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Flamengo 2 X 1 River, na incrível ressurreição do herói Gabigol

Artilheiro do Brasileiro, desaparecido em praticamente toda a decisão da Libertadores, em três minutos, no final do jogo, ele salva a taça

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti


O arremate fatal do Gabigol, Flamengo 2 X 1 River Plate
O arremate fatal do Gabigol, Flamengo 2 X 1 River Plate

Ah, ironia das ironias. Caso valessem, neste sábado, dia 24 de Novembro de 2020, as classificações dos seus respectivos campeonatos nacionais, apenas o Flamengo, líder folgado no Brasileiro, já teria se assegurado na Copa Libertadores da próxima temporada. Quarto colocado no Argentino, o River Plate se limitaria, porém, ao consolo de uma vaga na Sul-Americana. Verdade que o Brasileiro se aproxima do seu final e o Argentino, de calendário europeu, nem se avizinhou da sua metade. Verdade também que, na final da mais importante competição interclubes do continente, a segunda mais representativa do mundo, nada significam as estatísticas prévias. Trata-se de um cotejo inigualável. Todavia, o “Urubu” do Rio viajou até Lima, no Peru, um pingo favorito sobre “El Millionario” de Buenos Aires.

O estandarte comemorativo do River
O estandarte comemorativo do River

Desta vez, aliás, mais do que inigualável, cotejo único. E que se resolveu em 270 segundos, Flamengo 2 X 1. Pela primeira vez em sua História, inaugurada em 1960, agora na edição de número 60, a Libertadores se decidiu em um só jogo e numa sede antecipadamente escolhida. A Conmebol, entidade que organiza o Futebol por estas plagas do planeta, definira a capital do Chile, Santiago, para protagonizar o evento de estréia no formato novo. Uma crise política, com as suas manifestações de rua, no entanto, exigiu uma transferência. E nada melhor do que Lima, recente anfitriã dos Jogos Pan-Americanos. Lima, a cidade. Pois, curiosamente, ao invés do Municipal que testemunhou a abertura e o encerramento do Pan, coube ao Estádio Monumental Universitário receber a porfia estritamente ludopédica.

Torcida do River, no Monumental de Lima
Torcida do River, no Monumental de Lima

Por razões não necessariamente lógicas, as imagens de TV que chegaram ao Brasil insistiram em apregoar que havia mais torcedores do Flamengo no Monumental. O gol do River, aos 14’, do colombiano Rafael Borré, no entanto, atestou o equilíbrio das platéias. Praticamente metade do estádio delirou com uma jogada que parecia desastrosa e se demonstrou afortunada. No lado direito do ataque do “Millionario”, uma investida hesitante de Ignácio "Nacho" Fernández, a pelota que parecia já perdida através da linha de fundo, a recuperação e o cruzamento do platino, uma imperdoável distração coletiva de seis, repito, seis atletas do “Urubu”, o arremate a meia-força de Rafael Borré, o pulo atrasado do arqueiro Diego Alves, e 1 X 0 em favor do River.

A celebração de Rafael Borré
A celebração de Rafael Borré

Exatamente com que havia sonhado o seu treinador, o antigo meio-campista Marcelo Gallardo, o “Napoleão”, prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta/1996 aos 20 anos de idade. Inaugurar o resultado no comecinho da pugna e daí se resguardar, confiar na perseguição implacável dos seus atletas aos mais rápidos e habilidosos do Flamengo, e especular apenas nas contra-ofensivas. Exatamente o que não havia fantasiado o rival Jorge Jesus, treinador lusitano do “Urubu”, já nos seus 65. Pois o seu time se desnorteou, sumiu o seu toque de bola, se apagaram De Arrascaeta e Gérson, o clube carioca se limitou às solitárias, patéticas, corridas de Bruno Henrique. Esgotado o primeiro tempo, o Flamengo não tinha chutado uma escassa vez à meta de Armani. Sobraria um trabalhão danado, mesmo, para Jorge Jesus, no intervalo.

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Jorge Jesus, a tensão ao lado do gramado
Jorge Jesus, a tensão ao lado do gramado

Só na volta dos vestiários o fã do Fla se lembrou de que existia um Gabigol na peleja. Aos 48’, enfim, ele, o artilheiro destacadíssimo do Brasileiro, desferiu um tiro na direção de Armani, que encaixou sem sustos. Paralelamente, o elenco de Gallardo principiou a brincar com a clássica catimba de todos os vizinhos de América quando ocorre de desafiarem o Futebol do Brasil. Cerca de meio minuto na cobrança de uma lateral. Draminhas cinematográficos na queda de um mínimo esbarrão. Aos 57’, numa grotesca mistura de falta de tranqüilidade com excesso de afobamento, num mesmo lance, e em duas ocasiões, o Flamengo desperdiçou o tento da igualdade. Dramão.

Diego, entrou e mudou o destino do cotejo
Diego, entrou e mudou o destino do cotejo

Tão mal, mas tão mal, se postava o seu time, que aos 65’ o já tenso Jorge Jesus se obrigou a sacar Gérson, o seu astro principal no Brasileiro, e resgatar Diego Ribas, ex-Santos, um veterano de 34 de idade e, pior, convalescente de uma lesão, num esforço quase desesperado de arrumar a sua armação de jogadas. A presença de Diego e o claro cansaço dos atletas do River, evidentemente desgastados pelo seu tropel incessante em busca dos adversários através do gramado inteirinho, de fato propiciaram alguma esperança. Cadê a pontaria, porém? Muito, muito pior, quando surgia uma chance de arremate a pelota esbarrava numa sólida muralha de beques atentos e concentrados.

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A capa do Twitter oficial do Flamengo
A capa do Twitter oficial do Flamengo

Aos 88’, entretanto, a água mole perfurou o rochedo que se esmerava em resistir. Bruno Henrique escapuliu, veloz, através do flanco esquerdo e, quase caído, tocou cruzado. De Arrascaeta aproveitou e retocou, ainda na horizontal, no meio da zaga. E Gabigol ressuscitou, 1 X 1. Incrível, um predestinado que, mesmo numa jornada tétrica, seria o herói dos heróis logo em seguida, aos 91’, ao desferir um petardo de canhota da entrada da área. Ah, Flamengo 2 X 1, depois de se exibir horrorosamente até então. Roberto Tobar, o mediador peruano, estragaria a festa do artilheiro ao expulsá-lo do combate, lá pelos acréscimos, por esboçar uma reação depois de uma agressão estúpida de Palácios. Tudo bem. Histórico Gabigol, fez nada na porfia. Pobre Gabigol, fez nada no lance da sua exclusão. Mas, ah, Gabigol, salvou e levantou a taça.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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