"Vagabundo." "Mercenário." A absurda injustiça a Cássio

Foram absurdas as ofensas ao goleiro mais vencedor da história, com seus nove títulos. Ele recusou ganhar três vezes mais para ficar no Corinthians

É o goleiro mais vencedor da história do Corinthians. 478 partidas pelo clube

É o goleiro mais vencedor da história do Corinthians. 478 partidas pelo clube

Agência Corinthians

São Paulo, Brasil

"Vagabundo."

"Mercenário."

Esses foram os adjetivos que Cássio mais ouviu, além dos palavrões, gritados por membros de organizada, no aeroporto de Cumbica, domingo à noite.

Torcedores o xingavam a menos de um metro de distância.

Entre eles e o goleiro corintiano, seguranças do clube e do aeroporto.

Muito ligado às torcidas, fundador da Pavilhão Nove, Andrés Sanchez fez questão de conversar com Cássio. Perguntar se tudo estava bem. E tranquilizá-lo, dizer da confiança que ele e a diretoria têm no seu futebol.

A relação dos dirigentes corintianos em relação a Cássio, vai além da confiança, pelos nove títulos conquistados. Entre eles, a Libertadores e o Mundial de Clubes.

Principalmente o presidente.

Ele sabe muito bem o que aconteceu em 2016, mesmo não comandando oficialmente o clube. 

Cássio, chamado de 'mercenário'. Ele recusou ganhar três vezes mais na Turquia

Cássio, chamado de 'mercenário'. Ele recusou ganhar três vezes mais na Turquia

Reprodução/TV Gazeta

Roberto de Andrade fazia um desmanche no clube campeão brasileiro de 2015. 

Gil, Ralf, Jadson, Renato Augusto, Vagner Love, Malcom, Felipe, Bruno Henrique e Elias foram vendidos.

Cássio tinha 29 anos.

E uma excepcional proposta.

Ele ganhava R$ 420 mil mensais.

O Besiktas o procurou.

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Oferecia, por um contrato de três anos, entre luvas e salários, R$ 1,3 milhão por mês.

Mais de o triplo que recebia.

Fora bônus, por conquistas.

O clube turco, no entanto, só oferecia, no máximo, 3,5 milhões de euros (cerca de R$ 15 milhões, na época) por seus direitos.

Ao Corinthians caberia 'apenas' 70%, 2,5 milhões de euros, cerca de R$ 10,5 milhões.

Campeão brasileiro, em 2015. Estava muito valorizado em 2016, quando a Turquia o quis

Campeão brasileiro, em 2015. Estava muito valorizado em 2016, quando a Turquia o quis

Agência Corinthians

Roberto de Andrade expôs a situação para Cássio e disse que, como o clube turco não aumentaria a proposta, gostaria que ele continuasse.

E que, quando o Corinthians pudesse, ele teria um aumento.

Cássio ficou.

Abriu mão do dinheiro.

O aumento só veio no ano passado, em janeiro.

Quando ele passou a receber o teto do clube, R$ 700 mil.

E renovou seu contrato até 2022.

Ou seja, a direção corintiana tem de mesmo de reconhecer o dinheiro que Cássio abriu mão para seguir no Parque São Jorge.

O goleiro, muito discreto, decidiu não expor a situação que viveu e muito menos rebater as ofensas que recebeu no aeroporto.

Nem os ataques pela Internet que sua esposa Janara sofreu.

Apenas optou por colocar uma mensagem bíblica no seu Instagram.

E seguiu treinando muito forte.

Cássio. Copa do Mundo de 2018 pela Seleção Brasileira. Representado o Corinthians

Cássio. Copa do Mundo de 2018 pela Seleção Brasileira. Representado o Corinthians

Mowa Press

Ele chegará hoje, contra o Bahia, à sua 479ª partida com a camisa do Corinthians.

Já é o nono atleta da história com mais jogos pelo clube.

Disparado o goleiro mais vencedor no Parque São Jorge.

Por tudo que representa.

A resposta de Cássio. Mensagem bíblica, deixando claro que seguirá trabalhando

A resposta de Cássio. Mensagem bíblica, deixando claro que seguirá trabalhando

Reprodução/Instagram

Por seu futebol, por seu caráter, ele merece muito respeito.

O que faltou no aeroporto de Cumbica...

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