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Operação policial na casa da ex-esposa é a ‘pá de cal’ para Casares. Grupo político que ainda o apoiava, vira de vez as costas ao presidente afastado. Renúncia é o caminho mais digno

Nesta manhã, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na casa de Mara Casares, diretora do São Paulo. Encontraram R$ 20 mil em espécie e vários documentos relacionados ao clube. Seu computador foi apreendido. Policiais também foram às casas do diretor Douglas Schwartzmann e da funcionária Rita Adriano Prado

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Diálogo de Mara Casares com funcionária, envolvendo a venda de ingressos de camarote do São Paulo, no show de Shakira, deflagrou a operação policial Divulgação/São Paulo Futebol Clube

Julio Casares está isolado de vez.

Não tem a menor possibilidade de manter o cargo de presidente do São Paulo.


O minúsculo grupo de aliados que ainda nutria a mínima esperança de que os sócios não confirmassem seu impeachment, entregou os pontos.

A notícia que a Polícia cumpriu hoje pela manhã mandados de busca e apreensão na casa da ex-esposa de Casares, Mara, e levaram R$ 20 mil em espécie e documentos do clube, mais o computador de Mara, foi a pá de cal.


Entre os últimos aliados de Casares estão os ex-presidentes José Eduardo Pimenta, Carlos Miguel Aidar e Leco. Todos vão pelo mesmo caminho. O melhor para Casares é renunciar.

E não esperar que o vice Harry Massis, que ocupa a presidência, desde o dia 16, quando Casares foi afastado, marque a votação do sócio para a confirmação, ou não do impeachment.


Ou Casares sairá ‘por vontade própria’ ou pela votação dos sócios.

Ele nunca esteve tão sozinho.


A ação da Polícia hoje pela manhã foi desastrosa para o dirigente. Mara Casares teve de abrir sua casa logo no início da manhã para que policiais buscassem eventuais provas contra sua gestão como Diretora Feminina Cultural e de Eventos, nomeada pelo ex-marido.

A ação contra ela tem origem em um diálogo envolvendo o diretor de futebol de base, Douglas Schwartzmann, e a funcionária do São Paulo, Rita Adriano Prado, envolvendo a venda de ingressos e utilização de um camarote do clube.

O dinheiro arrecadado deveria ir para o caixa do São Paulo. A Polícia investiga se a verba foi dividida entre os três.

A origem da ação policial de hoje está no diálogo gravado, e com as vozes comprovadas, de Mara, Douglas e Rita.

Eles discutem sobre o processo criminal que Rita abriu contra Carolina Lima Cassemiro, por não ter pago integralmente 60 ingressos do show de Shakira no Morumbi. Além do uso do camarote 3A, que pertence ao São Paulo.

A conversa é assustadoramente explícita.

Douglas fala de maneira intimidadora para Rita.

“Você nunca soube que aquilo era feito de forma clandestina?

“A palavra é essa. Ou você não sabia? Você sabia ou não?.

“Eu não tenho camarote lá. Veio de quem? O que vai acontecer: a Mara vai ter que se explicar.

“Como é que faz no clube a hora que souber que ela te deu um camarote para explorar? Você vai acabar com a vida da Mara dentro do clube. E do Julio, porque ela é (ex) mulher do Julio.”

Douglas Schwartzmann não foi encontrado pela Polícia. Está em viagem de férias Divulgação/São Paulo Futebol Clube

Eu vou explicar de novo: você comprou ingresso para vender para quem e de onde? Do camarote “X”. Como é que você tinha esse camarote para vender?

“Porque ela (Carolina) vai falar que comprou do camarote tal, vai mostrar o contrato. É tudo fictício, querida! Você acha que vai ganhar o quê? Aquilo tudo é uma ficção.

“Você vai fo... com a vida da Mara, e o São Paulo vai ter que declarar que aquele camarote não era comercializado, que foi clandestino e que foi feito tudo de forma errada.

“Você vai perder e ainda vai fo*** com a vida dela.”

A certa altura da conversa, Mara detalha para Rita que o São Paulo tem ‘coisas grandes’ reservadas para ela.

Conselheiros garantem que ela sonhava suceder Casares e se tornar a ‘Leila Pereira do Morumbi’.

“Adriana, posso falar? Vou pedir e já pedi hoje encarecidamente. Retire esse processo, por favor. A única prejudica serei eu.

E mais, serei eu, esse processo dará tanta volta, tanta volta, serão anos e anos, eu estarei fod*** e você não vai ter recebido.

“Essa vagabunda com quem você tratou foi vagabunda, só que o que adianta eu falar que ela foi vagabunda?

“Que isso e aquilo?

“Para a gente ter futuro, a gente precisa limpar o presente.

“Eu estou percorrendo dentro do São Paulo um caminho profissional de futuro para assumir coisas grandes.”

Depois da revelação do diálogo, tanto Mara quanto Douglas se afastaram da direção do clube. Pediram apenas licença dos cargos, com esperança de voltarem.

A acusação policial é a de venda ilegal de camarotes. O inquérito foi instaurado no 34ª Distrito Policial do Morumbi e remetido ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania.

A Polícia não encontrou Douglas, que está no Exterior, em viagem de férias. E nos dois endereços de Rita Adriana.

Nos inquéritos, o São Paulo Futebol Clube está nomeado como vítima.

Casares está mais isolado do que nunca. Aliados exigem a renúncia. Para acabar a desmoralização do grupo que o apoiou Victor Monteiro/Pera Photo Press/Estadão Conteúdo

Casares também é investigado pela Polícia por depósito de R$ 1,5 milhão na sua conta corrente. Também se buscam explicações para R$ 11 milhões retirados da conta do São Paulo entre 2021 e 2025.

Este é o maior escândalo da história do clube.

E não ficará apenas para conselheiros decidirem o que fazer.

Pela primeira vez a Polícia está envolvida na política do São Paulo.

Por tudo isso, Julio Casares perdeu os últimos aliados que ainda tinha.

O caminho da renúncia se mostra a única saída digna.

Enfrentar a votação dos sócios para validação do impeachment seria mais desmoralização.

E as investigações e mandados de busca e apreensão vão continuar.

Com renúncia ou não...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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