A Dinamarca, com muita emoção, e a Inglaterra, com muita facilidade
Um triunfo da "Danamyte", 2 X 1 na República Tcheca, na partida que homenageou Christian Eriksen. Um sucesso tranquilo dos "Três Leões" sobre a Ucrânia, 4 X 0. Agora, vão se encontrar nas semis.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Estão determinadas as duas semifinais da Euro2020. Na terça-feira, dia 6 de Julho, Itália X Espanha. E na quarta, o dia 7, Inglaterra X Dinamarca. A “Azzurra” e a “Furia” haviam se classificado na sexta, o dia 2, ao suplantarem, respectivamente, Bélgica e Suíça. E neste dia 3 os “Três Leões” bateram os “Synio-Zhovti”, os “Azuis-Amarelos” da Ucrânia, enquanto a “Danamyte” da Dinamarca vencia o “Národní tým”, o “Time Nacional” da República Tcheca. Encerradas as quartas de final a Euro2020 atingiu os 310 jogos e os 961 tentos, média de 3,10. As suas duas semis e a decisão, planejada para o dia 11, o domingo da próxima semana, ocorrerão na Inglaterra, em Londres, Wembley, o templo sagrado do Futebol.

Será a sexta chance da “Azzurra”, que já conquistou o título em 1968. A “Fúria” da Espanha chega pela quinta vez em tal etapa da competição: abiscoitou a taça em 1964, 2008 e 2012. A Inglaterra aparece nas semis pela segunda vez. Mas, ainda não tem, sequer, um vice. Em duas ocasiões a Dinamarca se qualificou entre as quatro melhores. Perdeu o bronze em 1964. Mas levou o ouro, e impactantemente, em 1992. Apenas numa repescagem assumiu a posição da então Iugoslávia, pré-classificada, mas que atravessava uma Guerra Civil.
Eis as fichas técnicas e as sínteses das partidas do sábado:

REPÚBLICA TCHECA 1 X 2 DINAMARCA
Baku, Azerbaidjão, Olimpiya Stadionu
Público: 16.306 presentes/ 34.935 ingressos à venda
Árbitro: Bjoern Kuipers (Neerlândia)
Gols: Schick X Delaney, Dolberg
As bolas cruzadas no miolo da área, as desatenções da sua bequeira e a preguiçosa imobilidade do seu arqueiro, Tomás Vaclik, detonaram os sonhos da República Tcheca e a fantasia do seu atacante Patrick Schick, que imaginava sobrepujar a marca de Cristiano Ronaldo, de Portugal, 5 tentos, e assumir a liderança dos artilheiros da Euro2020. O destino do prélio de Baku começou a ser escrito logo aos 5’ do prélio, quando o ala-apoiador Jens Stryger levantou a pelota e, pertinho da marca penal, absolutamente livre de qualquer marcação, o ótimo volante Thomas Delaney desferiu uma testada fatal, 1 X 0.

O “Naródni tým”, ou "Time Nacional", tentou a reação. Esbarraria em uma retaguarda sólida e, principalmente, num espírito de luta motivado por um acontecimento que poderia ter provocado a eliminação da “Danamyte” nesta competição. Inolvidável o susto da parada cardíaca que o seu capitão Christian Eriksen sofreu na estréia, em 12 de Junho, quando a sua seleção, inclusive, sucumbiria à da Finlândia, 0 X 1, no Grupo B. A Dinamarca apenas se classificaria, às oitavas de final, no saldo de tentos. Daí se tornaria, porém, um exemplo de resiliência e de união. Eriksen, felizmente, já se recuperou e já está em sua casa.

Aos 42’, quando a República Tcheca parecia perto da igualdade no resultado, o ala Joakim Maehle escapuliu através do lado esquerdo do campo e levantou na direção do miolo da área pequena. Vaclik não se mexeu, a zaga não percebeu, e o atacante Kasper Dolberg, apelidado de “Goalberg”, se infiltrou e, de cabeça, cravou os 2 X 0. No segundo tempo, quase imediatamente depois do papo nos vestiários, o “Naródni tým” diminuiu, aos 49’, quando o lateral Vladimir Coufal, da direita, encontrou Schick à espera da pelota no meio da área. Um arremate de prima e ele subiu aos 5 gols na tabela. Foi só. Apesar de todo o seu empenho a República Tcheca empacou no 1 X 2 e se despediu desta Euro2020.

UCRÂNIA 0 X 4 INGLATERRA
Roma, Itália, Stadio Olìmpico
Público: 11.880 presentes/17.500 ingressos à venda
Árbitro: Felix Brych (Alemanha)
Gols: Harry Kane/2, Maguire, Henderson
Num lance típico dos “Três Leões” de Gareth Southgate, logo aos 4’ Raheem Sterling invadiu a retaguarda dos “Synio-Zhovti”, os “Azuis-Amarelos” da Ucrânia, cortou dois zagueiros perplexos com a sua velocidade e colocou a pelota pertinho da marca penal, onde o capitão Harry Kane, um eterno oportunista, aguardava para arrematar, a Inglaterra 1 X 0 antes mesmo de a rival se acomodar no gramado do Olímpico de Roma. Já definido o combate? Nada. Depois de alguns momentos de desconcentração, a Ucrânia re-equilibrou as ações.

Supostamente, deveria ter voltado do intervalo disposta a buscar um empate, a prorrogação eventual, ou talvez uma loteria de penais. Apostou errado, porém. Quem retornou de forma avassaladora foi a Inglaterra. Já na sua primeira investida dobrou o placar, e numa jogada ensaiada não na seleção, mas no Manchester United. O lateral Luke Shaw cobrou uma falta precisamente no cocoruto de seu colega Harry Maguire, 2 X 0. E aos 50, Sterling municiou Shaw que levantou para a testada de Harry Kane, 3 X 0. Andriy Shevchenko, o treinador dos “Synio-Zhovti”, no seu lado do gramado, protestou com um gesto mímico de lástima: “Não, eu não acredito que vocês todos estejam cegos”.

Ficaria pior ainda aos 63’, um escanteio alçado por Jason Mount e mais uma cabeçada cruel, agora de Henderson, os “Três Leões” com 4 X 0 no marcador. Ele, Henderson, que jamais havia anotado um só tento pela seleção. Claro, o fim da Ucrânia nesta Euro2020. Sossegado, Southgate pôde promover substituições capazes de poupar Sterling, Harry Kane, Luke Shaw, três dos seus indispensáveis. Detalhe: admirável a performance da Inglaterra até aqui na competição, registrou 13 gols e não concedeu nenhum. Missão complexa para a “Danamyte”, invadir o castelo de Sua Majestade na peleja da quarta-feira.
As duas partidas da sexta-feira, dia 2:

SUÍÇA 1 X 1 ESPANHA
(0 X 0 na prorrogação, 1 X 3 nos penais)
São Petersburgo, Rússia, Krestovsky Stadium
Público: 27.764 presentes/32.234 ingressos à venda
Árbitro: Michael Oliver (Inglaterra)
Gols: Shaqiri X Zakaria/con

BÉLGICA 1 X 2 ITÁLIA
Munique, Alemanha, Allianz Arena
Público: 12.984 presentes/13.000 ingressos à venda
Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)
Gols: Lukaku/pen X Barella, Insigne
AS SEMIFINAIS
Dia 6 de Julho
ITA X ESP
Londres, Inglaterra, Wembley Stadium
Dia 7 de Julho
TCH/DIN X UCR/ING
Londres, Inglaterra, Wembley Stadium
A FINAL
Dia 11 de Julho
Londres, Inglaterra, Wembley Stadium

Inaugurada no dia 21 de Março de 2019 com as 55 afiliadas da UEFA, a entidade que administra o Futebol no Velho Continente, esta disputa inter-seleções, na sua 16ª edição desde que foi idealizada em 1960 com a vitória da então União Soviética, passou por pré-eliminatórias, por uma fase de chaves, uma etapa inicial de mata-matas, por mais uma fase de grupos, pelos empolgantes duelos das oitavas e agora pelas suas quartas de final.
Apesar de todas as absurdas atribulações que a Covid-19 provocou, 6.078.644 pessoas, sob a proteção de rigorosos protocolos de segurança, puderam freqüentar os estádios, a média de 19.609. Detalhe: para a celebração dos seus 60 anos a UEFA havia destinado a 2020 uma Euro bem diferente do tradicional, distribuída por onze nações. Apenas as semis e a grande decisão se concentrariam na Inglaterra. Desafortunadamente, a pandemia da Covid-19 lhe danificou a evolução e empurrou os jogos até aqui. Felizmente, todavia, por numa questão de adequada justiça, a Euro mereceu preservar o sufixo 2020 como seu sobrenome.

Artilheiros:
5 gols – Cristiano Ronaldo (Portugal), Patrick Schick (República Tcheca)
4 gols –Karim Bemzema (França), Emil Forsberg (Suécia), Romelu Lukaku (Bélgica)
3 gols –Georginio Wijnaldum (Neerlândia), Robert Lewandowski (Polônia), Raheem Sterling e Harry Kane (Inglaterra), Kasper Dolberg (Dinamarca), Haris Seferovic e Xherdan Shaqiri (Suíça)
Árbitros que mais apitaram:
3 jogos – Antonio Mateu Lahoz (Espanha), Daniel Siebert (Alemanha), Anthony Taylor (Inglaterra), Sergei Karasev (Rússia), Felix Brych (Alemanha), Cuneyt Çakir (Turquia), Fernando Rapallini (Argentina), Danny Makkelie e Bjoern Kujpers (Neerlândia), Daniele Orsato (Itália), Michael Oliver (Inglaterra), Slavko Vincic (Eslovênia)
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