‘Pelo Maguila, enfrentamos a Máfia do Boxe. Fizemos o Brasil e União Soviética jogarem vôlei no Maracanã. Eu e o Luciano do Valle’, Francisco Leal
A maior revolução no jornalismo esportivo da tevê aberta foi feita por ele, Quico, e Luciano do Valle. Dez horas de esporte ao vivo, aos domingos. Hortência, Rui Chapéu, Paula, Bernard, Maguila devem a idolatria a esta dupla

Maguila, Hortência, Paula, Montanaro, Ruy Chapéu, Emerson Fittipaldi, Bernard...
Ídolos que, se houvesse o mínimo de lógica, não se encontrariam em um mesmo dia na televisão deste país.
Não até o início da década de 80.
Em 1983, houve uma revolução.
“O Johnny Saad, presidente da Band, nos chamou. O Luciano do Valle e a mim. Fizemos uma reunião e ele nos ofereceu dez horas de programação nos domingos. A Band precisava de audiência e verba comercial.
“Ele nos liberou para escolher os esportes que quiséssemos. Era um desafio enorme. Nós aceitamos e fomos para a batalha. Fizemos algo inédito e conseguimos revolucionar o esporte na tevê deste país. Foi uma grande batalha, que nos deu muito orgulho. O resultado foi inesquecível.“
Assim nasceu o Show do Esporte.
Quem relembra é Francisco Leal, o Quico. Ele e Luciano do Valle criaram uma empresa de marketing esportivo, que fez história, a Luqui, iniciais do nome do narrador e do apelido do empresários.
’O Luciano era o melhor narrador de televisão deste país, de todos os tempos. E tinha uma visão mercadológica incrível. Ele tinha as ideias e eu as colocava em prática. Tudo nasceu quando ele decidiu deixar a TV Globo. Nós já éramos parceiros desde sempre. E partimos para criar eventos esportivos.’
Quico é filho do grande apresentador Blota Júnior. Portanto tinha proximidade umbilical com a tevê.
’O primeiro grande evento foi uma ideia incrível que ele teve. A Seleção Brasileira de Vôlei enfrentar a campeã olímpica, a União Soviética, em pleno gramado do Maracanã. Os dirigentes do futebol não queriam o jogo lá.
‘Uma gráfica instalada dentro do Maracanã falsificou ingressos, nos roubou. Caiu uma chuva terrível. Mas houve o jogo, histórico. Em cima de um carpete colocado em cima da quadra. A TV Record transmitiu. Mais de 95 mil torcedores foram ao Maracanã. Foi maravilhoso’, relembra Quico.
O Brasil venceu, com o inesquecível saque ‘Jornada nas Estrelas’ de Bernard. Mas os vitoriosos foram Luciano e Quico.
Foi o sucesso da transmissão que os levou a criar o Show do Esporte. ‘O esporte era desprezado pelas tevês. A nossa grande visão foi fazer acordos com as federações de vôlei, basquete, boxe. Nós também enfrentamos preconceitos.
“Mostramos que a sinuca não era coisa de malandro. Colocamos um smoking no Rui Chapéu e ele ganhou um desafio do campeão mundial. Mostramos o talento de Paula e Hortência, em duelos incríveis por seus times.
"O Luciano criou a Copa Pelé, com as estrelas veteranas do futebol do planeta. Beckenbauer, Paulo Rossi e tantos outros vieram jogar. Decidimos apostar na Fórmula Indy e o Emerson Fittipaldi disparou a ganhar. Compramos o futebol italiano, com sucesso fabuloso. Foi uma época incrível.”

Ele lembra também do Brasileiro de 1990.
“O pessoal da Globo estava desencantado com o futebol depois da Copa. E largaram o Brasileiro. Compramos e foi um estrondoso sucesso, com o Corinthians ganhando o seu primeiro título.“
Quico se transformou até no empresário do maior peso pesado brasileiro de todos os tempos: Maguila. “Foi uma loucura. Eu e o Luciano enfrentamos a Máfia do Boxe. O ambiente é terrível. O Maguila tinha muito talento, era um grande lutador. Por contrato, a pedido dele, que queria, e ganhou, muito dinheiro, lutava a cada 60 dias.”
“A audiência era excelente, ele subiu no ranking e ele sonhava em enfrentar o Mike Tyson. Fui negociar a luta com o Don King. Ele sabia que os empresários do Evander Holyfield queriam também o Maguila. Don King me trancou no seu escritório para forçar a minha assinatura, para que ele lutasse nas preliminares do Tyson.
“Isso nós não aceitávamos.
“Tive de assinar qualquer coisa e escrevi embaixo, em português: ‘essa assinatura não vale nada’.“
Quico diz que foi voto vencido na luta entre Maguila e Holyfield.
‘Contratamos o Angelo Dundee, que foi técnico do Muhammad Ali. Ele forçou a luta. Eu sabia que o Holyfield era de outro patamar. Mas acreditei no Dundee.
“O Maguila fez ótimo primeiro round, batendo e saindo. Mas no segundo, Dundee mandou que ele encurtasse a distância. E foi um desastre. Não sei se foi armada aquela estratégia para o Maguila perder.
“Só sei que nunca mais ele foi o mesmo. Deixei claro que, para mim, ele deveria parar. Ele tinha um bom dinheiro. Só as luvas da luta com o Holyfield foram de 400 mil dólares (cerca de R$ 2,1 milhões). Rompemos, ele seguiu. E foi lastimável ver a decadência do Maguila.’

A Globo acordou para o esporte. E começou uma tática cruel contra o Show do Esporte.
‘Eles passaram a comprar eventos, não passar, só para que não os mostrássemos. Cruel? É uma estratégia de quem tem mais dinheiro. Capitalismo.’
Sem a mesma liberdade para negociar eventos, Quico deixou a parceria com Luciano do Valle e a Band. Começaram a chegar ao Brasil os canais fechados especializados em esportes.
Criou a agência de marketing esportivo, a Sport Promotion. ‘Fizemos inúmeros eventos com a CBF e com a própria Globo.’
Quico é direto sobre o que ele e Luciano fizeram.
“Revolucionamos, apresentamos vários esportes aos brasileiros. Tenho muito orgulho do que fizemos.’
A entrevista está, na íntegra, no Canal Cosme Rímoli, no youtube, parceria com o R7.
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