Cosme Rímoli Queimado por Tite, Gabigol enfrenta a ira do Flamengo

Queimado por Tite, Gabigol enfrenta a ira do Flamengo

Ele fez de tudo pela Copa América. Desobedeceu o Flamengo. Mas foi escalado de maneira errada, por Neymar. Acabou queimado. Foi suspenso. Renato tem liberdade para acabar com seu estrelismo

  • Cosme Rímoli | Do R7

Enfrentou o Flamengo, apostou na Copa América. Foi queimado por Tite. Só se desvalorizou

Enfrentou o Flamengo, apostou na Copa América. Foi queimado por Tite. Só se desvalorizou

Lucas Figueiredo/CBF

São Paulo, Brasil

O sonho virou pesadelo.

Gabigol tinha a certeza de que a Copa América seria fundamental na sua carreira. Serviria para provar que ele deveria ter lugar fixo na seleção brasileira. E ainda como publicidade aos clubes europeus que viraram as costas ao atacante.

Sua participação foi um fiasco.

Ele caiu na velha armadilha montada por Tite. O treinador se acostumou a violentar as características de jogadores, para se encaixarem no seu esquema. E tratou de forçar Gabigol, que rende muito mais flutuando pelas laterais, como centroavante fixo, encaixotado entre os zagueiros. Algo antigo, como Felipão fazia com Fred, na Copa de 2014, que acabou valendo ao atacante o apelido de 'cone'.

Gabigol, sempre tão rebelde na Gávea, se calou. E foi fazer o que sabia que não daria certo. E lá foi ele jogar de costas para o gol, brigar com zagueiros fortes, viris e que iam dividir sempre de frente para a bola.

E, para quem entrou na Copa América para ser o artilheiro do torneio, teve a desilusão de marcar apenas um gol. Logo na primeira partida, contra a fraquíssima Venezuela, destroçada pelos 13 casos de covid, antes de enfrentar o Brasil. 

Entrou aos 19 minutos do segundo tempo, no lugar de Richarlison. Tomou um amarelo aos 20 minutos, por falta violentíssima em Cásseres, demonstrando seu nervosismo. A única alegria da competição veio aos 43 minutos, quando Neymar invadiu a área venezuelana e procurou Gabigol, livre, que marcou de peito.

A felicidade do atacante foi fugaz.

Alegria fugaz. Único gol em sete partidas. Contra a destroçada Venezuela. 13 casos de covid

Alegria fugaz. Único gol em sete partidas. Contra a destroçada Venezuela. 13 casos de covid

Lucas Figueiredo/CBF

Tite o fez começar a partida contra o Peru. Mal escalado, não rendeu, na fácil vitória por 4 a 0. Saiu no intervalo, dando lugar a Everton Ribeiro.

As chances foram diminuindo, de acordo com seu fraco futebol como centroavante, como cone. Diante da Colômbia, entrou apenas aos 30 minutos do segundo tempo, no lugar de Richarlison. Não conseguiu nada de produtivo.

Sua moral foi decaindo.

Acabou escalado, com o time reserva, diante do Equador. Ficou os 90 minutos em campo. Teve mais liberdade, mas não rendeu. A falta de confiança nos primeiros jogos refletiu.

Veio o primeiro mata-mata, contra o Chile, pelas quartas de final. Gabigol não entrou um minuto sequer.

E o segundo, a semifinal, contra o Peru. Com direito a cinco substituições, Tite não colocou o atacante do Flamengo. Assistiu todo o jogo do banco de reservas.

Na final, contra a Argentina, entrou apenas aos 31 minutos do segundo tempo. Discutiu com Otamendi e deu um chute a gol, aos 41 minutos, que Martínez defendeu. 

E só.

Gabigol saiu queimado da Copa América.

Gabigol fazia questão de questionar publicamente Rogério Ceni. Não o respeitava

Gabigol fazia questão de questionar publicamente Rogério Ceni. Não o respeitava

Alexandre Vidal/Flamengo

Não só na seleção brasileira, onde mostrou que, com Tite, ele não serve, porque ocupa espaço que é do intocável Neymar.

E também no Flamengo.

A diretoria não perdoou uma absurda atitude do jogador. Antes de começar a Copa América, havia uma rodada do Brasileiro e Copa do Brasil. Todos os atletas que atuavam no Brasil estiveram nela. Gabigol, não.

O departamento médico da CBF dizia que ele tinha um edema muscular na coxa direita. Os resultados eram inconclusivos para os médicos do Flamengo. E Gabigol foi chamado para ir até Curitiba, onde o time estava concentrado, para jogar contra o Coritiba, pela Copa do Brasil.

Ele decidiu não ir. 

A direção do Flamengo esperou a Copa América acabar. 

E já com o comando de Renato Gaúcho, não mais do complacente Rogério Ceni, ele foi punido com uma partida de suspensão. Não atuou ontem no Maracanã contra a Chapecoense.

Mas se engana quem pensa que Gabigol ganhou o domingo de folga.

Renato Gaúcho tem o perfil diferente de Rogério Ceni. E tem a liberdade para acabar com a falta de respeito dos jogadores, com com ataques de estrelismo nas substituições.

Gabigol foi flagrado em um cassino clandestino em São Paulo. Flamengo não se manifestou

Gabigol foi flagrado em um cassino clandestino em São Paulo. Flamengo não se manifestou

Reprodução/Polícia Civil São Paulo

Gabigol servirá como exemplo aos demais. 

Até fora do campo, como o flagrante em um cassino clandestino em São Paulo, no auge da pandemia.

Seu comportamento com Ceni, até exigindo explicações táticas de suas substituições durante os jogos, serve como exemplo do que a diretoria flamenguista não quer.

O vice Marcos Braz sabe que a equipe rendia muito com Jorge Jesus porque o português era firme, cobrava, encarava e até gritava com os jogadores. Sem medo das estrelas do time.

E é isso o que Renato Gaúcho fará.

A Copa América foi um caos para Gabigol.

Ele se queimou na seleção, passou a imagem para a opinião pública que não deve ser convocado. Poucos atinaram que sua maneira de jogar foi violentada. 

E também deixou o ambiente ruim para ele na Gávea.

Ele está há 11 jogos sem atuar pelo clube.

Depois da suspensão, deverá hoje ter uma conversa séria com Renato Gaúcho.

Ser cobrado, mas ganhar um voto de confiança. E ser o titular, na quarta-feira, pelas oitavas de final da Libertadores, contra o Defensa y Justicia, na Argentina.

É a chance de começar a se redimir.

Por ter virado as costas ao Flamengo.

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