São Paulo passa vergonha em Mirassol. É goleado. Presidente enfrenta novas denúncias. ‘O São Paulo não morreu! Parece que tinha um defunto em campo’, desabafa, tenso, Crespo. Medo é de rebaixamento
3 a 0 foi pouco para o Mirassol. Logo na primeira partida de 2026, o São Paulo mostrou fragilidade, apatia, tensão. A torcida interiorana acabou a partida gritando olé, com o grande da Capital entregue. O caos administrativo contaminou o time de Crespo, que tem medo já do rebaixamento
Cosme Rímoli|Do R7

“O São Paulo não morreu.
“Parece que estava um defunto ali (em campo).
“É um momento sensível, claro. É difícil? Muito difícil, mas muita gente está aqui para colocar a cara e ajudar.
“Não é todo mundo ruim aqui.
“Temos gente honesta, sincera, que vai fazer o melhor para ajudar o São Paulo a voltar aos tempos que todo mundo lembra.”
Hernán Crespo estava desorientado na sua entrevista coletiva, ontem à noite.
Ele sabe que o presidente, Julio Casares, está perto de enfrentar um processo de impeachment.
A polícia o investiga. Como também membros de sua família.
As acusações, assustadoras.
E neste domingo surgiu novas denúncias, também da polícia, contra o ex-diretor adjunto de futebol, Nelson Marques Ferreira, que abriu 15 empresas, 15 franquias, enquanto esteve trabalhando na diretoria de Casares.
A investigação é se estas empresas receberam dinheiro que, de acordo com a polícia, poderia ter sido desviado do São Paulo.
Crespo e os jogadores já estavam muito assustados com denúncias contra a atual direção, antes do massacre de ontem em Mirassol.
O treinador argentino tentou blindar os jogadores.
Insistiu que não era problema deles.
E que se concentrassem em jogar futebol.
Não conseguiram.
Mas não foi só problema mental.
Muito pelo contrário.
A deficiência é técnica.
Devendo mais de R$ 1,2 bilhão não há dinheiro para montar um grande elenco.
A credibilidade do gigante São Paulo está afetada com as denúncias.
Jogadores como Savarino e Vitinho se recusaram a jogar no clube de Casares.
Assim como instituições financeiras começam a negar empréstimos.
O resultado é um redemoinho, puxando o clube para baixo.
Logo na primeira rodada do Paulista, há torcedores e comentaristas falando em rebaixamento no Morumbi.

O time ontem foi humilhado pelo Mirassol. Perdeu apenas por 3 a 0 por pura falta de pontaria dos atacantes do time interiorano.
De nada adiantou montar o São Paulo como equipe pequena, no 5-4-1. Buscando travar o toque de bola insinuante, os ataques em bloco, as triangulações, a marcação sob pressão montada pelo competente Rafael Guanaes.
Foi um duelo desigual.
A equipe interiorana confiante, vibrante, ousada e muito bem montada, contra o gigante da Capital apequenado, submisso, aceitando ser dominado.
Os gols de Lucas Mugni, Alesson e José Aldo surgiram de maneira natural para o Mirassol.
A situação do São Paulo é tão absurda que Crespo admitiu que o adversário mereceu vencer e teve a coragem de comemorar que ninguém do seu time se contundiu.
"Depois de sete dias (de treinos), jogar um jogo oficial e não ter lesionados já é uma notícia positiva.
“Eles (Mirassol) mereceram, acho que o resultado é maior do que o jogo apresentou. Mas eles mereceram a vitória. Jogar um jogo oficial é importante para o futuro, a construção.”
Luciano, transparente, mostrou medo do que virá pela frente para o São Paulo, nesta temporada. E implorou o apoio dos são paulinos. A palavra rebaixamento é cada vez mais repetida no Morumbi.
“Vou ser sincero: a gente pede apoio da torcida, porque, como ano passado, este ano acho que vai ser mais difícil. Peço para o torcedor não abandonar o time, com eles somos mais fortes.
“A temporada será difícil, só peço que o torcedor não abandone esse clube.”
Membros de organizadas, que já protestaram contra Casares no sábado, prometem seguir cobrando publicamente os conselheiros. Exigindo que votem pelo impeachment na sexta-feira.
O presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu, deu seu aval para uma manobra na votação que favorece Casares.
Em vez de dois terços a favor para que o processo de impeachment aconteça, agora será exigido que três quartos votem para que aconteça a destituição.
Ou seja, há enorme chance que o São Paulo mantenha Casares.
Ex-presidentes, que também enfrentaram denúncias, como Carlos Miguel Aidar e Leco, apoiam firmemente o atual presidente. Mesmo com as investigações da Polícia Civil.
Os próximos jogos do São Paulo são: quinta-feira, o São Bernardo, que goleou o Capivariano, no Morumbis.
No domingo, o time enfrentará o Corinthians, em Itaquera. Depois, a Portuguesa, no Morumbis. E em seguida, o Palmeiras, em Barueri.
A situação é complicadíssima.
A crise que o São Paulo enfrenta é histórica.
Jamais a Polícia Civil investigou publicamente a alta direção deste gigante, tricampeão mundial.
Nem o clube deveu tanto dinheiro.
Não é por acaso que a palavra rebaixamento está sendo repetida, com medo, no Morumbi...















