Thiago Silva, aos 41 anos, encanta a imprensa europeia. Comentários chegam a Ancelotti. Chance de ser o capitão na quarta Copa?
Atuação sensacional de Thiago Silva, na sua estreia pelo Porto. Foi perfeito na primeira partida das quartas da Taça de Portugal. Vitória sobre o rival Benfica despertou encantamento da imprensa europeia com o brasileiro

“Eu não tenho problemas com idade do jogador.
“Me preocupo com o desempenho em campo.”
Esta foi a resposta de Carlo Ancelotti em relação a jogadores veteranos que lutam para disputar mais uma Copa do Mundo.
A pergunta feita por um jornalista no ano passado era em relação a Casemiro, que fará 34 anos em fevereiro.
Mas também se encaixa a um jogador inesperado.
E que estava ‘descartado’ nas especulações sobre os convocados do treinador italiano para a Copa dos Estados Unidos.
Não pelo futebol.
Mas pelo etarismo.
Como um jogador de 41 anos pode sonhar em disputar o Mundial dos Estados Unidos com a camisa da Seleção.
Afinal, ele já foi o jogador mais velho a disputar um jogo pelo Brasil, em Copa. Aos 38 anos, no Catar.
Para a imprensa de modo geral, e até para ele mesmo, ele havia disputado o último torneio pela Seleção.
Saiu de maneira honrosa, terceira Copa como capitão, mas sem o principal, o título.
Ele voltou para o Fluminense, em 2024, depois de vinte anos no futebol europeu, certo de que iria encerrar a carreira como jogador e começaria a trabalhar como técnico, em dois ou três anos.
Só que ele sempre levou tão a sério a carreira, e tem tanto talento, que o futebol europeu, a nata do esporte no mundo, tratou de resgatá-lo.
Com o seu total aval, já que sua esposa e os filhos Isago e Iago ficaram em Londres. Os ‘seus meninos’ jogam na base do Chelsea.
E ele queria ficar mais perto da família, por mais que amasse o Fluminense, sua vida particular estava afetada.
A direção do Milan se animou ao saber da vontade do zagueiro. Mas o treinador Massimiliano Alegri não quis o retorno. Acreditava que, aos 41 anos, Thiago Silva não iria render. E ele tem um nome muito forte na Itália. Seria constrangedor deixá-lo na reserva.
Foi quando surgiu, de surpresa, o Porto. O clube português precisava de um líder. E o treinador italiano Francesco Farioli se empolgou com a chance de ter o brasileiro, assim como a direção.
O contrato foi fechado.
E Thiago Silva voltou para o clube onde havia atuado apenas no time B, no início da carreira, na temporada 2004/2005.
Muito consciente do seu papel, o zagueiro seguiu treinando forte e impressionando nos treinamentos, impondo sua técnica.
Foi assim que Farioli decidiu colocá-lo como titular na partida importante, pelas quartas-de-final da Taça de Portugal, contra o rival Benfica.
Ele teve uma atuação que foi considerada ‘soberba’ por jornalistas portugueses. E anulou Pavlidis, atacante grego, principal artilheiro em Portugal.
“Thiago Silva voltou a pisar um gramado português mais de 21 anos depois de ter estado em campo pela equipe B do Porto.
“Aos 41 anos, fez a estreia na equipe principal perante um rival e perante o goleador número 1 do futebol nacional.
“Entendeu-se muitíssimo bem com Bednarek e raramente deu espaço a Pavlidis e companhia. Novato quarentão”, elogiou e brincou o jornal A Bola.
Esse foi o rumo das críticas do jogo. Pelos jornais, rádios, portais e televisão de Portugal.
Ele jogou noventa minutos.
Não foi driblado nenhuma vez, não cometeu sequer uma falta. Ganhou três dos três duelos individuais. Recuperou a bola duas vezes. Fez seis cortes, deu 40 passes certos, de 43.
As estatísticas foram impressionantes.
Mas a atuação também chegou à sede da CBF.
Thiago Silva foi capitão do Brasil nas últimas três Copas do mundo.
Sua influência, por exemplo, sobre Neymar é única.
No Fluminense, o nível de competição no Brasileiro, não animava Carlo Ancelotti.
Mas a disputa na Europa, contra os melhores jogadores do mundo, é outra situação.
Thiago Silva é um grande líder positivo.
Há quem na CBF o defenda com um atleta a ser convocado, nem que seja como reserva.
Seria importante para o grupo.
Ou até quem sabe, insistem os mais otimistas, capitão da Seleção na quarta Copa, em seguida?
Ancelotti é mais pragmático.
Ele não se deixa envolver em posturas emocionais, como acontece com os defensores eternos de Neymar.
Apesar de ter excelente relacionamento com o zagueiro. Foram campeões pelo PSG. Se conhecem e se gostam.
O italiano sabe o poder de liderança do brasileiro.
Está muito cedo, evidente, Thiago Silva fez apenas sua estreia pelo Porto.
Mas se ele mantiver um nível alto de atuações, pode ser o homem a quebrar uma barreira que parecia ser impossível.
Um jogador com mais de 40 anos estar na Copa do Mundo, representando a Seleção Brasileira.
Só depende do surpreendente Thiago Silva...















