Da Olimpíada de Tóquio em 2021 a morador de rua: atleta é encontrado após desaparecer
Daniel Nascimento foi encontrado na semana passada pela guarda municipal nas ruas de São Paulo, onde coletava materiais recicláveis
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Hoje vamos calçar um par de tênis e refletir por Mais 5 minutos sobre como o julgamento moral pode arruinar a carreira e, principalmente, a vida de um atleta.
1- Quem é Daniel Nascimento, o Danielzinho?
Um dos grandes talentos do atletismo brasileiro revelados nos últimos anos.
Ele nasceu em 1998, quando Ronaldo da Costa, outro maratonista brasileiro, fez história ao estabelecer o recorde mundial da maratona, com 2 horas, 6 minutos e 5 segundos.
Esse tempo permaneceu como recorde brasileiro e sul-americano por mais de duas décadas até que Danielzinho o superou em 2021.
Com 2 horas, 4 minutos e 51 segundos, essa ainda é a maratona mais rápida de um atleta que não nasceu no continente africano.
Daniel obteve índice e participou das Olimpíadas de Tóquio em 2021, onde viralizou ao dar um “soquinho” ao se apresentar à lenda Eliud Kipchoge durante a prova.
Ele ficou em oitavo lugar no Mundial de Atletismo em 2022 e já tinha garantido sua vaga para as Olimpíadas de 2024.
2- No auge, veio a grande queda.
Tudo desmoronou quando Danielzinho foi flagrado em um exame antidoping antes das Olimpíadas de Paris por usar três substâncias proibidas.
Como resultado, recebeu 5 anos de suspensão e a proibição de competir até 2029.

3- Aqui é importante destacar que Daniel Nascimento nasceu em Paraguaçu Paulista, uma pequena cidade do interior, em uma família de trabalhadores rurais. Daniel mesmo ajudou a família na roça até 2018, antes de se destacar no esporte.
Em apenas 3 anos, esse garoto chegou às Olimpíadas, viajou pelo mundo e correu em Nova York. Uma ascensão meteórica.
Não acho que devemos isentar Daniel da responsabilidade pelo doping, mas qual era a verdadeira consciência que ele tinha do que estava fazendo e do que estava em jogo?
Novamente, reitero que a punição é justa e necessária, mas Daniel foi completamente abandonado por todos ao seu redor que estavam ali durante o sucesso de sua carreira.
4- Com o doping, o famoso Danielzinho foi esquecido, patrocínios e contratos publicitários cortados, marcas, confederações e clubes, todos se afastaram.
Os holofotes se apagaram, mas principalmente, tiraram o que ele mais amava fazer; nem nas famosas “corridas de rua” ele pôde participar.
Daniel voltou para com a família e entrou em depressão, surtou e saiu de casa sem avisar ninguém!
Quarenta e quatro dias depois, foi encontrado em situação de rua na zona leste de São Paulo, onde contou que estava coletando recicláveis para sobreviver.
5- Certo ou errado?
Quem quer associar o nome de uma empresa ou marca a um atleta que caiu em doping?
Quem deseja estender a mão a um esportista “condenado”?
Será que nós brasileiros gostamos mesmo de esporte?
Quando a suspensão terminar, ele terá 30 anos, uma idade que pode ser considerada ideal para um maratonista; a carreira de Daniel poderia voltar em alto nível, assim como aconteceu com Maurren Maggi, que, após cumprir 2 anos de afastamento, voltou e se tornou campeã olímpica em Pequim 2008.
Porém, no caso do Danielzinho, o esporte agora é segundo plano; ele precisa de ajuda para se reencontrar na vida, foi encaminhado para uma clínica onde receberá acompanhamento psicológico e aqui torcemos para que, nessa corrida, ele volte a se reencontrar.
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