Vergonha e dívidas dominam o gigante, e rebaixado, Cruzeiro

Não bastassem Série B, investigação da Polícia Federal, dívida de R$ 800 milhões, Ex-presidente gastou mais de R$ 75 mil com cartão do clube

R$ 75 mil em gastos com o cartão corporativo do Cruzeiro: Wagner Pires

R$ 75 mil em gastos com o cartão corporativo do Cruzeiro: Wagner Pires

Reprodução Instagram

São Paulo, Brasil

Por trás do rebaixamento inédito do Cruzeiro há situações absurdas, inaceitáveis, revoltantes.

E vão muito além do calote de R$ 4 mil em um pai de santo, que iria salvar o clube da Segunda Divisão.

O folclore perde espaço para desfaçatez.

É assustador o que aconteceu na administração Wagner Pires de Sá.

Revela o quanto está apodrecida, ultrapassada a estrutura de poder dos clubes brasileiros.

Um presidente, com livre acesso ao dinheiro do clube como se fosse seu, cercado por conselheiros remunerados.

A auditoria que o Cruzeiro contratou, a Moore Auditores e Consultores, tem revelado abusos indecentes em nome do clube.

Wagner Pires de Sá teria gasto mais de R$ 84 mil apenas com o cartão corporativo do clube, entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019.

Os abusos eram típicos de quem jamais imaginou que seria investigado. E as contas trazidas à público.

Isso só foi possível graças à renúncia forçada, quando o Cruzeiro tomava o inédito caminho para a Segunda Divisão. E pelos assustadores R$ 800 milhões em dívidas.

O caminho percorrido pelo cartão corporativo é avassalador. 

No caríssimo bistrô D’Artagnan, cujos pratos principais são Bife Ancho com Risoto de Vinho Tinto e Parma e Camarão com Requeijão, acompanhados por vinhos especiais, Wagner gastou nada menos do que R$ 13.133,00. 

Versátil, o ex-presidente também reservou R$ 3.580,00 ao Mudesto Butequim. O restaurante do Hotel Fasano abocanhou R$ 3.383,00 do cartão corporativo do Cruzeiro.

O restaurante A Favorita, especializado em comida italiana e francesa, também teve visitas do ex-presidente cruzeirense. E ficou com R$ 2.813,00. 

O Armazém Medeiros, especializado em porções e choppe, teve um ótimo cliente. Capaz de gastar R$ 2.194,00.

A fome de Wagner Pires era descomunal. 

Deixou no Glouton, especializado em comida franco-mineira, R$ 818,00.

No Vecchio Sogno, italiano, mais R$ 926,00.

A paixão por sushi ficou com o Kei, onde gastou R$ 1.999, 00. E no Udon, R$ 441,00. 

Mas o cartão corporativo foi gasto não se limitou a Belo Horizonte, lógico. O ex-presidente desfrutou o Restaurante 14 Bis, no Rio. E lá gastou uma bolada: R$ 3.663,00. Em Porto Alegre, visitas ao NB Steak, com gastos de R$ 2. 763,00.

Wagner Pires fazendo farra nas praias do Rio. Administração absurda

Wagner Pires fazendo farra nas praias do Rio. Administração absurda

Reprodução Twitter

No Rio, o escolhido foi o Sanduka. Menos R$ 1.349,00 na conta do Cruzeiro.

A clínica de estética Belvedere recebeu nada menos do que R$ 9.943,00.

O abuso chegou ao ponto de Wagner gastar R$ 2.002,00 pedindo chope na sua casa.

O total foi mais de R$ 75 mil gastos com o cartão coorporativo.

O ex-dirigente não teve nem coragem de tentar explicar os gastos, revelados ontem.

Desligou seu celular.

O que dava coragem para tanta ousadia de Wagner?

29 conselheiros, que por acaso, o apoiavam.

E eram remunerados.

Ganhavam dinheiro do Cruzeiro.

Entre eles, Gustavo Perrella, filho do ex-presidente Zezé Perrella. Ele recebeu R$ 95 mil do clube. Por ter dado 'consultoria'.

Gustavo Perrella. Expulso por ser conselheiro remunerado do Cruzeiro

Gustavo Perrella. Expulso por ser conselheiro remunerado do Cruzeiro

Reprodução Twitter

Sérgio Nonato, como diretor-geral do Cruzeiro, começou ganhando R$ 65 mil de salários. Depois recebeu R$ 300 mil como luvas e passou a receber R$ 125 mil mensais.

Outros 27 conselheiros ligados ao grupo Família União, que apoiou Wagner Pires na presidência, foram expulsos.

O estatuto do clube proíbe que conselheiros recebam dinheiro do clube.

Mas o escândalo é muito mais profundo.

A Polícia Federal investiga peças fundamentais da antiga diretoria.

A desconfiança é de desvio e lavagem de dinheiro, além de falsidade ideológica.

A investigação segue, dados estão sendo cruzados.

Jamais o clube bicampeão da Libertadores da América passou tamanho constrangimento.

Por falta de pagamento de atletas contratados do Exterior, o clube enfrenta processos que chegam a R$ 81 milhões na Fifa.

Com as dívidas, os escândalos da administração Wagner Pires e o rebaixamento, jogadores deixaram em massa o Cruzeiro.

Orejuela, Manoel, Fabrício Bruno, Egídio, Henrique, Éderson, Rodriguinho, Thiago Neves, David, Rafael e Fred deixaram a Toca da Raposa.

Wagner e Itair formaram um time caríssimo e envelhecido. Rebaixado

Wagner e Itair formaram um time caríssimo e envelhecido. Rebaixado

Cruzeiro

A cota do Cruzeiro para disputar a Segunda Divisão, paga pela Globo, é de apenar R$ 8 milhões.

Atletas como Moreno avisam que o clube precisa contratar, porque com o atual elenco, repleto de garotos da base, o time dificilmente subirá para a Série A.

O ex-diretor de futebol, Itair Machado, foi o responsável pelo rebaixamento. Montando um elenco velho e trocando técnicos, como troca camisas.

Mano Menezes, Rogério Ceni, Abel e Adilson Batista chegaram a comandar o time rebaixado.

Portanto o fato de o Cruzeiro dever R$ 4 mil a um pai de santo, contratato para evitar a queda para a Segunda Divisão, é uma gota no oceano.

Puro folclore que desvia o foco.

O problema do gigante mineiro é muito maior.

Rogério Ceni. Contratado a  peso de ouro. Mas foi abandonado por Wagner

Rogério Ceni. Contratado a peso de ouro. Mas foi abandonado por Wagner

Cruzeiro

Sua inacreditável dívida.

Mais de R$ 800 milhões.

E a falta de credibilidade atinge seus dirigentes.

A farra de Wagner Pires com o cartão corporativo é algo repulsivo.

Assim como os conselheiros remunerados, o primeiro passo deve ser a expulsão sumária do clube.

E, depois, o ressarcimento.

Fazer com que ele pague por seus abusos.

O Cruzeiro, infelizmente, envergonha o Brasil...

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