Cosme Rímoli Rancor e vingança do Corinthians, por trás do massacre a Benedetto. Argentino não quis jogar no Parque São Jorge

Rancor e vingança do Corinthians, por trás do massacre a Benedetto. Argentino não quis jogar no Parque São Jorge

O atacante, principal responsável pela eliminação do Boca na Libertadores, foi ironizado pelo Corinthians. Como jamais um jogador havia sido. Foi vingança por ele ter virado as costas ao clube e preferido voltar ao Boca

  • Cosme Rímoli | Do R7

O desespero de Benedetto. No seu centésimo jogo pelo Boca. Não imaginava o massacre que sofreria

O desespero de Benedetto. No seu centésimo jogo pelo Boca. Não imaginava o massacre que sofreria

IGNACIO AMICONI/DIA ESPORTIVO/ESTADÃO CONTEÚDO

São Paulo, Brasil

Um massacre.

Os ataques vieram em seguida. De todos os lados. A começar da imprensa esportiva argentina, que viu o time mais popular do país eliminado precocemente da Libertadores da América. A saída do Boca Juniors da competição mais importante da América do Sul, ainda nas oitavas, é um desastre para a audiência das TVs, venda de jornais, acessos aos portais.

Torcedores xeneizes demonstraram a raiva na redes sociais contra o jogador que era a maior esperança de gols e que havia prometido que levaria o Boca à conquista da sétima Libertadores.

O Corinthians fez o que jamais havia feito. Publicou uma montagem do atacante como sócio da Gaviões da Fiel, a principal torcida do clube. Com foto e número da carteira. A legenda não poderia ser mais direta. "Gracias", obrigado, em português.

Dario Benedetto, 32 anos.

Justo ele, que era a maior preocupação de Vítor Pereira. A ponto de o treinador insistir que os zagueiros estivessem prontos para que sempre houvesse um "na sobra", Benedetto não ficasse "mano a mano" com defensor algum.

Há um motivo maior do que os dois pênaltis desperdiçados por Benedetto ontem, que encaminharam a ida do Corinthians às quartas da Libertadores. À espera, provavelmente, do Flamengo.

No início do ano, o clube paulista negociou com Benedetto. Queria o atacante como seu artilheiro. Depois de sonhar com Cavani e Suárez, o clube buscou essa terceira alternativa, muito mais acessível. O "carrasco" do Palmeiras na Libertadores de 2018, marcando três gols nas semifinais. O presidente Duilio Monteiro Alves tinha certeza de que a transação seria fechada. 

A publicação da 'carteira de sócio' de Benedetto. Nas redes sociais oficiais do Corinthians. Rancor

A publicação da 'carteira de sócio' de Benedetto. Nas redes sociais oficiais do Corinthians. Rancor

Corinthians

Benedetto foi vendido em 2019 por 16 milhões de euros, cerca de R$ 88 milhões. Foi um fracasso. Acabou emprestado ao Elche. E também não rendeu. 

Embora a negociação tivesse sido iniciada, ele virou as costas ao Corinthians. Preferiu voltar ao Boca Juniors, onde é ídolo. O que provocou grande ira dos dirigentes no Parque São Jorge.

A idolatria ao atacante em Buenos Aires era enorme. No dia 17 de maio, a Bombonera inteira cantou Parabéns a Você ao jogador, que completava 32 anos.

A torcida até perdoou seu afastamento do clube por ter faltado a um treinamento em razão de ter virado a noite em uma balada, em junho.

A noite deveria ser especial para o atacante, que completava cem partidas pelo Boca Juniors.

Vazou para a ESPN argentina o que o jogador disse para motivar seu time, antes de começar a partida.

"Eu digo uma coisa a vocês, eles nos trataram como perdedores lá [em Itaquera], então vamos mostrar a esses filhos da pu... que somos vencedores."

Ele teve duas chances reais, cara a cara com Cássio, mas as desperdiçou. A pior foi o pênalti que cobrou durante o jogo, na trave. Ele seguiu a partida toda afobado, nervoso, tenso.

Veio a decisão por penalidades, depois do 0 a 0.

O colombiano Villa deveria terminar a primeira série. Bater o pênalti que poderia ser decisivo, o quinto. Mas Benedetto tomou a frente e disse ao treinador Battaglia que queria bater. Ao contrário do que o treinador havia definido.

Pediu e teve a chance de levar o Boca Juniors às quartas. Bastaria ter feito o gol.

Mas, nervoso como um menino, bateu forte, pegou embaixo da bola, que subiu e foi parar no segundo lance de arquibancada da Bombonera, para espanto geral.

O Corinthians acabou ficando com a vaga.

Quando Gil marcou o pênalti decisivo, Benedetto começou a chorar. Sabia que seria responsabilizado. Cobrado por ter tido a chance de garantir a sobrevivência do Boca Juniors na Libertadores.

Ele saiu sem dar entrevistas, cercado de seguranças do Boca Juniors.

O clube argentino vive grande crise financeira, e a Libertadores era a competição que poderia aliviar a situação.

Benedetto também complicou a situação do técnico Battaglia. Jornalistas argentinos acreditam que o treinador deveria ter percebido o nervosismo do atacante e não deixado que ele cobrasse a quinta penalidade. 

Battaglia é questionado na Argentina. Por ter 'cedido' ao nervoso Benedetto, nos pênaltis

Battaglia é questionado na Argentina. Por ter 'cedido' ao nervoso Benedetto, nos pênaltis

Boca

O atacante é o jogador com o maior salário no combalido Boca Juniors.

De acordo com a imprensa de Buenos Aires, ele recebe cerca de R$ 1 milhão por mês. 190 mil dólares a cada 30 dias.

Benedetto também já foi pretendido pelo São Paulo e até analisado pelo Palmeiras. Mas negociou com o Corinthians. E preferiu ir para o Boca.

Jamais imaginou que seria o pivô de um jogo tão dramático.

E que pode até comprometer seu futuro no "clube que ama".

Ele está sendo "massacrado" de todos os lados.

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