Pressão da população e da mídia. Ronaldinho é preso no Paraguai
Juiz revoga a decisão do MP de liberar o ex-jogador, por não agir de má-fé. Passaportes falsos não serão impunes. Ele foi preso preventivamente
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
Diante da desmoralização internacional, o governo paraguaio decidiu levar suas leis à sério.
Provar que elas valem para todos.
Até mesmo para uma celebridade mundial.
Por isso, Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Assis, acabam de serem presos preventivamente, por portarem passaportes falsos.
Os dois, depois de prestarem oito horas de depoimento, foram levados no final desta noite de sexta-feira para uma delegacia que tem como foco o crime organizado, Agrupación Especializada de la Policía Nacional.
Foi revogada a sentença que liberava os dois.
Eles ficarão detidos para que não voltem ao Brasil.
Se chegassem aqui, e fossem condenados na justiça do Paraguai, nada aconteceria, já que o país não autoriza a extradição de quem é brasileiro nato.
A ordem veio da Fiscalía General, a procuradoria geral da república do Paraguai.
A situação passou a ser muito mais séria.
O juiz Mirko Valinotti, do Juizado Penal de Garantias de Assunção, foi o responsável pela reviravolta do caso.
Não aceitou o parecer do Ministério Público, que por terem colaborado, aceitarem depor e garantir que apenas receberam os passaportes do empresário Wilmondes Sousa Lira.
Além disso, teriam tratamento especial por não terem antecedentes na justiça paraguaia.
O MP enquadrou os dois no bizarro item do Código Penal Paraguaio batizado de "critério de oportunidade".
Mirko Valionotti não aceitou o parecer.
E determinou que, nos próximos dez dias, o Ministério Público paraguaio aprofunde as investigações na estranha falsificação, nos passaportes que mostram Ronaldinho Gaúcho e Assim como paraguaios naturalizados.
Policiais foram retirados do hotel Sheraton e foram levados para a delegacia Agrupación Especializada de la Policía Nacional.
Lá passariam a noite, podendo ficar os dez dias de investigação sobre o caso.
A pressão da imprensa e da população paraguaias mudaram a situação.
Ronaldinho e Assis estavam tranquilos. Apesar de flagrados com os passaportes falsos na quarta-feira, quando entraram no país vizinho, eles souberam que seriam liberados pela justiça paraguaia.
Mas a cobrança foi generalizada, por conta do tratamento especial reservado ao ex-jogador e celebridade mundial.
E tudo mudou.

O diretor de Imigração, Alexis Penayo, teve de renunciar. Ele chegou a dizer que o ministro do Interior, Euclides Acevedo, foi avisado dos passaportes falsificados e nada fez.
Penayo perdeu o cargo.
Foi substituído hoje por María de Los Ángeles Arriola Ramírez, ex-funcionária de confiança do minisstro do Interior, Acevedo.
Até mesmo os promotores que haviam liberado o ex-jogador estão sendo investigados. A suspeita é de corrupção.
A justiça paraguaia é muito mais rápida que a brasileira.
A pena para quem usa documentos falsos naquele país pode chegar a cinco anos de prisão.
Advogados do Paraguai garantem que Ronaldinho poderá ficar dez dias detido. Mas no final do processo, o máximo que acontecerá é a cobrança de uma alta multa e a expulsão do país.
A situação vexatória já é manchete em todo o mundo.
Quem é mais próximo de Ronaldinho Gaúcho sabe: desde os oito anos, quando perdeu o pai, seu irmão Assis tomou todas as decisões importantes na carreira do jogador. E segue assim na vida.
As decisões adultas de Ronaldinho Gaúcho acabam sendo tomadas por Assis.

E embora o ex-jogador tenha um patrimônio que passa dos R$ 100 milhões, ele tem vários problemas com a justiça. Com crime ambiental, acusação de estar à frente de uma pirâmide financeira.
Por conta da multa ambiental, Ronaldinho e Assis tiveram seus passaportes retidos pela justiça brasileira.
O governo Bolsonaro indicou o atleta que foi escolhido duas vezes como o melhor do mundo como 'embaixador do turismo do país.
Talvez tenha sido o primeiro embaixador de turismo da história com o passaporte retido.
Logo em seguida à 'nomeação', foi anunciado pelo governo que houve acordo com Ronaldinho. Em vez de pagar R$ 8,5 milhões pela multa, pagaria R$ 6 milhões, em 60 vezes.
A Polícia do Paraguai confirma que Ronaldinho e Assis tinham passagem marcada para o Brasil. Seria nesta sexta-feira, às 17 horas.

Mas o voo foi adiado para domingo, por conta do longo depoimento dos dois ao juiz Valinotti.
E pode ser cancelado.
Os dois seguiam presos no começo da madrugada deste sábado.
É a situação mais vergonhosa da vida de Ronaldinho Gaúcho...