Cosme Rímoli 'Sou um animal.' Vitor Pereira, o português do Corinthians, muito mais agressivo que Abel, o português do Palmeiras

'Sou um animal.' Vitor Pereira, o português do Corinthians, muito mais agressivo que Abel, o português do Palmeiras

O novo treinador corintiano deu sua primeira coletiva. E deixou claro seu estilo. Mais explosivo, mais agressivo que o do seu compatriota Abel Ferreira, técnico do rival Palmeiras. Estreia será amanhã, contra o São Paulo

  • Cosme Rímoli | Do R7

Vitor Ferreira é muito mais agressivo que Abel Ferreira. No estilo de jogo e na personalidade

Vitor Ferreira é muito mais agressivo que Abel Ferreira. No estilo de jogo e na personalidade

Rodrigo Coca/Corinthians

São Paulo, Brasil

Jorge Jesus ainda é uma sombra no futebol brasileiro.

O futebol que ele conseguiu impor ao Flamengo em 2019 foi impressionante.

O Vasco acreditou que a nacionalidade já bastaria e, em outubro de 2020, contratou o português Ricardo Sá Pinto. Ele ficou apenas dois meses; foi demitido em dezembro.

Abel Ferreira conseguiu um patamar invejável. Em um ano e cinco meses, conseguiu vencer duas Libertadores, uma Copa do Brasil e a Recopa Sul-Americana.

O presidente Duilio Monteiro Alves acreditou que o Corinthians também precisava de um treinador português. Tentou Jorge Jesus, depois Paulo Fonseca, então foi atrás de Luís Castro. Até que, com a ajuda de Kia Joorabchian, contratou Vitor Pereira, agenciado pelo iraniano naturalizado inglês e ex-presidente da MSI.

O compromisso foi até o fim de 2022, para observação mútua, saber se haverá adaptação ou não.

Vitor já trabalha no Corinthians há três dias.

E, logo na sua primeira coletiva, ele deixou claro o que a imprensa lusitana garantia. 

Ele é muito diferente de Abel Ferreira.

Mais desafiador, pronto para o embate com os jornalistas, se precisar.

De personalidade forte, suas discussões, em coletivas, durante a carreira, se tornaram comuns.

"Sou um animal lá dentro de campo. Mas depois, quando acaba o trabalho, sou o Vitor, sou tranquilo, tenho valores morais. Reajo mal a quem me desrespeita em termos de valores. Aí, sim, reajo mal, porque fui educado com valores em uma família humilde, de respeito, de honestidade, de verdade. Tudo que é mentira, falta de caráter, me choca e me torna reativo. Vocês já viram alguns momentos, e foi porque as pessoas não me respeitaram, aí viro bicho. Mas também já tenho mais experiência, consigo perceber que a intenção é provocar, aí lido melhor."

Ele fez questão de se valorizar.

"Fui convidado muitas vezes para vir ao Brasil. Disse sempre que não porque sempre foquei na Inglaterra. Já estive para ir ao campeonato inglês, contratos definidos, mas não fui. Estava focado na Inglaterra porque, hoje em dia, é o campeonato mais competitivo, mais qualidade tática, e eu sou esse treinador."

"Um treinador tático, estratégico, que gosta de desafios, estar no meio dos melhores. Olho muitas vezes para o Brasil, questionava ir ao Brasil, o projeto no final são dois meses, três meses, e essa falta de consistência, vista de fora, essa falta de tempo foi sempre uma coisa que me deixou de pé atrás."

"Quero um jogo que nos permita ter mais bola, sermos dominantes com posse, muita posse. Depois, para evitar correr para trás, precisamos ser agressivos na perda da bola. São dois momentos do jogo para evitar que essa equipe faça quilômetros e quilômetros andando para trás e depois para a frente."

E, provavelmente aconselhado por Kia Joorabchian, seu empresário, o português já destacou o que a torcida corintiana está ansiosa por saber. Kia deve ter se lembrado do fiasco que foi a passagem do argentino campeão mundial, Daniel Passarella, pelo clube, como treinador, em 2005.

"Para já, títulos. Para além da qualidade do jogo, é importante ganhar. Eu gosto de ganhar com qualidade de jogo, mas ganhar é fundamental. Em um clube desta dimensão, com uma torcida enorme, é importante lutar e competir por títulos. Eu posso prometer muito trabalho em busca dos títulos."

Vitor Pereira tem mostrado quanto quer o Corinthians no auge de seu preparo físico em campo. A começar por amanhã, contra o São Paulo, no Morumbi.

"Tenho minhas ideias. Ao longo da minha carreira, fui projetando uma metodologia de treino e um modelo de jogo, aquele jogo que gosto de ver. Mas ser treinador é mais do que isso. É chegar, avaliar bem o que temos e, depois, procurar colocar os jogadores confortáveis em seu jogo. Venho para organizar, junto com meu estafe e a comissão que já estava."

"O que nós pretendemos é criar um jogo que coloque os jogadores confortáveis nele, que vá de acordo com as características deles. É quase como organizar o jogo deles, organizar as qualidades que tenho à minha disposição. Vamos tentar encontrar um equilíbrio entre essa qualidade técnica, que existe no elenco, e a capacidade física."

A partir de amanhã, às 16 horas, no Morumbi, começam para valer as comparações.

Entre o português do Palmeiras e o português do Corinthians...

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