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Vitor Roque roubou o protagonismo de Endrick na Espanha. Barcelona empolgado. Real Madrid preocupado. 'Culpa' de Abel Ferreira

A vida dos jogadores mais promissores do Brasil está em momentos muito diferentes. Vitor Roque, titular do Athletico, empolga o Barcelona, que o comprou. Enquanto isso, reserva do reserva, Endrick preocupa o Real Madrid

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli


Vitor Roque e Endrick são amigos. Eles se respeitam. E cada um sabe, muito bem, a situação do outro
Vitor Roque e Endrick são amigos. Eles se respeitam. E cada um sabe, muito bem, a situação do outro

São Paulo, Brasil

Este era o ano, 2023, em que dirigentes do Palmeiras e do Real Madrid acreditavam que Endrick se estabeleceria como um jogador fenomenal.

Pelo planejamento de Abel Pereira, o jogador já estaria pronto para a transição.

A torcida palmeirense e a mídia paulista, agoniada pela perspectiva do nascimento de ídolo mundial, esperavam.

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Com um estafe enorme à disposição, que vai desde empresários, agentes, mais preparador físico, nutricionista, assessora de imprensa e até coaches particulares, a expectativa era altíssima.

O jogador que repetia que seu sonho de garoto era vestir a camisa do Barcelona assinou um contrato excepcional com o rival Real Madrid. Juntando todos os valores, somando bônus, chega a 72 milhões de euros, cerca de R$ 389 milhões.

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A transação foi anunciada no dia 15 de dezembro de 2022.

Ganhou manchetes no mundo todo.

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Só Neymar foi mais caro que o jogador palmeirense, até então.

Oito meses depois da negociação fechada, a situação é frustrante.

Primeiro, para os observadores do Real Madrid que acompanharam Endrick na base por dois anos antes de recomendar o lance mais alto, no leilão com Paris Saint-Germain, Manchester City e Barcelona. 

Depois para as mídias espanhola e brasileira. E também para a empolgada torcida palmeirense.

O fenômeno da base, que acumulava artilharia, desempenhos empolgantes e gols decisivos, murchou completamente ao atuar entre os profissionais.

Em 2023 marcou apenas sete gols e deu uma assistência em 34 partidas.

É reserva do reserva.

Segunda, muitas vezes terceira opção de banco palmeirense.

Foi inevitável a desvalorização.

No site especializado em negociações de jogadores, o Transfermarkt, a queda de Endrick é assustadora.

Em vez dos R$ 389 milhões, 72 milhões de euros, ele está avaliado hoje, no mercado internacional, em “apenas” 20 milhões de euros, ou seja, R$ 108 milhões.

Ele está há dez partidas sem marcar um gol.

Teve sua primeira expulsão da carreira ao atirar, do banco de reservas, uma bola no gramado do Allianz Parque. Para retardar a partida que o Palmeiras disputava contra o Atlético Mineiro, na semana passada.

O jornal espanhol As fez duras críticas ao jovem atacante.

Classificou-o como “desaparecido” nos 26 minutos em que esteve em campo contra o Cruzeiro, na última segunda-feira, no Allianz. Desaparecido por mal tocar na bola. Não deu sequer um arremate ao gol do time mineiro.

Não há dúvidas para os representantes do Real Madrid no Brasil de que Endrick está sendo “desperdiçado” por Abel Ferreira.

O excelente técnico português tem insistido em centralizar o atacante. Deixá-lo preso, enfiado entre os zagueiros adversários.

Como o blog já explicou, não foi dessa maneira que ele se destacou.

Gols, veneração, expectativa, confiança, alegria. Endrick era muito diferente na base do Palmeiras
Gols, veneração, expectativa, confiança, alegria. Endrick era muito diferente na base do Palmeiras

Endrick, na base, atuava mais solto. Principalmente fazendo a diagonal do meio para a ponta esquerda. Tinha a movimentação ofensiva mais próxima à de Messi, nos áureos tempos do Barcelona, com Pep Guardiola.

Mas Endrick era a estrela maior da equipe de base palmeirense e poderia atuar onde gostaria e renderia mais.

No time profissional do Palmeiras, não.

Para seguir essa movimentação, Abel teria de mudar seu esquema tático.

Endrick ocuparia o espaço de dois jogadores: Raphael Veiga e Dudu.

Isso, o treinador português não fará de jeito algum.

Por isso, o atacante atua encalacrado entre zagueiros, esperando uma sobra, uma falha. Vir de frente, com a bola dominada no seu pé esquerdo, com o corpo reto, olhando a movimentação da zaga, o que era rotina na base, se tornou momento raríssimo.

Daí o péssimo rendimento.

Para piorar, Abel Ferreira não permite a liberação de Endrick para atuar na Seleção Brasileira Sub-20.

Ele já não pôde disputar o Mundial, que foi na Argentina, em maio e junho. O Brasil foi eliminado nas quartas, por Israel.

Vitor Roque não só continua jogando como gosta. Mas está mais empolgado. No Athletico e nas seleções de base
Vitor Roque não só continua jogando como gosta. Mas está mais empolgado. No Athletico e nas seleções de base

E ontem Ramon Menezes convocou o time pré-olímpico do Brasil, que vai lutar para estar nos Jogos de Paris, no próximo ano.

Ramon deixou claro que o Palmeiras, outra vez, não liberou Endrick.

Abel Ferreira não quer Endrick exposto e, principalmente, focado em atuar de maneira completamente diferente da que joga com ele no Palmeiras.

O jovem jogador sabe tudo o que está sofrendo.

As cúpulas de Palmeiras e Real Madrid acompanham a desvalorização do atleta.

Sem confiança alguma, na posição que não é a sua, ele não rende. E também é orientado por seu estafe, por sua assessora de imprensa, a não protestar contra Abel.

Além da desvalorização, passou a euforia da torcida com Endrick.

Ele já não é pedido em coro pelos palmeirenses no Allianz.

Nem pela mídia paulista.

Vive um momento muito difícil.

Abel Ferreira insiste em repetir que sua prioridade é o time, e não privilegiar algum jogador.

E colocar Endrick onde não rende continua sendo rotina.

Pelo jeito só mudará em julho de 2024, quando ele completará 18 anos e irá para a Espanha, jogar no Real Madrid.

Por enquanto, não há nenhuma movimentação de Abel para que a situação mude.

O garoto continuará reserva. E, quando entrar, atuará enfiado entre os zagueiros, onde nunca jogou, e não rende.

E Abel nega suas convocações para a seleção brasileira.

Representantes do Real Madrid acompanham e fazem relatórios agoniados.

A desvalorização é acompanhada das sérias dúvidas da imprensa espanhola, que não está preocupada com o esquema tático palmeirense. 

E, sim, com os gols de Endrick, que não acontecem como se previa.

Enquanto isso, Vítor Roque, do Athletico Paranaense, vendido ao Barcelona, ocupa o protagonismo que deveria ser de Endrick.

Jogando no clube como atuava na base, com liberdade para se movimentar no ataque. E sendo liberado para atuar na Seleção Brasileira Pré-Olímpica.

"Isso [a venda de Endrick] explodiu com a mídia, com o marketing.

"Sobre Endrick, acho que a mídia vendeu e agora se cobra esse preço.

"Eles criaram uma expectativa muito maior do que poderia ser.

"Nem Neymar teve uma expectativa tão grande. Estou falando de jogadores decentes que não tiveram uma onda dessas e muito menos nessa idade como a de Endrick.

"Obviamente, você pressiona o garoto para algo que ele não está preparado e espera muito mais do jogador, mas às vezes eles não chegam a isso."

As definições são de André Cury, agente de Vitor Roque, que acompanha a felicidade do seu jogador de 18 anos.

Endrick deixou só uma vez escapar toda a tristeza que vive. Sabe que joga onde não rende. Não pode reclamar
Endrick deixou só uma vez escapar toda a tristeza que vive. Sabe que joga onde não rende. Não pode reclamar

Titular absoluto do Athletico está empolgando a mídia espanhola.

Foi vendido ao Barcelona em uma transação que pode chegar a 74 milhões de euros, cerca de R$ 400 milhões, superando Endrick.

E está avaliado pelo Transfermark em 32 milhões de euros, cerca de R$ 173 milhões. São 12 milhões de euros, cerca de R$ 64,8 milhões, a mais do que o atacante palmeirense.

Marcou 17 gols em 2023.

A mídia da Catalunha não para de elogiar o jogador que atua em Curitiba.

Em uma simplória comparação, Vitor Roque é mais valorizado e respeitado do que Endrick.

Culpa o que acontece no Athletico.

E, principalmente, no Palmeiras de Abel Ferreira...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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