Cosme Rímoli Vexame do Brasil diante de Marrocos mostra o quanto a Seleção precisa de Carlo Ancelotti. E que Tite não deixou legado algum

Vexame do Brasil diante de Marrocos mostra o quanto a Seleção precisa de Carlo Ancelotti. E que Tite não deixou legado algum

O Brasil perdeu pela primeira vez para Marrocos. Ramon, treinador interino, não conseguiu formar uma equipe. A derrota foi mais do que justa. Sem esquema tático definido. Há a necessidade urgente de um técnico

  • Cosme Rímoli | Do R7

Derrota merecida. Falta de entrosamento não é a única desculpa. Há necessidade de um técnico de qualidade

Derrota merecida. Falta de entrosamento não é a única desculpa. Há necessidade de um técnico de qualidade

Reprodução/Twitter

São Paulo, Brasil

Três certezas da derrota da Seleção Brasileira diante de Marrocos, por 2 a 1, hoje, em Tânger, com a torcida marroquina gritando olé para o país pentacampeão do mundo.

A primeira, Tite não deixou legado tático algum, em seis anos de trabalho e fracasso.

A segunda, o Brasil precisa urgente de um treinador com grande capacidade de explorar o talento individual dos jogadores.Alguém com o perfil de Carlo Ancelotti. O interino Ramon Menezes foi ao seu limite, o Brasil está muito além da capacidade como técnico.

A terceira, Rodrygo e Vinicius Junior precisam amadurecer com a camisa da Seleção rapidamente para assumirem o protagonismo que se espera da dupla.

Por mais problemático que seja, Neymar ainda segue como referência para a geração que se prepara da 2026.

Por mais que Marrocos tenha sido semifinalista da Copa do Catar, seja uma equipe muito bem montada, organizada, por Walid Regragui, com seu 4-5-1, e o Brasil que entrou em campo tinha apenas cinco dias de trabalho, a postura perdida, espaçada, sem definição dos meio-campistas e dos atacantes não tem desculpa.

Assim como a fragilidade dos laterais, e a falta de cobertura principalmente do péssimo marcador Emerson Royal, que era evitado por Tite.

Não havia entrosamento, lógico, por conta da renovação forçada.

Mas a Seleção parecia uma colcha de retalhos, exposta ao que mais esta seleção história de Marrocos adora fazer, explorar os contragolpes em velocidade. 

Não houve a mínima estrutura tática aceitável da Seleção.

Rony correu, vibrou, lutou. Mas vontade não basta para ser titular da Seleção. É preciso técnica diferenciada
Rony correu, vibrou, lutou. Mas vontade não basta para ser titular da Seleção. É preciso técnica diferenciada Rafael Ribeiro/CBF

Ramon Menezes, treinador da Seleção sub-20, teve de se submeter às exigências do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. Elas eram a convocação de atletas de clubes brasileiros e a inclusão de jovens que irão disputar a Copa do Mundo sub-20, na Indonésia, a partir de maio.

E ele tratou de apostar em um móvel 4-3-1-2, com dois laterais fracos: Emerson Royal e Alex Telles, com Casemiro sobrecarregado, tendo de marcar por ele, pelo garoto Andrey, por Paquetá. Enquanto Rodrygo teria de atuar como elo do meio-campo com o ataque, formado pelo esforçado Rony e hoje, o egoísta Vinicius Júnior.

O Brasil viveu de lances esporádicos individuais. Não é possível confundir vontade com intensidade. Os jogadores se esforçaram muito, mas correram de forma errada, espaçada. Oferecendo o que Marrocos mais queria, espaços na intermediária.

Até porque o duelo foi injusto. Cinco marroquinos contra três brasileiros e só um com capacidade de marcação.

No ataque, Rony foi guerreiro, colocou toda a sua imensa vontade de ajudar o time. Correu, dividiu, perdeu gol. Mas é evidente que falta qualidade técnica para com um drible, uma enfiada de bola diferente, desmontar a muito bem postada defesa marroquina.

As chances do Brasil foram oferecidas pelo goleiro Bono, que fez uma péssima, confusa, insegura partida. Inexplicavelmente errando lances infantis.

Na reclamação de Casemiro, que cinco dias de treinamentos foram muito poucos para entender as ideias de Ramon Menezes, a queixa subentendida era evidente. Ele não conseguiu marcar por ele, por Andrey e por Paquetá. O capitão do Brasil estava extremamente irritadiço por conta de seu esforço improdutivo.

Emerson Royal. Lateral direito foi o pior jogador da Seleção. Fraquíssimo na marcação
Emerson Royal. Lateral direito foi o pior jogador da Seleção. Fraquíssimo na marcação Rafael Ribeiro/CBF

A omissão de Ramon em relação a Andrey e Paquetá é inexplicável. Assim também como a passividade diante da confusa e prepotente atuação de Vinicius Junior, disposto a resolver o 'jogo sozinho'. 

Rodrygo, que era o teste mais importante, como articulador do ataque, se viu encaixotado pela volúpia dos meio-campistas marroquinos. Era evidente que o técnico Walid Regragui sabia o que o jogador do Real Madrid tentaria fazer. E o bloqueou.

O legado foi inexistente, em seis anos, ele não descobriu uma forma de o Brasil atuar. A não ser depender de Neymar. Como o mais talentoso jogador brasileiro está se recuperando de uma cirurgia de reconstrução dos ligamentos do tornozelo direito, Ramon não pôde nem apelar para a triste saída de Tite.

Como era de se esperar, na primeira partida de Marrocos, diante de sua fanática torcida, depois da histórica participação na Copa do Mundo do Catar, o ambiente era um caldeirão a favor do time africano.

Era preciso estrutura tática e personalidade para o Brasil.

Faltaram as duas exigências.

Porque discutir, empurrar os adversários não é personalidade.

Ramon tentou melhorar o time, com Raphael Veiga, Antony e Vitor Roque. Mas o preenchimento das intermediárias pelos marroquinos não permitiu uma retomada das ações.

O Brasil foi uma equipe previsível e fácil de marcar, mesmo com talentos individuais melhores do que o adversário.

A explicação é a necessidade de um treinador capaz de oferecer estrutura, estratégia para que os talentos se unam. Plano de jogo, dinâmica, movimentação. O mínimo era possível passar nestes cinco reclamados dias.

O tempo está passando muito rápido.

Se o alvo, Ancelotti aceitar, em junho, serão exatos três anos de trabalho até o Mundial. Um ano será sacrificado pelo calendário, mudado pela Covid-19, e pelo italiano estar amarrado contratualmente ao Real Madrid e querer disputar a Champions até o final da participação do time espanhol.

Vinicius Júnior. Partida fraca por conta do individualismo. Quem deveria orientá-lo era Ramon Menezes
Vinicius Júnior. Partida fraca por conta do individualismo. Quem deveria orientá-lo era Ramon Menezes Rafael Ribeiro/CBF

Foi a primeira partida da Seleção após a Copa.

Mas está mais do que claro quanto trabalho é necessário.

Só que com um técnico pronto, que venceu grandes desafios.

Assumir a Seleção está acima de Ramon Menezes.

A CBF vai expondo a credibilidade do Brasil.

É preciso agir com decisão, mostrar firmeza.

Garantir um técnico de altíssimo padrão internacional.

Para não desperdiçar mais um ciclo de Copa. 

Já foram cinco fracassos históricos nos últimos Mundiais.

Essa geração de um rumo, de uma forma de jogar.

Não será Ramon Menezes quem mostrará o caminho...

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