Silvio Lancellotti Campeonato Italiano: o balanço de uma temporada bastante bizarra

Campeonato Italiano: o balanço de uma temporada bastante bizarra

Apesar da suspensão que a Covid-19 provocou, o nono título seguido da Juventus claudicante, a ótima Atalanta e os recordes de Ciro Immobile

a celebração do "scudetto" da Juve, num estádio sem platéia

a celebração do "scudetto" da Juve, num estádio sem platéia

juventus.com

Nesta temporada tão bizarra de 2019/20, dividida quase ao meio pela Covid-19, houve um Campeonato Italiano antes e um outro pós-suspensão. Na soma dos pontos, o “scudetto” ficou com a Juventus de Turim, o nono título consecutivo. Liderava a classificação quando a pandemia interrompeu as atividades do “Calcio”, em 9 de Março, e na retomada do certame, dia 22 de Junho, na jornada 27,  com 66 pontos, abriu quatro à frente da vice Lazio e oito adiante da Internazionale, que enfim acabaria na segunda colocação.

Depois, porém, nas onze rodadas seguintes, a “Velha Senhora” sofreu até assegurar o seu enea. Somou apenas 17 pontos enquanto a Lazio, pior ainda, reunia 16. Só que a Inter, num resgate impressionante, obteve 24.

Pioli e o elogio aos "rapazes" do seu time, pelo seu futebol pós-suspensão

Pioli e o elogio aos "rapazes" do seu time, pelo seu futebol pós-suspensão

@ACMilan

Houvesse um troféu pós-suspensão, aliás, seria o Milan o seu bravo conquistador. Da “giornata” 27 à 38, invicto, acumulou 27 pontos e alcançou os 66, resultado de nove vitórias e três igualdades. Impressionante. Então, padecia com meros 32 tentos a favor e 39 contra mas inverteu a situação, anotou 33 e apenas concedeu oito. E uma outra equipe da mesma região da Itália, a Lombardia, também se destacou, e bastante, digamos, no tal do suplemento do campeonato: a Atalanta de Bérgamo.

Apelidada “Dea”, a “Deusa”, que já tinha o belo butim de 54 pontos, insolitamente abiscoitou outros 24, graças a sete vitórias, três igualdades e uma única derrota. Um trajeto no qual, com 78, quebrou o seu recorde de pontos, 72, e principalmente de tentos, 77, com extraordinários 98.

A capa do Twitter da Atalanta

A capa do Twitter da Atalanta

@Atalanta_BC

Detalhe crucial: interessante enfatizar, também, que todos os cotejos do, perdão, suplemento, aconteceram com os estádios absolutamente vazios, sem “tifosi”, e que mesmo assim os ataques da Itália não se abalaram. Nos 380 jogos do campeonato aconteceram 1.155 tentos, a média ótima de 3,04.

E, incrível, 409 desse geral de “reti” ocorreram nos 124 prélios efetuados depois da paralisação, média de 3,30. Também se constatou um volume bem generoso de penalidades máximas: 185. Ironicamente, ao contrário do que os anti-juventinos asseveram, não foi a “Senhora” a agremiação privilegiada.

Não, pois a Lazio recebeu 18 “rigori” em seu favor, o Genoa e o Lecce puderam cobrar 16 e 15. Só em quarto lugar se localizou a Juve, 14. E a Juve ainda foi a segunda em penalidades contra, 11, para os 13 do Lecce.

Immobile e a "Chuteira de Ouro" da temporada na Europa

Immobile e a "Chuteira de Ouro" da temporada na Europa

@SSLazio

A eficiência das ofensivas redundou em vários primados. Ciro Immobile, da Lazio, com 36 tentos, inscreveu o seu nome ao lado do argentino Gonzalo Huguaín, do Napoli de 2015/16, como o maior artilheiro de toda a história do “Calcio”. O “laziale”, aliás, também levou a “Chuteira de Ouro” da temporada na Europa, à frente dos 34 de Robert Lewandowski, o astro polonês do Bayern da Alemanha, e dos 31 do português Cristiano Ronaldo, o CR7 da Juve.

No passado, em 47 premiações, só dois italianos dominaram a relação: Luca Toni (Fiorentina), 31, em 2006; e Totti (Roma), 26, em 2005. Immobile, Lewandowski e o CR7 evitaram que Messi, do Barcelona, chegasse ao tetra.

Buffon e CR7, os símbolos da Juve eneacampeã

Buffon e CR7, os símbolos da Juve eneacampeã

juventus.com

Apesar do seu desfecho claudicante de “stagione”, cabe à Juve, a esquadra que escalou o topo do pódio, a escolha de um seu atleta como o Craque do Torneio. Sem debate, o CR7, que carregou a equipe nas costas e ainda aplainou os erros incontáveis do seu complicado treinador Maurizio Sarri.

Os seus 31 tentos corresponderam ao absurdo de 41% dos 76 do time inteirinho. Junto ao astro lusitano, no entanto, merece um aplauso singular o veterano arqueiro Gigi Buffon, 42 de idade, que só participou de nove pugnas, o suficiente para que suplantasse o esplêndido zagueiro Paolo Maldini, do Milan, em número de participações na Série A: 649 contra 647.

Gian Piero Gasperini e Maurizio Sarri no estádio da Atalanta, antes da suspensão

Gian Piero Gasperini e Maurizio Sarri no estádio da Atalanta, antes da suspensão

Reprodução Corriere Bergamo

No mesmo cenário, não irá para Sarri o prêmio de Melhor Treinador. Caso a Juve não passe pelo Lyon da França, dia 7, nas oitavas-de-final da Champions League, diicilímo que ele mantenha o seu cargo. Gian Piero Gasperini, da Atalanta, e Stefano Pioli, do Milan, talvez devessem compartilhar o pódio.

Gasperini, pelo global da obra, a melhor temporada da “Dea” desde 1908, data da sua fundação, já nas quartas da CL e o duelo decisivo, contra o PSG da França, programado para o dia 12. Pioli pela resiliência e pela serenidade, solapado por um certo Ivan Gazidis, o preposto dos financistas britânicos que literalmente se apossaram do “Diavolo”, 99% das suas quotas.

Antonio Conte, os gestos e as explosões

Antonio Conte, os gestos e as explosões

@Inter

Termino, porém, com o meu voto em Antonio Conte, da Inter, porque ele é imutável, um falastrão eterno, cheio de gestos, mago das explosões. O mais bem pago da Bota, cerca de R$ 6mi ao mês, numa entrevista de fecho de campeonato não hesitou em esculhambar a diretoria da “Biscione”, mitológica serpente de Milão, também nas mãos de especuladores – no caso, da China.

Disse Conte que a cartolagem da Inter “não atendeu a nenhuma” das suas solicitações. Típica conversa de quem está pronto a ser demitido e trocar de patrão. Quem sabe a Juve, que defendeu como atleta, magnífico volante, de 1991 a 2004, e depois comandou nos três anos iniciais do enea. 


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