmente procurado pelo FBI, não ousa sair do Brasil pois tem medo de ser preso, como sucedeu a José Maria Marin.

Mário Celso Petraglia
Mário Celso Petraglia Mário Celso Petraglia

E o nome de Flávio Sveiter ainda apareceu em uma das fases da Operação Lava Jato do Rio de Janeiro. Por uma denúncia do Ministério Público, teria emitido uma série de notas fiscais, falsas, de suposta prestação de serviços, contra a Federação do Comércio, em troca do pagamento de propina estimada em R$ 5 mi. Enredados no chamado “E$quema S”, diversos escritórios de advocacia e Flávio ainda foram acusados de tráfico de influência, graças aos seus laços familiares com integrantes do STJ e do TCU. Num dos convescotes dos times, na fase de preparação da Libra, o sempre aguerrido Mário Celso Petraglia, presidente do AthleticoPR, se horrorizou ao saber que Flávio Sveiter abocanharia uma comissão absurda apenas pela “costura das negociações”. Para piorar o cenário, já se programou uma nova reunião dos clubes no dia 12. Onde? Na sede da CBF. Impossível melhor piada pronta.

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