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A vingança de Dorival Júnior. O futebol deu a chance de o técnico se vingar do desprezo que o Flamengo lhe deu. A partir de hoje

O principal personagem da primeira final da Copa do Brasil, que será jogada hoje no Maracanã. Quer dar o troco à direção do Fla, que não teve a menor consideração. Apesar de vencer a Libertadores e a Copa do Brasil

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

Dorival Júnior com a taça da Libertadores. Abriu o caminho para a disputa do Mundial. Foi dispensado, sem dó
Dorival Júnior com a taça da Libertadores. Abriu o caminho para a disputa do Mundial. Foi dispensado, sem dó Dorival Júnior com a taça da Libertadores. Abriu o caminho para a disputa do Mundial. Foi dispensado, sem dó

Rio de Janeiro, Brasil

Nos 21 anos como treinador, Dorival Júnior nunca ficou tão magoado.

Jamais se sentiu tão injustiçado, tão desprezado.

Dono de carreira importante, ele havia ficado um ano e meio afastado do futebol, entre 2020 e 2022, enfrentando um câncer de próstata. 

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Com muita determinação, angústia, fé e sacrifício, Dorival se recuperou.

Além do amor à vida, o retorno ao futebol era o seu grande objetivo. Voltar a trabalhar, comandar um time. Até de maneira mais humana depois de tudo o que teve de superar, ao perceber a limitação da própria existência.

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Ele, que sempre foi muito dedicado, ligado aos jogadores que comandou, com laços profissionais, mas com amizade, parceria, compreensão. Sempre quis ouvir dos atletas como eles acreditavam poder render mais para o time. 

Nunca os tratou como simples peças de um tabuleiro de xadrez.

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Ele se curou da doença e aceitou, empolgado, a segunda chance que a vida lhe deu. 

Assumiu o Ceará e voltou a implementar tudo o que já havia aprendido, mais a visão mais humana do futebol. Os resultados estavam excelentes quando surgiu a grande chance. 

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Assumir o Flamengo, pela terceira vez. Era um velho sonho. E ele teria um elenco espetacular e o clube estruturado. Pronto para grandes conquistas.

Dorival tratou de acabar com a guerra de egos. Conseguiu escalar Pedro e Gabigol juntos. E, em cinco meses de trabalho, conseguiu vencer a Libertadores da América e a Copa do Brasil.

Seu jeito mais simples e a maneira que o Flamengo sofreu para vencer o Corinthians, na final da Copa do Brasil, levaram a diretoria a decidir não renovar seu contrato em 2023 e contratar Vítor Pereira, do Corinthians.

Dorival foi campeão no ano passado da Copa do Brasil. Venceu Vítor Pereira, que ficaria com seu emprego
Dorival foi campeão no ano passado da Copa do Brasil. Venceu Vítor Pereira, que ficaria com seu emprego Dorival foi campeão no ano passado da Copa do Brasil. Venceu Vítor Pereira, que ficaria com seu emprego

Os dirigentes não quiseram dar a Dorival a responsabilidade de levar o Flamengo à disputa do título mundial, a qual ele mesmo havia garantido vencendo a Libertadores.

Foi a maior desilusão da carreira de Dorival.

Por status, a direção do Flamengo não quis nem fazer proposta de renovação. Ele foi embora recebendo R$ 500 mil. E o português Vítor Pereira chegou recebendo R$ 2 milhões.

Dorival ficou profundamente angustiado.

Mas jamais atacou a direção do Flamengo.

Sentiu, no entanto, que o mercado dos grandes clubes voltou a considerá-lo um treinador de elite.

E foi assim que o presidente do São Paulo, Julio Casares, o procurou para o lugar de Rogério Ceni, que, apesar de ser o maior ídolo da história do Morumbi, era outra vez mandado embora.

Dorival também voltava a um clube em que não tinha conseguido emplacar grande trabalho. Casares havia prometido que daria ao treinador grandes contratações. Até porque, graças a uma mudança de estatuto, o dirigente tinha conseguido a chance de reeleição.

O técnico sabia que não teria como opinar. Primeiro, colocou no elenco um jogador cuja contratação Ceni não queria, Pato. Mas avisou ao presidente que o atacante seria escalado ou não, dependendo dos treinamentos. Por mais que fosse midiático. E, treinando mal e entrando pior nos jogos, Pato virou reserva do reserva. Tudo às claras.

Dorival recebeu os também midiáticos Lucas Moura e James Rodríguez.

E enfrentou a realidade. Disse à direção do clube que três competições para o elenco enxuto e sem ter organizado a temporada, já que assumiu o clube apenas em abril, seriam quase impossíveis.

O Brasileiro seria utopia, e o objetivo seria brigar por uma vaga na Libertadores de 2024. O foco foi maior nas Copas. Na Sul-Americana, o resultado foi muito bom. A eliminação nas quartas, para a LDU, nos pênaltis acabou sendo frustrante. Ainda mais no Morumbi. Mas a trajetória foi marcante.

Mas foi na Copa do Brasil que Dorival se impôs. Corrigiu a rota errada de Rogério Ceni. O ex-treinador havia empatado por 0 a 0 com o Ituano no Morumbi. O novo técnico ganhou do time interiorano por 1 a 0 em Itu e ficou com a vaga para as oitavas.

Derrotou o Sport nos pênaltis, depois de ter vencido por 2 a 0, no Recife. Perdeu por 3 a 1, no Morumbi. Mas veio a vaga nas quartas, nas penalidades.

Dorival aproveitou o tropeço e todo o favoritismo do Palmeiras e surpreendeu nas quartas. Com não só uma, mas duas vitórias. No Morumbi, por 1 a 0, e na Água Branca, por 2 a 1.

Chegou o Corinthians.

O clube do Parque São Jorge teve a chance de contratá-lo, antes de fechar com Cuca e seu problemático passado. Dorival sabia que Vanderlei Luxemburgo queria reerguer sua carreira com a conquista do título.

Dorival, já no São Paulo, abraça Gabigol, capitão do Flamengo. Jogadores não queriam sua saída da Gávea
Dorival, já no São Paulo, abraça Gabigol, capitão do Flamengo. Jogadores não queriam sua saída da Gávea Dorival, já no São Paulo, abraça Gabigol, capitão do Flamengo. Jogadores não queriam sua saída da Gávea

Mas o São Paulo foi melhor nos dois jogos. Perdeu em Itaquera por 2 a 1. Mas, no Morumbi, não deu chance ao grande rival. Vitória por 2 a 0.

E o destino reservou o Flamengo, o clube que o havia feito sofrer. Que o desprezara, sem a menor consideração por tudo o que fez. Que, por status, preferiu ter um treinador europeu. E não levou em conta as conquistas da Copa do Brasil e da Libertadores, a principal competição da América do Sul.

Embora espiritualizado, Dorival é humano.

Ele tem como seu auxiliar o próprio filho, Lucas Silvestre, que acompanhou a decepção, a desilusão, a frustração do pai quando o Flamengo não quis nem começar a conversa pela renovação.

O troco pode ser dado da maneira mais dolorida.

Sem estardalhaço, cumprindo mera obrigação profissional.

Fazer o São Paulo vencer pela primeira vez a Copa do Brasil.

E mais do que isso: mostrar à direção do Flamengo seu potencial como técnico.

Impedir que o clube carioca conquiste o título e já esteja garantido na Libertadores de 2024.

Dorival Junior sabe que é o personagem principal nestas decisões da Copa do Brasil.

E ele fará de tudo para ganhar.

Para compensar a injustiça, o desprezo, a falta de consideração que sofreu.

Dorival não assumirá publicamente a palavra que surge.

Mas, quando o São Paulo entrar em campo daqui a pouco, aqui, no Maracanã, o sentimento será um só.

Vingança.

Ele fará de tudo para mostrar à direção do Flamengo o que jogou fora.

E que há um ano celebrava as campanhas brilhantes na Libertadores.

Na própria Copa do Brasil.

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