Cosme Rímoli Palmeiras tem de vencer a lógica. Para sobreviver ao São Paulo

Palmeiras tem de vencer a lógica. Para sobreviver ao São Paulo

O time do argentino Crespo está encaixando, ganhando confiança e tendo resultados. A equipe do português Abel vive momento ruim, inseguro, tenso. A decisão da vaga à semi da Libertadores, na terça, pende para o São Paulo

  • Cosme Rímoli | Do R7

Igor Gomes marcou aos 47 minutos do segundo tempo, contra o Grêmio. Confiança à flor da pele

Igor Gomes marcou aos 47 minutos do segundo tempo, contra o Grêmio. Confiança à flor da pele

São Paulo

São Paulo, Brasil

"Os jogadores sabem o quanto eu confio neles e o quanto nos preparamos mentalmente. Sabem a regra das 24 horas, na vitória ou derrota.

"Daqui a três dias estaremos preparados para o nosso grande jogo em casa, para passarmos à próxima etapa, que é o que queremos."

Abel Ferreira

"O elenco recuperou confiança, mas não falo só de agora. Estamos fazendo ótimos jogos. Só nesse mês que foi muito difícil para todos. Mas o time sempre jogou corretamente, em bom nível. Tivemos poucos dos pontos que merecíamos, mas o time está fazendo o resultado em campos com tudo aquilo que estava demonstrando em campo."

Hernán Crespo

Embora treinados para esconder situações, emoções, tensões nos times que comandam, os treinadores português e argentino deixaram escapar o óbvio.

O São Paulo tem tudo para chegar mais forte emocionalmente do que o Palmeiras, na batalha pela sobrevivência da Libertadores, marcada para terça-feira, no Allianz Parque.

Neste mês de agosto, o time da Abel Ferreira não está jogando bom futebol e ele sabe disso. O confronto contra o Atlético Mineiro foi prejudicado pela expulsão injusta, absurda de Patrick de Paula, aos 34 minutos do primeiro tempo, ontem. 

Mas nos minutos nos quais palmeirenses e atleticanos tinham o mesmo número de jogadores, a equipe de Cuca foi superior. Sim, estava com os titulares absolutos, enquanto Abel decidiu poupar atletas para o jogo do terça-feira.

Mas o Palmeiras atuou exatamente como contra o São Paulo na semana passada. Recuado demais. Não se portou como uma equipe inteligentemente recuada para explorar os contragolpes. Suas linhas estavam recuadas demais, deixando o ataque distante. 

Não foi uma equipe reativa.

E, sim, defensiva.

Abel Ferreira nunca venceu Crespo. A marcação individualizada do São Paulo é o segredo

Abel Ferreira nunca venceu Crespo. A marcação individualizada do São Paulo é o segredo

Cesar Greco/Palmeiras

Recuando para sábado passado, dia 7 de agosto, Abel colocou seu time para atacar o Fortaleza, no Allianz Parque. O resultado foi tenebroso. A equipe ficou escancarada, parecia um bando de atletas mal distribuídos. Expostos aos mais simplórios contragolpes. Perdeu por 3 a 2.

Ainda no outro sábado, quando enfrentou o São Paulo no Morumbi, no dia 31 de agosto, sofreu muito para segurar o 0 a 0. Escapou da derrota em um lance polêmico, graças ao VAR.

Na quarta-feira passada, outra vez, o time de Crespo foi superior e o empate em 1 a 1, na primeira partida das quartas-de-final, foi injusto.

Abel Ferreira terá todo seu milionário elenco à disposição para depois de amanhã. E precisa encontrar uma equipe poderosa, equilibrada. Com coragem para atacar, mas firme para se defender. 

Mais importante: ensinar seus jogadores do meio para a frente, independente de quem jogar, como escapar do grande trunfo de Crespo diante do Palmeiras.

A marcação individualizada, com Miranda atuando como líbero, na cobertura.

Laterais, meias e atacantes têm seus perseguidores ferozes, assim que ultrapassam o meio-campo.

Nos cinco confrontos com o São Paulo de Crespo, Abel Ferreira teve de se contentar com três empates. E sofreu duas derrotas.

Palmeiras 0x1 São Paulo – Campeonato Paulista 2021 (fase de grupos); Palmeiras 0x0 São Paulo – Campeonato Paulista 2021 (jogo 1 da final);São Paulo 2×0 Palmeiras – Campeonato Paulista 2021 (jogo 2 da final);São Paulo 0x0 Palmeiras – Brasileiro 2021 (14ª rodada);São Paulo 0x0 Palmeiras - Libertadores.

Nada foi por acaso.

A solução para o Palmeiras passa pelas triangulações nas laterais do campo, na personalidade dos seus meio-campistas em trocarem passes, infiltrarem, jogarem com os atacantes. 

São Paulo jogou muito melhor que o Palmeiras na semana passada. Deveria ter vencido

São Paulo jogou muito melhor que o Palmeiras na semana passada. Deveria ter vencido

Rubens Chiri

Se o time insistir em bolas longas, lançamentos apostando na correria de Rony, Wesley ou Dudu, tem tudo para ser bobagem, como nos cinco confrontos anteriores.

Abel precisa ajustar a zaga. Os companheiros de Gustavo Gómez têm falhado, atrapalhado o desempenho do excelente jogador paraguio. Principalmente pelo alto.

Emocionalmente, o Palmeiras não está bem.

O São Paulo, bem ao contrário, começa a reagir. Na hora certa.

O elenco, que é inferior tecnicamente ao Palmeiras, ainda paga com lesões musculares pelo esforço para acabar o jejum de nove anos, disputando o Campeonato Paulista como se 'fosse Copa do Mundo', imposição da diretoria.

Mais de vinte lesões musculares depois, o time está reajustado para o jogo mais importante do ano. Começa a se recuperar do desastroso início do Brasileiro.

A vitória de ontem contra o Grêmio, de Felipão, foi dramática. Com direito a gol de Igor Gomes nos acréscimos, aos 47 minutos do segundo tempo. 2 a 1 que vai além da confiança.

Ela já estava renascendo quando o time derrotou o competitivo Athetico Paranaense, em Curitiba, no sábado dia 7, por 2 a 1.

O time vai se encaixando, entendo a maneira propositiva que o argentino quer o São Paulo. Atacando e defendendo com intensidade. 

A grande arma do Palmeiras é o potencial técnico de seus jogadores. O improviso

A grande arma do Palmeiras é o potencial técnico de seus jogadores. O improviso

Reprodução/Youtube

Crespo não passou 13 anos jogando e dois treinando na Europa à toa. Ele sabe a importância de uma equipe compactada, preenchendo os espaços, tirando o oxigênio do adversário, a partir do seu meio-campo. E a importância de ter o domínio do jogo, desesperar o inimigo, principalmente quando atua como visitante. Já como mandante, ter a personalidade, a iniciativa para comandar as ações.

Foi assim que o São Paulo foi campeão paulista, diante do mesmo Palmeiras.

Seu time poupou Daniel Alves para tê-lo 'inteiro', pronto para terça-feira. 

E o departamento físico tenta, de forma discreta, uma surpresa. Deixar Luciano apto para o jogo decisivo, na terça-feira. Ele seria o companheiro ideal para a grande contratação do clube em 2021, Rigoni.

Em 17 partidas como titular, o argentino marcou sete vezes e deu cinco assistências.

O São Paulo vive um momento psicológico e tático muito melhor que o Palmeiras.

O que torna a decisão indefinida é o potencial técnico dos jogadores de Abel Braga, que precisa vir à tona depois de amanhã.

O Palmeiras jamais eliminou o São Paulo na Libertadores.

Foi eliminado quatro vezes na história.

O jogo na terça-feira vale vaga na semifinal da principal competição da América do Sul.

Pelo que agosto está mostrando...

O favorito para passar à semifinal é o São Paulo.

Mas o Palmeiras tem potencial para vencer a lógica...

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